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Gui Brandão, ou o Dr. Cucuti, leva alegria para o trânsito paulista / Fotos: Acervo pessoal/Psicólogos do Trânsito
Enquanto enfrentava um momento de tristeza, o jovem Guilherme Brandão encontrou na internet um vídeo dos “Doutores da Alegria”. Na mesma hora ele sentiu que era aquilo que precisava fazer para dar um novo rumo à sua vida. Decidido a se tornar um clown e a levar sorrisos às pessoas que precisavam, Gui entrou em um curso de teatro e, junto com alguns amigos, fundou a ONG Psicólogos do Trânsito, cuja missão é humanizar as ruas de São Paulo e diminuir o estresse dos motoristas usando o bom humor e o nariz de palhaço.
Portal EcoDesenvolvimento.org: Por que o trânsito precisava (ou precisa) de psicólogos?
Gui Brandão: Na verdade não sabemos se precisa ou não. Muitas pessoas nos confundem com psicólogos, mas sempre deixamos bem claro que somos simples palhaços. Se me perguntar por que o trânsito precisava (ou precisa) de palhaços, eu diria simplesmente assim: “Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado...” (Charlie Chaplin)
Como tem sido as reações das pessoas?
As reações são das mais diversas, mas se colocarmos em números, posso afirmar que 90% das pessoas adoram. Mas confesso que o objetivo do projeto é os outros 10% que não expressam admiração ou aceitação, pois são essas pessoas que mais precisam rir, que mais precisam entender que não adianta continuar nessa vibração negativa, pois tudo tem sua hora e tudo passa! Está em uma maré ruim? Espere, pois logo virá a boa. A vida é assim. Não conseguimos ganhar sempre.

Gui se preparando para entrar em cena e já no "palco"
Já houve algum caso ou situação que marcou o grupo?
Sim, já teve vários casos em que ficamos emocionados e contentes, mas teve um que nos marcou bastante. Toda vez que um motorista buzina, nós gritamos: “AEEEEEEEEEEE”... Pois bem, teve uma vez que um motoqueiro passou e buzinou, mas nós não gritamos “AEEEEEEEE”, então ele não pensou duas vezes, fez o retorno, parou do nosso lado e disse; “Pô, eu buzinei e vocês não gritaram pra mim... por quê?”. Achamos a atitude dele tão bacana e verdadeira que começamos a rir e todos, ao mesmo tempo, demos um grande abraço nele! Isso nos marcou bastante.
Não deve ser fácil encarar uma legião de mal humorados, não é?
A vida é feita de escolhas, e quando você escolhe e faz simplesmente de coração, nada se torna difícil ou chato.
Como são feitos os números? Vocês ensaiam antes ou tem muito improviso?
Os números são elaborados em grupo. Nos reunimos em nossa sede, pesquisamos votamos nas melhores frases e ensaiamos. Feito isso, reunimos amigos e familiares para apresentar nossa ideia. Se eles rirem, nós levamos para a faixa de pedestres (risos)!
Mas quando levamos o número pela primeira vez para a faixa, damos alguns ajustes de acordo com o feedback dos motoristas. Improviso sempre tem, mas não são muitos.

Gui e a trupe do Psicólogos do Trânsito entram em ação todas as segundas e sextas, das 19h30 às 21h, no cruzamento da Rua Henrique Schaumann com a Rua Teodoro Sampaio
Vocês fazem isso de livre e espontânea vontade e sem fins lucrativos. Qual a recompensa para tanto esforço?
O sorriso das pessoas, as buzinas e aplausos. Não tem dinheiro que pague isso! Se as pessoas chegarem em suas casas, mais animadas, com alegria e menos estresse, brincar com seu filho, sua esposa, ou algo parecido, nosso objetivo foi conquistado. Nosso pagamento foi feito.
O que é o Instituto Móvel Psicólogos do Trânsito?
O Instituto Móvel Psicólogos do Trânsito é um projeto que temos fora da faixa de pedestre, onde levaremos (de graça) cursos profissionalizantes, para comunidades carentes, embaixo de uma tenda de circo. Ficaremos um determinado tempo em cada comunidade, com cursos de informática, de beleza, de RH e assim por diante. Assim, essas pessoas poderão se tornam profissionais e usar o que aprenderam em sua comunidade. Isso será possível com algum patrocínio, mas temos a certeza que essa hora chegará.
Qual a importância de humanizar o trânsito, especialmente nas grandes cidades?
Os números de mortes no trânsito superam os de muitas guerras. São 38 mil mortes em uma década! O trânsito mata mais que arma de fogo em São Paulo. Com esses números, podemos ver o quanto os motoristas precisam desse cuidado e atenção.

O sonho acabou? Calma! Tem pão doce!
Qual a maior lição que já tirou de toda essa experiência?
Minha maior lição foi que às vezes é preciso passar por dificuldades para poder entender o que a vida está tentando lhe mostrar. Aprendi que nas horas mais difíceis da vida, é que você fica mais humano e dá valor às coisas simples. Como, por exemplo, um sorriso!
Sua história foi inspirada em outra, a dos Doutores da Alegria. Você esperar um dia também ser uma inspiração para outras pessoas?
Ah, é difícil falar sobre isso, mas tenho certeza que me sentiria honrado!
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