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O livro Revolução dos Bichos incentivou Robson/ Foto: Green Mobility
O ex-morador de rua Robson Mendonça, 60 anos, gaúcho de Alegrete, perdeu a mulher e dois filhos em um acidente. Esta foi uma das causas que o levou para as ruas, onde permaneceu por seis anos, até 2003.
Mas foi por gostar de ler e não poder pegar livros emprestados nas bibliotecas públicas que Mendonça alimentou um sonho. O de melhorar de vida e criar uma biblioteca itinerante para as pessoas que moram na rua. O livro Revolução dos Bichos, de George Orwell (1903-1950), foi a inspiração para a criação da Bicicloteca.
Porta EcoDesenvolvimento.org: Como surgiu a ideia da Bicicloteca?
Robson Mendonça: Quando era morador de rua, eu tinha vontade de ler livros e buscava bibliotecas. Geralmente, eu sentava na mesa e as pessoas se levantavam, pelo fato de estar ao lado de um sem teto. Queria levar os livros, mas não podia, era necessário comprovante de residência e eu não tinha - morador de rua não tem comprovante de residência! Então pensei em criar uma biblioteca onde poderia levar livros a toda população. Fiz o projeto pra criar a biblioteca itinerante e tive o apoio da Mobilidade Verde.
Qual o objetivo da iniciativa?
A intenção é facilitar o acesso à leitura. Já conseguimos emprestar mais de três mil livros. Sinto a necessidade de levar conhecimento àqueles que não têm facilidade. Como eu não tinha este acesso quando era morador de rua, sei que muitos outros também não tem. Por isso, ofereço esta oportunidade.

Para Robson, a leitura é uma maneira de inclusão social/Foto: Green Mobility
Qual a expansão do projeto?
A questão da acessibilidade é importante porque dá a possibilidade da circulação dos livros. Não basta só pegar o livro pra ler e ter que devolver em imediato. Às vezes as pessoas não têm tempo hábil pra estar lendo no exato momento, por isso que, além da Bicicloteca, criamos o Bibliotáxi, que são táxis que colocam livros à disposição dos seus clientes. Em um futuro próximo, implantaremos a iniciativa nos metrôs.
Por que escolheu os livros?
Acredito que a leitura é uma maneira de inclusão total. Não só para o mercado de trabalho, mas nos dá a possibilidade de viajar sem sairmos do lugar. Eu era um semi-analfabeto e consegui, por meio da leitura, adquirir conhecimentos, além de dirigir um movimento de rua. Algumas coisas são necessárias e só conseguimos através da leitura.

Em breve o movimento será incorporado nos metrôs/Foto: Green Mobility
Qual foi sua inspiração para desenvolver o projeto?
Uma vez li um livro que me chamou atenção: Revolução dos Bichos. Gostei muito e foi o que me incentivou em todo o processo. Lendo esta obra percebi muitas coisas erradas em nosso país. Precisamos realmente adquirir cultura pra poder sair desse caos em que vivemos. Essa análise facilitou o meu trabalho na questão da inclusão.
O que é mais gratificante em todo processo?
O mais gratificante é, por exemplo, quando eu estava fazendo uma matéria para um jornal, na Praça da Sé, localizada na capital paulista, e ia passando um rapaz com uma garrafa de cachaça. Quando ele viu a Bicicloteca, disse: “Olha, eu ia tomar uma garrafa de cachaça, mas agora que vocês chegaram eu não vou beber, prefiro ler”, e pegou um livro. Quando as pessoas, sobretudo os moradores de rua, pedem um livro, é muito gratificante.
Qual o seu sonho?
Meu sonho agora é colocar em prática o meu projeto da cooperativa de pequena mão de obra. A intenção é conseguir a parceria de alguma empresa para que nos forneça estrutura para qualificarmos técnicos em eletricista, pedreiro e carpinteiro. Assim, quando alguém necessitar de um serviço, nos contacta e disponibilizaremos esses profissionais. É mais uma forma de inclusão no mercado de trabalho.
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