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Um ano, 365 looks - e nenhuma roupa nova
Postado em Moda e Beleza em 24/07/2011 às 11h00
por Clara Corrêa, da Redação EcoD
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Todos os dias Jojo mostra seu look no blog Um Ano Sem Zara / Fotos: Divulgação

A publicitária Joana Moura, mais conhecida como Jojo, era uma consumidora compulsiva. Exatamente: era. Desde março deste ano ela não compra uma única blusinha sequer. O motivo? Um auto-desafio de ficar um ano sem comprar absolutamente nada para provar para si mesma e para quem mais quiser ver que é possível se vestir bem com o armário que tem e ser uma consumidora consciente sem abrir mão do estilo.

Portal EcoDesenvolvimento.org: Como surgiu a ideia do desafio?

Jojo: Surgiu da necessidade, do fato de que eu não sabia lidar com dinheiro, tinha uma relação com a minha vida financeira muito desequilibrada. Eu não sabia quanto dinheiro tinha na minha conta, quanto estava entrando, quando estava saindo. Então o desafio surgiu de uma vontade grande de reverter essa situação. A ideia era, em um ano, ter uma vida financeira mais saudável. E como eu sempre gostei de moda, o mais natural era parar de comprar roupa. Eu já tinha muita coisa e sabia que podia viver com aquilo.

Como tem sido as reações das pessoas quando ficam sabendo do desafio?

No início as reações eram muito céticas, as pessoas achavam que eu não iria conseguir, que em uma semana iria ceder aos impulsos e comprar alguma coisa. Mas com o tempo eles viram que era realmente sério, que eu queria mudar, e passaram a me dar força. É engraçado que as pessoas passaram a me monitorar. O legal é que as pessoas entram na onda também, então dão força, outras que abraçam o desafio para suas próprias vidas. E o louco nisso é que cada uma faz o seu tempo, então tem uma que diz que vai parar de comprar até pagar as contas, até terminar as parcelas do cartão, ou pelos próximos três meses.

Como tem sido resistir às tentações em época de liquidação?

Já são mais de 130 dias e hoje isso já não faz mais parte da minha vida. E isso é muito louco, porque antes isso fazia muito parte da minha rotina: ir ao shopping, olhar as roupas, saber exatamente quais lojas estavam em liquidação. Hoje eu até vou, mas criei mesmo um mecanismo que já não olho tanto. Por tantos anos fez parte da minha via esse habito de comprar roupas novas, e agora eu nem estou sabendo do que entrou ou o que não entrou, quanto estão as coisas, o que está rolando, sabe? Então eu não estou sofrendo porque já criei uma barreira.

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Seja para festa ou durante a viagem, nenhum dia passa despercebido

Como foi no início?

Foi bem mais difícil. Inclusive, quando eu comecei o desafio também estava em período de liquidação. E aí eu tive um choque muito grande. Você fica mesmo com uma sensação de abstinência. Você ainda usa aquilo como uma válvula de escape e seu cérebro ainda não entendeu que você não pode mais usar aquele mecanismo. Eu sentia muita falta de ir num shopping comprar alguma coisa e ainda não sabia direito como combinar as coisas de uma forma diferente. Então, no primeiro mês eu sofri muito mais. Agora minha rotina já mudou, quando eu estou de TPM eu não vou mais comprar, eu como um chocolate (risos), então já está bem mais fácil.

O que mais te motivou nessa etapa?

O desafio do blog. Se não fosse a missão de passar um tempo sem comprar tantas coisas e diminuir os custos, eu não teria conseguido. Eu queria desenvolver um mecanismo no qual eu pudesse me monitorar. Então, a partir do momento em que as pessoas começaram a entrar no blog, comentar e dar força, eu criei um senso de responsabilidade maior e a pensar, “poxa, agora eu já não estou fazendo isso só por mim”, eu já tinha um compromisso com as pessoas que entravam lá e não podia quebrar isso. Foi esse senso de responsabilidade que me fez, por vários momentos, pensar “não, eu não vou comprar isso”.

Que tipo de consumidora você era antes do blog?

Eu era uma consumidora homeopática (risos). Eu estava sendo indo e comprando uma coisinha. Não eram montantes absurdos, eu nunca cheguei num shopping e torrei meu dinheiro de uma só vez. Mas eu pegava só uma coisinha e pensava, “isso não vai fazer a menor diferença na minha conta”. Mais quanto juntava uma coisinha, mais outra coisinha, mais outra, aí faz uma grande diferença.

