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Nesta palestra do TED Women, dedicado somente às mulheres, a artista iraniana Shirin Neshat fala sobre o paradoxo de ser uma artista exilada: uma voz para seu povo, mas impedida de voltar pra casa. Em seu trabalho, ela explora o Irã antes e depois da Revolução Islâmica, traçando mudanças políticas e sociais através de fortes imagens de mulheres.
Segundo Shirin, a sua situação tem fatores bons e outros ruins. Se de um lado é preciso enfrentar a censura, assédio, prisão, tortura e, algumas vezes, até execução, além da dor da vida no exílio, do outro lado, existe a chance de ser porta voz do seu povo, de defender a cultura iraniana no Ocidente e lutar por um governo mais justo e democrático para o seu povo. Esse poder tornou os artistas referências para a cultura, a política, o discurso social no Irã e, ao mesmo tempo, em uma espécie de ameaça ao governo, colocando-os em risco.
“Estamos lá pra inspirar, para provocar, para mobilizar, para trazer esperança para nossa gente. Somos os repórteres de nossa gente, e somos os comunicadores para o mundo exterior. A arte é a nossa arma. A cultura é nossa forma de resistência”, diz Shirin.
Ela conta sobre a sua jornada como artista, que foi transformada depois da Revolução Islâmica de 1979. Nesse momento, a artista começou a estudar as mulheres iranianas e a maneira como elas personificaram as transformações políticas e ideológicas sofridas pelo país.
Shirin fala ainda sobre seu último trabalho, um filme chamado "Mulheres sem Homens", baseado no livro da escritora iraniana Shahrnush Parsipur, e que retrata o Irã em 1953, quando a CIA americana deu um golpe e removeu um líder eleito democraticamente, Dr. Mossadegh.
O longa conta a história de quatro mulheres que estão procurando por uma ideia de mudança, liberdade e democracia, “enquanto o Irã, igualmente, como se fosse outro personagem, também lutasse por uma ideia de liberdade, democracia e independência das intervenções estrangeiras”, conta.
O filme foi retratado na mesma época em que o Movimento Verde ganhou força no país, sendo considerado um grito pela democracia e justiça social que se espalhou para outros países árabes e inspirou revoluções políticas e sociais na região.
Foi esse novo perfil feminino que inspirou a artista, que viu nas mulheres iraniana a força para confrontar as autoridades, quebrar as regras e provar seu valor. “Eu estou aqui pra dizer que as mulheres iranianas acharam uma nova voz, e a voz delas está me dando minha voz. E é uma grande honra ser uma mulher iraniana e uma artista iraniana, mesmo se eu tiver que operar no Ocidente por agora”.
Assista à palestra na íntegra (para ver com legenda em português, selecione a opção ao lado do play):
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