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Algumas formações rochosas são de formatos singulares, como essa estalagmite na Caverna da Torrinha que lembra ao Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina (BA)/Foto: Valdiney Pimenta
Os fãs das estalactites podem comemorar. Um novo relatório divulgado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), informa que o Brasil já ultrapassou a marca de 10 mil cavernas conhecidas.
São 10.134 cavernas registradas, sendo que mais da metade localizam-se nos estados de Minas Gerais e Pará. Entre os biomas, o predomínio é o do Cerrado, que concentra mais cavidades do que todos os demais juntos.
O agrupamento de cavernas tem forte apelo para o turismo especializado, o espeleoturismo, praticado especialmente nas regiões de Bonito (MS), Bodoquena (MS), Mambaí/São Domingos (GO) e Nobres (MT). No Cerrado, além disso, vêm sendo feitos historicamente estudos, tanto por empresas quanto por espeleólogos, grupos de espeleologia e equipe técnica do Cecav/ICMBio.
O foco nas cavernas de Minas Gerais e Pará é outro. As áreas que mais concentram as cavidades, possuem grande potencial mineral. Assim, foram reveladas a existência de 3.750 cavernas somente com os levantamentos para a emissão de licenciamento ambiental, uma das diferentes fontes para a construção da base de dados.
Registro
O cadastro foi realizado como primeiro passo para definir, implementar e avaliar a efetividade das políticas públicas voltadas para proteção das cavernas. Uma dessas, o Programa Nacional de Proteção do Patrimônio Espeleológico, tem como meta inicial a criação de 30 unidades de conservação (UC) voltadas para a proteção desse ecossistema.
Segundo o Cecav, ainda há necessidade de expedições de prospecção mais efetivas, para efetuar uma coleta de dados mais completa, além de padronizar os métodos e técnicas de coleta. De acordo com o chefe do órgão, Jocy Brandão, com os dados existentes, estima-se que grande parte do patrimônio espeleológico permaneça desconhecido ou, ao menos, sem localização espacial precisa.
As cavidades naturais subterrâneas são consideradas bens da União e compõem o patrimônio espeleológico nacional. A Política Nacional do Meio Ambiente determina que estas sejam legalmente protegidas.
A maior representação de cavernas está nas unidades de Uso Sustentável, em detrimento das Unidades de Proteção Integral. As florestas nacionais abrigam a maioria dessas cavidades - 1.050 ao todo – em especial na Floresta Nacional de Carajás, que abrange a Serra dos Carajás, uma área de exploração mineral no qual grande parte das cavernas já foram prospectadas pela Vale.
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