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A moda e o artesanato juntos pelo desenvolvimento social
Postado em Empreendedorismo em 29/05/2011 às 10h00
por Larissa Seixas, da Redação EcoD
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maria teresa
A lâmpada da foto é coberta pelo bordado feito pela cooperativa/Foto: Marcos André Pinto

Há 30 anos, a estudante de sociologia Maria Teresa Leal resolveu realizar projetos sociais de arte e educação com crianças na Rocinha, mas não sabia que ali montaria um projeto de valorização cultural. A Coopa-Roca é talvez a cooperativa de bordado e artesanato mais bem sucedida do Brasil e foi pioneira no modelo que utiliza a mão de obra comunitária para produção de itens de moda.

Atualmente, as cerca de 100 mulheres da organização produzem peças para grifes nacionais e internacionais, e já participaram de semanas de moda de Rio de Janeiro, São Paulo, Londres e Tóquio.

Aos vinte e poucos anos, Teresa achou que se não fizesse algo pelo social naquele momento perderia a oportunidade e a vida te traria amarras. Mas foi assim, se envolvendo com mães bordadeiras da comunidade da Rocinha, que criou o seu trabalho e se envolveu por tanto tempo nessa empreitada. Conheça as ideias inspiradoras dessa mulher que ainda vê novas possibilidades de crescimento.

Portal EcoDesenvolvimento - O que te motivou a começar a se envolver com a comunidade?

Maria teresa - Foi em 1981, o que me motivou foram escritos de Paulo Freire. Na época eu já trabalhava com arte e educação e estava começando o meu curso de sociologia. Com Paulo Freire eu entendi que eu queria fazer um trabalho em uma comunidade do rio de janeiro e entendi que era a hora de começar.

Como surgiu essa ideia de trabalhar com as artesãs?

Quando eu cheguei na Rocinha em 1981, eu descobri que a maior parte da população é formada por migrantes nordestinos, mais especificamente de pessoas vindas do Ceará. Esse é um estado brasileiro que tem um potencial muito grande no que se refere à produção artesanal, principalmente a têxtil.

O meu primeiro trabalho lá foi uma oficina de reciclagem para crianças, porque na época eu dava aula de artes. Então, tentando diversificar o material de arte das classes eu cheguei a um representante de fábrica de tecido e ele me deu um mostruário de uma coleção anterior.

Quando eu levei para a Rocinha, as mães dos alunos falaram para eu não utilizar aquilo nas aulas, porque elas poderiam dar um fim mais útil ao material. Elas produziram tapetes, almofadas e cobertas na tentativa de buscar alternativas para melhorar suas condições de vida. Eu achei a ideia muito bacana e foi daí que começa a sementinha que gerou a Coopa-Roca.

artesas
Foto: Acervo pessoal

Como foi a transformação do projeto em cooperativa?

No início era um grupo de artesãs trabalhando juntas, mas não formalizar aquilo deixava o trabalho muito isolado. Para a gente buscar mais alternativas era preciso formalizar e constituir o grupo. A ideia era justamente criar uma autonomia para o grupo de mulheres e não ficar dependendo de terceiros.

Então discutimos as possibilidade de fazer uma cooperativa ou uma associação. Chegamos à conclusão que uma cooperativa era mais interessante já que a gente tinha como missão produzir e vender produtos, quando em uma associação isso ficaria um pouco mais complicado.

Como foi a criação da primeira coleção da Coopa-Roca?

O primeiro trabalho foi em 1982, quando elas produziam o que já sabiam fazer. Passo a passo a gente foi aprimorando o conhecimento e a qualidade e foi diversificando o produto. Mas foi em 1994 que a gente aproximou a Coopa-Roca do mundo da moda, quando a coorperativa começou a participar de desfiles.

Como foi esse processo de inserção no mercado da moda?

De fato, em 1994, tivemos muitas parcerias e visibilidade por parte dos jornalistas, mas sem ainda sistematizar a produção. Nós fomos conseguir gerar um fluxo de produção e tornar a cooperativa sustentável no ano 2000, quando começamos a fazer parcerias comerciais. Essas parcerias foram resultado da exposição "Retalhar".

A ideia da Retalhar era criar uma nova forma para a produção têxtil brasileira através da produção em conjunto com os artistas, designer e estilistas. Mas mais do que isso, o principal objetivo das três edições foi firmar parcerias comerciais para a cooperativa. E foi com isso que, desde 2000, a Coopa-Roca passou a ser autossustentável.

Através das parcerias comerciais, a gente tinha as ordens de produção, produzia em escala, entregava para os parceiros, que pagavam à cooperativa e se responsabilizavam pela comercialização dos produtos.

No site da Coopa-Roca é possível conhecer os trabalhos especiais realizados pela cooperativa e as oportunidades que surgiram de cada produção. Na exposição Retalhar, por exemplo, a Coopa Roca pode firmar parcerias comerciais coma marcas como Osklen, M. Officer, Miele, Ernesto Neto, Interni, Fernando Jaeger, entre outros.

Como está a produção da Coopa-Roca atualmente?

No ano passado, a Coopa-Roca deu mais um passo, que foi lançar o produto com etiqueta própria. A gente está dando uma virada no modelo de negócios e isso não é fácil para ninguém. Essa reestruturação tem demandado bastante trabalho e muita energia, mas estamos enfrentando os desafios das mudanças.

Como é montado o esquema de produção das cem artesãs?

O objetivo principal da Coopa-Roca é gerar oportunidade para elas trabalharem em casa, isso é uma demanda das mulheres, sabe? Estar perto dos filhos. Para que ao mesmo tempo em que elas melhoram seu poder aquisitivo, elas possam contribuir para o comércio local.

coopa-roca
Foto: Acervo pessoal

Como é poder fazer parte dessa iniciativa e ver o quanto ela ajuda no desenvolvimento da comunidade da Rocinha?

A Coopa-Roca foi pioneira nesse modelo de geração de trabalho e renda relacionando o potencial das comunidades com o setor da moda. A gente não só está fortalecendo o local, como está gerando uma nova visão, um novo modelo e instrumentos desse tipo de organização.

Óbvio que há pessoas que aplicam esse modelo com muitas distorções. Há algumas instituições que vêm trabalhando e tentando promover o desenvolvimento do trabalho do artesão, mas também tem muita coisa sendo feita na tentativa de ajudar que mais complica do que ajuda.

Quando a gente mexe com a produção artesanal, a gente mexe com tradições. No Brasil, a produção artesanal tem uma tradição cultural muito enraizada, como um artesanato mais folclórico, sem uma estética de venda. Por isso, ao mexer nessa produção artesanal é preciso ter cuidado para não alterar essa cultura em busca de espaço no mercado e banalizar a produção. É preciso ter atenção às condutas e modelos de interferência. Isso é muito delicado.



Tags: Empreendedorismo , Empresa Sustentável
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Ver Comentários (1)  imprimir  indicar

Contato com a COOPA-ROCA

Comentado por Priscila em 20/03/2012 14:33

O e-mail de contato da Associação, esta voltando, gostaria de um endereço para entrar em contato. Grata
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