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Educação ambiental para a preservação da água
Postado em Água em 20/03/2011 às 10h00
por Larissa Seixas, da Redação EcoD
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Durante a Mostra Cultural os alunos puderam mostrar o que aprenderam em sala/Fotos: Arquivo Pessoal

Em 1992, a ONU declarou a data 22 de março como o Dia Mundial da Água, e a cada ano o órgão promove um assunto relevante relacionado à principal fonte de vida da Terra. No ano de 2011, o assunto é "Água nas Cidades".

De acordo com dados a agência de água de São Paulo, a Sabesp, um brasileiro consome até 200 litros de água por dia - número muito superior aos 3,3 m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia) indicados pelas Nações Unidas.

Os brasileiros precisam de uma re-educação ambiental, e para começar a semana da Água, o EcoD conheceu a história da professora de ciências Débora Catarino como fonte inspiradora de incentivo à preservação.

Débora é professora de rede pública da cidade de São Paulo desde 2002, e em 2008 realizou um projeto piloto de educação ambiental para crianças da 5ª e 6ª séries, em parceria com a ONG Água e Cidade, pelo projeto Água na Escola. Com ele, os estudantes da escola municipal Paulo Duarte passaram a ter contato com assuntos como composição da água, a importância do ciclo, alerta para escassez, uso racional e, alternativas para economizar água.

A professora sabe da importância do seu trabalho na educação socioambiental de seus alunos pré-adolescentes – na faixa de 10 a 12 anos. São eles que vão tomar as melhores decisões para um mundo mais responsável quando começarem a escolher o que consumir, por exemplo. E como diz a professora, “educação ambiental é um trabalho de formiguinhas” que deve ser praticado diariamente. Não só apenas pelos professores, mas pelos pais, amigos, vizinhos e, por que não, pelos filhos.

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Os alunos também se envolveram na produção do projeto

EcoDesenvolvimento.org: Como você conheceu o trabalho da ONG Água e Cidade?

Débora Catarino: A ONG fez um convite para as escolas das regiões de atuação do Programa Córrego Limpo da Sabesp enviar um representante para participar do curso de formação, com duração de dois dias, para possível implementação de projetos. Fui escolhida pela direção da escola, já que eu me encaixava no perfil para desenvolver projetos com o tema água, por ser professora de Ciências e estar naquele momento trabalhando com as turmas alvo (5ª série/6ºano).

Como foi o processo para a implantação do projeto?

Primeiro eu participei do curso de formação oferecido pela ONG Água e Cidade, em maio de 2008, quando tive oportunidade de conhecer o programa Água na Escola e trocar experiências com profissionais de outras áreas. Durante o curso eu me apaixonei pelo projeto e as ideias para aplicação nas aulas foram surgindo.

A aplicação do material da ONG com os alunos começou a ser desenvolvida em agosto de 2008. No entanto, foi no ano de 2009 que consegui implantar o projeto de maneira mais abrangente, fazendo parceira com a professora de Língua Portuguesa e envolvendo toda a comunidade escolar durante a Mostra Cultural.

Qual o incentivo que você teve para realizar o trabalho?

Primeiro a seriedade e o respeito com a qual as pessoas da ONG Água e Cidade nos tratam, ao cumprir prazos de entrega, manter um site totalmente atualizado e sempre auxiliando nas dúvidas e necessidades – são verdadeiros parceiros. O fato dos alunos receberem o material de estudo e não precisarem devolver ajuda muito, porque acabam se apegando ao material e cuidando bem dele – a alegria com a qual as crianças recebem as revista é um incentivo e tanto para a continuidade do trabalho.

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Um dos jogos realizados com os alunos é o "Percurso da Economia"

Como as crianças reagiram às aulas?

Em 2008, eu trabalhei o tema Água utilizando as revistinhas, almanaques, apresentações de slides e vídeos oferecidos pelo pessoal da ONG. Já no ano seguinte, tive tempo de elaborar um projeto mais bem estruturado (Economize Brincando), onde o tema foi trabalhado ao longo do ano, uma vez por semana. Os alunos aguardavam com muita expectativa as aulas de quarta-feira e com enorme ansiedade a próxima revistinha. Adoravam fazer a leitura compartilhada onde todos queriam se colocar no lugar dos personagens. Todas as atividades propostas foram muito bem aceitas e tiveram uma grande participação.

Estou certa que a atitude dos alunos em relação à água mudou, pois fizemos a análise das contas e muitos considerados “gastões” vieram em outros momentos se justificar, contando que tinham chamado a atenção do irmão, mãe, pai e que vazamentos haviam sido consertados.

Você acha que esses alunos passaram a entender mais sobre educação ambiental?

A gente sabe que a educação ambiental é um trabalho lento e gradual, de “formiguinhas” como costumamos dizer, mas ele está acontecendo diariamente. Sabemos também que em educação ambiental um exemplo vale mais do que mil palavras e muitas vezes temos dificuldades no nosso trabalho porque nem sempre conseguimos a parceria da família. Mas temos uma escola limpa e isso é, certamente, fruto de um trabalho de educação ambiental.