O que o desafio te trouxe de mais importante até agora?

Até agora, duas coisas foram muito boas para mim. A primeira é o contato com as pessoas que entram lá e ver que, às vezes, expor um problema seu pode ser uma coisa muito boa porque você vê que não está sozinho. E o problema que eu dividi era meio tabu, porque ninguém sai falando pra todo mundo que está toda endividada, que é uma consumista louca (risos). Eu acho que muita gente tem medo de dividir essas coisas, mas é importante pra entender que os outros vivem os mesmo dramas que você, passam pelos mesmos problemas. Isso tira um pouco o fardo de achar que só você é uma doida. Você vê que tem muita gente doida por aí, que precisa de ajuda e que você pode ajudar.

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No 100º dia sem compras teve até festa de comemoração

A segunda coisa que me mudou muito foi ter que exercitar a criatividade no dia-a-dia com os recursos que você tem. Porque é fácil repetir de uma maneira legal tendo recursos ilimitados e comprando roupa sempre. Mas quando você não tem e tem que viver, independente do seu armário ser grande ou pequeno, se torna muito mais estimulante, você trabalha mais sua criatividade, acorda já pensando em fazer coisas diferentes.

“Hoje eu sinto que me visto melhor do que antes, quando eu tinha possibilidade de comprar coisas novas sempre.”

Mas você já tinha muita roupa, acha que quem não tem tanta roupa também pode se vestir bem se gastar tanto?

O legal disso tudo é que, mesmo tendo passado anos levando uma vida financeira complicada, eu acho que fiz ao menos uma coisa certa, que foi fazer escolhas inteligentes na hora de montar meu guarda-roupa. Então ele está conseguindo cumprir o desafio numa boa. Por isso, acho que mais do que a ideia de não comprar, é ter um consumo inteligente. É, na hora de ir numa loja, pensar um pouco mais e não comprar por impulso. Imaginem quanto aquela roupa pode render, quanto que ela é eclética, quanto combina com as coisas que você já tem, se tem uma qualidade que vai fazer com que ela dure e tomar os cuidados para que isso aconteça.

Quais seria essas escolhas inteligentes na hora de montar um guarda-roupa?

Acho que a primeira coisa é se conhecer. Saber como você é e ter uma imagem muito clara dos seus atributos, o que fica e o que não fica legal. Olhar para as coisas que você já tem, fazer uma limpa no armário, organizar, saber o que tem lá dentro. E quando chegar numa loja, pensar justamente “com o que eu vou usar isso?”. Se questionar, porque às vezes você compra uma coisa linda que vai usar uma vez e nunca mais. Ter cuidado com as promoções, porque elas podem ser muito boas se você conseguir comprar uma coisa que vai usar pra caramba.

Lembrem que o custo-benefício de uma roupa é o preço dela dividido pela quantidade de vezes que você vai usar. Então se você comprou uma blusa que custou R$ 50,00 e você usou ela 50 vezes, então o custo de cada uso foi de R$ 1,00. Mas se ela custou R$ 20,00 e você só usou uma vez, então o custo foi de R$ 20,00. Então se for entrar em uma liquidação, vá com um olhar muito crítico sobre o que você vai comprar lá.

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Mesma peça, vários looks. Criatividade é o mais importante

Quais dicas você daria para quem quer resistir às tentações?

Acho que a primeira coisa é olhar para o que você tem e de uma forma diferente. É abrir o armário, saber o que tem lá dentro, dar uma organizada, olhar aquela blusa que você sempre usou do mesmo jeito e tentar usar de uma forma diferente. Para as pessoas que estão montando um armário, vale lembrar que liquidação é uma época muito traiçoeira, você acaba comprando umas coisas só porque estão baratas. Então, acho que valem não só as dicas de segurar no consumo, mas também as de consumir de forma inteligente. Pensar no que ainda vai servir nas próximas estações, se vai combinar com as coisas que você já tem no armário, enfim, fazer escolhas inteligentes.

Você acha que depois desse um ano, você vai ser a mesma consumidora que era antes?

Com certeza não. Eu vejo que já não sou mais. Eu já sinto a diferença em outras áreas da minha vida e o custo-benefício em outras coisas também. Eu já não tenho necessidade disso, do impulso, de comprar para me sentir bem. Então, com certeza eu vou voltar uma consumidora muito mais crítica, exigente, e acho isso muito bom.


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Tags: Moda e Beleza
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