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Apenas algumas horas após ser lançado na App Store, o jogo Phone Story, que satiriza a forma como os smartphone e outros gadgets são produzidos, foi removido da loja virtual pela Apple. A razão, segundo a empresa, seria a violação de algumas regras que os desenvolvedores de aplicativos devem seguir.
Criado pela organização italiana Molleindustria, o game conta o lado negro da indústria de aparelhos celulares através de quatro minijogos. Em cada fase os jogadores devem vencer desafios como obrigar trabalhadores do Congo a extraírem Coltan, um mineral usado na fabricação dos smartphones e que já foi alvo de muitas organizações internacionais que denunciaram abusos e indícios de trabalho escravo.
Em outra fase, os jogadores devem tentar impedir que trabalhadores chineses cometam suicídio em uma indústria – uma alusão ao caso da Foxconn, fornecedora da Apple que se tornou centro de uma polêmica mundial após 17 funcionários tirarem suas próprias vidas nas instalações das empresas. Vencendo essa etapa, os jogadores ainda precisam enfrentar consumidores compulsivos na porta das lojas e toneladas de lixo eletrônico resultantes de todo o processo.
“Phone Story é um jogo educacional sobre o lado negro do seu smartphone favorito”, diz o texto de apresentação do jogo. “Siga a viagem do seu telefone ao redor do mundo e combata as forças do mercado numa espiral planeada de obsolescência”. Apesar de ter sido banido da App Store, o jogo ainda está disponível para Androids.
De acordo com a Apple, o jogo foi retirado da loja virtual por violar quatro regras relativas à retratação de abuso infantil (código 15.2), possuir conteúdo violento (16.1) e promete doar uma parcela dos rendimentos à caridade (21.1 e 21.2). De acordo com a Molleindustria, 70% da verba da venda dos jogos são entregues aos criadores do programa, que se comprometeram a doá-la para organizações que lutam em causas retratadas no jogo.
Essa não é a primeira vez que a equipe italiana cria jogos virtuais polêmicos e de cunho social. Antes do Phone Story, a Molleindustria já havia desenvolvido games com temas como WikiLeaks, a pedofilia na igreja católica e até os barões do petróleo.
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