O projeto Economize Brincando ainda está em prática?

Sim, embora em 2010 e 2011 a professora Sueli Nardini é que trabalha com as séries/anos alvo, o que não impede que o tema seja trabalhado por toda a escola.

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Desenho feito pela aluna Jenifer, da 5ª série

Você já realizou algum outro trabalho relacionado ao meio ambiente e a responsabilidade social com outros alunos?

Sim. Essas atividades fazem parte do currículo de Ciências e acontecem com frequência nas minhas aulas, mas percebo que quando elas vêm em forma de projeto são muito mais produtivas e significativas. Em 2003, eu trabalhei os princípios da Carta da Terra, onde cada aluno ilustrava da maneira que tinha compreendido o assunto discutido na aula. Ao final montamos painéis e uma árvore cheia de mãos (ao invés de folhas) com pedidos e desejos para promover uma cultura de paz.

Em 2004, fizemos parte do programa da Prefeitura de São Paulo “Pra viver de bem com os bichos”, com parceria do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). O projeto contempla os conceitos e as práticas que envolvem a posse responsável de animais de estimação. Foi um trabalho também desenvolvido ao longo do ano, com participação da comunidade em entrevistas e na Mostra Cultural onde os trabalhos finais foram expostos. Ganhamos até um concurso promovido pelo CCZ naquele ano.

E em 2005, em outra parceria com a professora de Língua Portuguesa, os alunos construíram jogos (dominó, trunfo, caça-palavras, carta enigmática, percurso, quebra-cabeças, memória) com o tema focado para o meio ambiente: Água, Ar, Energia, Reciclagem, Animais, etc.

O que te inspira e te dá vontade de realizar ações como estas com as crianças?

Minha inspiração vem da vontade de transformar através da educação. Vislumbrar um bom futuro pro país e individualmente para cada um dos meus alunos. Acredito de verdade no meu trabalho e nos meus princípios e também sei o tamanho da influência que tenho na vida dessas crianças – quero que essa influência seja positiva, produtiva e permanente.



Tags: Água , Educação
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Ver Comentários (10)  imprimir  indicar

educação ambiental

Comentado por ana maria leonardo em 20/03/2011 23:35

Como Coordenadora Pedagógica da EMEF Paulo Duarte gostaria de parabenizar a Profª Debora, e afirmar que o projeto foi abrangente porque envolveu professor comprometido e que acredita naquilo quefaz.

Educação Ambiental

Comentado por Solange Domingues em 21/03/2011 00:30

Com ou sem incentivos, com ou sem parcerias, a Profª Débora é uma pessoa muito comprometida com seu trabalho. Ela é organizada e objetiva ao planejar, desenvolver e concluir seus projetos. O resultado disso é o reconhecimento por parte dos alunos e daqueles que a admiram assim como eu.
Débora, parabéns é pouco!!! Precisamos de mais gente como você na Educação.

Educação Ambiental

Comentado por Nara Nemoto em 21/03/2011 09:32

Somente quem presenciou o desenvolvimento desse projeto pode ter a dimensão do comprometimento da Profª Débora com seu trabalho. Eu tenho orgulho de dizer que sou uma dessas felizardas.
Parabéns, Débora! Aprecio muito sua capacidade de superar obstáculos e sua dedicação!

Mudança do comportamento da sociedade

Comentado por Wilson Passeto em 21/03/2011 11:30

Um dos objetivos da Água e Cidade é aportar conhecimentos e facilidades para pessoas como a prof. Débora. Os cuidados com a água envolve educação, gestão e tecnologia. Débora cuida da educação de suas crianças que através da empatia, inclusão, trabalho em equipe e liderança torna seus alunos transformadores da sociedade. Água e Cidade desperta também o rigor que devemos ter com a gestão da água e de todos os demais itens necessários ao desenvolvimento sustentável: cumprir o combinado, cumprir prazos, combater todas as formas de desperdícios, a transparência do que fazemos e os resultados alcançados. Assim estaremos preparando a juventude para o uso das melhores práticas de gestão, tecnologias e inovações no processo de tornar as cidades sustentáveis.

Agua na Escola

Comentado por Adriana Penedo em 21/03/2011 15:51

Gostaria de parabenizar a professora Debora e toda a sua equipe escolar. Somente com profissionais que se preocupam com a Educaçao que podemos ter um futuro mais especial. ë com muito carinho que desejo o maior sucesso da sua escola e dos seus alunos.

Adriana

Educação na escola

Comentado por Sérgio Espada em 21/03/2011 20:34

É de mais professores assim que o Brasil precisa. Gente preocupada com o futuro do país, das criaças e da sociedade. Com certeza a Débora fez e está fazendo a diferença na vida dessas crianças e de suas famílias. Parabéns ao projeto, a escola, e a dedicação da Débora e dos outros profissionais envolvidos.

