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Empresas reduzem uso da água na fabricação dos produtos
Postado em Empresa Sustentável em 22/03/2011 às 11h00
por Redação EcoD
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Fábrica da Suzano em Mucuri (BA). Indústria de papel e celulose tem diminuído o uso do recurso natural/Foto: Manu Dias/Agecom

A quantidade de água necessária para a produção de celulose diminuiu em mais de 50% desde a década de 1970. O gerente técnico da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), Afonso de Moura, citou o dado como um dos exemplos da preocupação do setor em reduzir o impacto ambiental da atividade, em entrevista à Agência Brasil.

Há pouco mais de 30 anos, era preciso utilizar cerca de 100 metros cúbicos (m³) de água por tonelada (t). Um processo que começa no cozimento da madeira e passa por diversas lavagens do produto até a finalização do papel. Atualmente, Moura conta que as indústrias usam em média 45 m³ (cada m³ equivale a mil litros), mas já existem empresas que conseguem chegar à marca de apenas 19 m³, gasto quatro vezes menos do que o registrado na década de 70.

Mas, além da preocupação ambiental, a redução no consumo representa ao mesmo tempo menos custos para as empresas. Moura lembrou que 1 m³ de água pesa 1 tonelada, que necessita de um grande dispêndio de energia para ser movida. “Quanto menos volume de água nós movimentarmos, menor é o impacto [energético] que estamos causando."

Por essa razão, a indústria tem investido em tecnologia e aprimoramento dos processos de produção. O técnico explicou que grande parte da economia de água se deve ao reaproveitamento do líquido ao longo da fabricação da celulose. “Antes a gente usava água em cada etapa de lavagem do processo.”

Agora, o líquido entra na linha de produção no sentido inverso da matéria-prima, de modo que a água pura possa lavar o produto com menos impurezas e ser utilizada de maneira mais eficiente ao longo do sistema. “Bota água limpa no produto limpo. A água um pouco mais suja você usa para lavar uma outra etapa que é também um pouco mais suja”.

O ganho em eficiência ocorre também no descarte dos efluentes. O técnico destacou que os líquidos são tratados de acordo com o grau de contaminação antes de serem lançados na natureza. Moura ressaltou que se há a mistura de efluentes “você precisa de uma estação [de tratamento] muito mais robusta. Porque é importante tratar o efluente menos contaminado como se fosse menos contaminado”. No modelo atual usam-se apenas pequenas estações.

Gestões sustentáveis

Mas utilizar melhor a água não é uma busca somente do setor de celulose, outras indústrias que também usam intensamente o líquido têm tentado melhorar os processos de produção. Entre elas está a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev).

A empresa afirma que entre 2002 e 2009 reduziu em 27% o consumo direto de água para a fabricação de seus produtos, entre os quais estão algumas das principais marcas de cerveja e refrigerantes do país. “Cada unidade fabril tem metas claras de ecoeficiência: reduzir o consumo de água, gastar menos energia, diminuir a emissão de poluentes, aumentar o índice de reciclagem dos resíduos”, garante a fabricante.

Outro bom exemplo vem da Suzano Papel e Celulose, que cumpre nas unidades industriais as normas nacionais e internacionais sobre tratamento de efluentes e controle ambiental. "Recuperamos todos os produtos químicos utilizados na fabricação de papel e celulose, que são reutilizados na produção. Os resíduos orgânicos são tratados por meio de processos biológicos para que a água utilizada nas fábricas retorne ao meio ambiente sem causar impacto", explica a empresa.

Água pode determinar localização de empresas

Para o professor da Universidade do Novo México (Estados Unidos), Raul Govêa, a água deverá ser no futuro um fator determinante para a localização das empresas. “A realocação dessas atividades para as regiões intensivas de água, para mim, faz muito sentido”, complementou.

O professor destacou que atualmente a maior parte do parque industrial está localizada na região Sudeste, que sofre um “forte estresse hídrico”. A região concentra 43% da população brasileira, mas apenas 6% da água doce disponível no país. No Norte estão localizados 68% dos recursos hídricos nacionais e apenas 5% da população.

Por isso, Raul acredita que haverá no futuro uma necessidade de deslocamento das atividades industriais no país. Para ele, um movimento semelhante também deverá ocorrer em nível internacional, com as empresas mudando os polos de produção para nações com maior disponibilidade hídrica. “Em algum momento, os países que têm água vão crescer a taxas maiores em relação aos que não têm.”

Em 2050, três quartos da população mundial sentirão os efeitos da falta de água, de acordo com o professor. Nesse contexto, Govêa lembrou que a posição do Brasil é privilegiada, com 12% da água doce de superfície e 30% da subterrâneas.

A exploração desses recursos tem de ocorrer, no entanto, seguindo normas que garantam a sustentabilidade dos empreendimentos. “Esse é o modelo de aceitação de investimento que a gente vai ter. E a penalidade vai ser muito alta se você em algum momento poluir esses rios”, alertou Govêa, referindo-se especialmente à região Norte.

“A região Norte precisa criar empregos de alto nível de renda para que essas pessoas não se sintam levadas a começar a se engajar em atividades que não sejam tão sustentáveis assim”, defendeu o especialista, ao participar da Conferência Internacional Wits 2011 – Água, Inovação, Tecnologia & Sustentabilidade, realizada na semana passada.



Tags: Água , Biodiversidade , Consumo Consciente , Economia e Política , Empresa Sustentável , Universidades
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Ver Comentários (1)  imprimir  indicar

Pouco Uso de Água na Indústria

Comentado por marcio cosendey em 22/03/2011 19:40

Excelente matéria,nosso processo Ecológico também utiliza muito pouca água!

Somos a PANO DIGITAL, uma Estamparia Têxtil Digital – Ecológica. Dotados de uma Tecnologia Limpa, utilizamos Corantes a base d’água com certificação Internacional OEKO-TEX ®.
Temos como novidade a utilização dos Tecidos Reciclados da EcoSimple. A junção dos nossos produtos resulta em TECIDOS 100% RECICLADOS IMPRESSOS POR TECNOLOGIA DIGITAL e são aplicados em:
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Todos esses Materiais, além de serem confeccionados em Bases de Algodão e Garrafas Pet 100% RECICLADOS - assista o vídeo pelo Link http://www.youtube.com/watch?v=FR1nvzTx2LE , serão Reciclados após suas utilizações nos fins a que se destinam.
A PANO DIGITAL mantém em sua fábrica uma moderna estação de tratamento de efluentes, proporcionando segurança e bem-estar a comunidade em que está inserida.
Vale destacar ainda que os resíduos industriais gerados pela empresa são reciclados em sua maioria, eliminando qualquer passivo ambiental.




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