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Montanhas de lixo eletrônico se acumulam por todo o mundo. Foto: trade2save
Você comprou um computador novo e não sabe o que fazer com o antigo? A coisa certa seria reciclar, afinal, grande parte dos computadores é feita de plástico, alumínio e outro materiais recicláveis. Porém, quando se trata de lixo eletrônico, as coisas não são tão simples.
Para começar a lista dos problemas, a maioria desse lixo é enviada em navios para países em desenvolvimento, como Indonésia, China e Índia para serem desmontados e reciclados por lá. A grande demanda pelos produtos usados e suas peças, os baixos salários e as péssimas medidas de proteção ambiental são marcas das atividades nas regiões.
Não se pode negar que essa indústria possibilita a criação de empregos e viabiliza o acesso de pessoas pobres às novas tecnologias. Entretanto, ela realiza suas atividades em locais não apropriados e sem nenhum tipo de controle dos riscos ambientais. Os trabalhadores ficam em contato direto com materiais perigosos como dioxina, mercúrio e chumbo.
Metais preciosos são extraídos dos circuitos eletrônicos por meio de ácidos e outros produtos, como o cianido. Essas substâncias, além de já serem perigosas por si só, retiram dos equipamentos outros elementos químicos extremamente tóxicos, agravando o problema.
Algumas pessoas argumentam que todos esses materiais tóxicos deveriam ser removidos completamente dos aparelhos como forma de proteger os trabalhadores. Ajudaria, mas não resolveria o problema. Isso porque algumas toxinas não estão presentes nos aparelhos e são geradas durante o processo de reciclagem.
Para extrair o cobre presente nos fios isolados, por exemplo, os trabalhadores juntam o material em uma pilha e ateiam fogo nela, queimando o plástico e produzindo diversas toxinas, inclusive a dioxina, que é cancerígena.
O que fazer com o lixo eletrônico, então?
Reduza
Antes de tudo, evite excessos. Fazendo isso você estará reduzindo a quantidade de lixo eletrônico e evitando que novos sejam produzidos. Lembre que reduzir é o primeiro dos 3 R´s e deve ser buscado a todo o custo. Por isso, não troque de aparelho se não for realmente necessário. Hoje é possível melhorar muito a configuração de um computador trocando apenas algumas peças.
Reutilize
Seu computador ficou muito ultrapassado e você gostaria de comprar um mais moderno? Tudo bem, mas já que seu antigo ainda está funcionando perfeitamente bem, que tal doá-lo a uma escola pública ou uma instituição de caridade? Mesmo que seu aparelho tenha pequenos defeitos, existem locais onde é possível consertar esses problemas e repassar o equipamento para pessoas necessitadas.
Recicle
Computadores, aparelhos de som, televisores e tudo mais que jogamos constantemente no lixo podem e devem ser reciclados. Mas isso deve ser feito da maneira correta e utilizando métodos adequados que respeitem o meio ambiente, os consumidores e os trabalhadores.

Crianças desmontam equipamentos eletrônicos na Índia. Foto: Greenpeace India
Convenção da Basiléia
A Convenção de Basiléia é um acordo firmado em 1989, entre 170 países, e que define a organização e a movimentação de resíduos sólidos e líquidos perigosos por todo o mundo.
Ela permite a concessão prévia e explícita de importação e exportação dos resíduos autorizados entre os países, de modo a evitar o tráfico ilícito. Para isso, estabeleceu algumas regras como, por exemplo:
• A obrigatoriedade do consentimento prévio, por escrito, por parte dos países importadores;
• A adoção de medidas adequadas de minimização da geração de resíduo;
• A administração ambientalmente correta de resíduos e seu depósito;
• A permissão para a movimentação entre países de resíduos perigosos, apenas se os resíduos em questão sejam necessários como matéria prima para as indústrias de reciclagem ou recuperação, entre outras.
O Brasil ratificou a Convenção em 1993, proibindo a importação e exportação de resíduos perigosos sem consentimento. Os procedimentos necessários à implementação podem ser encontrados na Resolução CONAMA N. 23/96.
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