Agradecimentos

Comentado por Débora Espada Catarino em 22/03/2011 11:02

Agradeço mais uma vez a ONG Água e Cidade (Wilson Passeto) por auxiliar professores como eu através de cursos de formação tão bem estruturados, com envio de materiais de ótima qualidade, com formadores inspiradores (Adriana Penedo), com oportunidades como essa, de divulgar o que se faz na comunidade. Acredito que muitos outros professores possam fazer trabalhos tão bons ou até melhores, mas precisam de apoio e incentivo.
Agradeço a todos os professores da EMEF Paulo Duarte que direta ou indiretamente colaboraram e continuam colaborando para que minhas idéias se transformem em ideais, frisando que a parceria da minha colega de Língua Portuguesa Solange Domingues é sim, imprescindível para o sucesso do meu trabalho.
Agradeço ao portal Ecodesenvolvimento,a jornalista Larissa Seixas e a Noemia Frison pela seriedade e integridade com que tratam as pessoas e os assuntos ambientais, bem como a oportunidade de visibilidade.
Estou muito feliz!

Entrevista Portal Eco Desenvilvimento

Comentado por Sonia Regina Batista Galves em 22/03/2011 11:31

Débora
Parabéns pelo seu trabalho sério e pelo seu profissionalismo dedicado aos seus alunos com muita competência. Que você continue crescendo e alcançando cada vez mais sucesso em seus projetos...

educaçao ambiental para preservação da agua

Comentado por sandra fabris dos santos em 24/03/2011 00:50

Debora, fiquei muito feliz e orgulhosa em saber do seu engajamento nesse projeto. Acredito que voce teve que se dedicar muito e com certeza pode "contagiar" os seus alunos com sua dedicaçao e entusiasmo.Parabens! Espero que voce continue assim, sempre dedicada nessa ardua luta de educar..Bjs da tia Sandra e familia..

REFLEXÃO

Comentado por roosevelt s. fernandes em 24/03/2011 20:44

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO

Há quem diga que sim, há quem diga que não. Não faltam os que dizem não ter opinião formada. Isso é natural nas coisas ligadas a natureza. Não poderia ser diferente ao se tratar , por exemplo, dos temas Aquecimento Global (efeito) e Mudanças Climáticas (causas).
E é neste ponto que precisamos saber o que realmente pensa a sociedade de tudo isso e, neste sentido o NEPA fez uma pesquisa na Região da Grande Vitória (ES). Esta pesquisa evidenciou um aspecto preocupante; uma sociedade que se diz "conhecedora dos temas", mas ao ser perguntando sobre como eles agem, ficou insegura. Ou seja, uma sociedade que "diz saber" aquilo que, infelizmente, "não sabe explicar".
Obviamente isso não quer dizer (necessariamente) nada em relação a real posição da sociedade (pelo menos tendo em conta o grupo pesquisado), mas deixa claro a insegurança de não saber definir de que lado cada um está, ou seja, dos crentes ou dos incrédulos em relação ao Aquecimento Global e as Mudanças Climáticas.
E você, frente às conclusões dessa pesquisa, poderia dizer (com convicção) de que lado está? Entretanto, independente do lado que estiver, não deixe de adotar o princípio da precaução, ou seja, se não for verdade o que se fala, menos mal, mas se for não dá para deixar para depois a decisão que deveria estar sendo tomada agora. Não deixe que os outros decidam por você; o custo (se houver) será rateado por toda a sociedade, queiram ou não, crentes e descrentes.
Os dados disponíveis mostram que 2005 e 2010 foram os anos mais quentes da história desde que os registros passaram a ser feitos em 1880. A temperatura do planeta em 2010 foi a segunda mais quente já registrada (quase um grau acima da média do século XX). Diriam uns, coincidências; diriam outros, evidências de uma mudança de comportamento global do planeta.
Estudos mostram que a seca na Amazônia em 2010 foi ainda superior a observada em 2005, esta até então considerada a mais grave da região nos últimos 100 anos. Em 2005 a região afetada foi da ordem de 2 milhões de quilômetros quadrados; em 2010 a região foi de 3 milhões. Desde 1963 não se viu uma redução tão drástica nas vazões dos rios Negro e Amazonas.
A temporada de furações no Atlântico em 2010 foi intensamente ativa (19 tempestades e 12 furações). Coincidência; evidências?
Poderíamos citar outros eventos climáticos extremos – caso da incidência de chuvas – poderiam ser também relatados de modo a consolidar que, no mínimo, algo está mudando e, certamente, não para melhor, em relação aos padrões conhecidos de clima.
Diriam os incrédulos; está é a tática usada para induzir a sociedade a acreditar que algo está acontecendo com a natureza. O anúncio do fim do mundo levaria todos a acreditar em algo que não é verdade. Os crédulos diriam; se os fatos mostram mudanças, não seria mais do que oportuno – adotando o princípio da precaução – de iniciar um processo de minimização dos efeitos observados, ao invés de manter a luta de prós e contras que a sociedade se vê envolvida hoje?
A meu ver, independentemente de crentes ou descrentes, já está na hora de adotar (na plenitude) o princípio da precaução, uns de forma mais conservadora (descrentes) e outros ( crentes) uma forma mais pró ativa de comportamento.


Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
roosevelt@ebrnet.com.br
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