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TED Shirin Neshat: Arte no exílio
Postado em Cultura em 13/07/2011 às 17h00
por Redação EcoD
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Nesta palestra do TED Women, dedicado somente às mulheres, a artista iraniana Shirin Neshat fala sobre o paradoxo de ser uma artista exilada: uma voz para seu povo, mas impedida de voltar pra casa. Em seu trabalho, ela explora o Irã antes e depois da Revolução Islâmica, traçando mudanças políticas e sociais através de fortes imagens de mulheres.

Segundo Shirin, a sua situação tem fatores bons e outros ruins. Se de um lado é preciso enfrentar a censura, assédio, prisão, tortura e, algumas vezes, até execução, além da dor da vida no exílio, do outro lado, existe a chance de ser porta voz do seu povo, de defender a cultura iraniana no Ocidente e lutar por um governo mais justo e democrático para o seu povo. Esse poder tornou os artistas referências para a cultura, a política, o discurso social no Irã e, ao mesmo tempo, em uma espécie de ameaça ao governo, colocando-os em risco.

“Estamos lá pra inspirar, para provocar, para mobilizar, para trazer esperança para nossa gente. Somos os repórteres de nossa gente, e somos os comunicadores para o mundo exterior. A arte é a nossa arma. A cultura é nossa forma de resistência”, diz Shirin.

Ela conta sobre a sua jornada como artista, que foi transformada depois da Revolução Islâmica de 1979. Nesse momento, a artista começou a estudar as mulheres iranianas e a maneira como elas personificaram as transformações políticas e ideológicas sofridas pelo país.

Shirin fala ainda sobre seu último trabalho, um filme chamado "Mulheres sem Homens", baseado no livro da escritora iraniana Shahrnush Parsipur, e que retrata o Irã em 1953, quando a CIA americana deu um golpe e removeu um líder eleito democraticamente, Dr. Mossadegh.

O longa conta a história de quatro mulheres que estão procurando por uma ideia de mudança, liberdade e democracia, “enquanto o Irã, igualmente, como se fosse outro personagem, também lutasse por uma ideia de liberdade, democracia e independência das intervenções estrangeiras”, conta.

“Eu fiz este filme porque julguei importante que fosse contada aos ocidentais nossa história como país. Que todos vocês parecem lembrar do Irã depois da Revolução Islâmica. Que o Irã foi um dia uma sociedade secular, e tínhamos uma democracia, e essa democracia foi roubada de nós pelo governo americano, pelo governo britânico. Esse filme também fala para o povo do Irã pedindo a eles para voltar à sua história e olhar para si mesmos antes de se tornarem tão islamizados - como era a nossa aparência, como ouvíamos música, como tínhamos uma vida intelectual, e, acima de tudo, como lutamos pela democracia.”

O filme foi retratado na mesma época em que o Movimento Verde ganhou força no país, sendo considerado um grito pela democracia e justiça social que se espalhou para outros países árabes e inspirou revoluções políticas e sociais na região.

“O movimento verde inspirou o mundo de forma significativa. Trouxe muita atenção a todos aqueles iranianos que lutam por direitos humanos básicos e por democracia. O que foi mais significante pra mim foi, novamente, a presença das mulheres. Elas são absolutamente inspiradoras pra mim. Se na Revolução Islâmica as imagens das mulheres retratadas eram submissas e não tinham voz, agora vimos uma nova ideia de feminismo nas ruas de Teerã - mulheres que foram educadas, pensamento moderno, não tradicional, sexualmente abertas, corajosas e seriamente feministas.”

Foi esse novo perfil feminino que inspirou a artista, que viu nas mulheres iraniana a força para confrontar as autoridades, quebrar as regras e provar seu valor. “Eu estou aqui pra dizer que as mulheres iranianas acharam uma nova voz, e a voz delas está me dando minha voz. E é uma grande honra ser uma mulher iraniana e uma artista iraniana, mesmo se eu tiver que operar no Ocidente por agora”.

Assista à palestra na íntegra (para ver com legenda em português, selecione a opção ao lado do play):



Tags: Cultura , EcoD TV , Economia e Política , Responsabilidade Social , TED
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