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“Depois de vários anos trabalhando em comércio e economia, quatro anos trás, eu me encontrei trabalhando na linha de frente da vulnerabilidade humana. E eu me encontrei nos lugares em que pessoas estão lutando todos os dias para sobreviver e não conseguem nem mesmo obter uma refeição.” É assim que a diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Josette Sheeran, inicia sua palestra no TED Global 2011.
Segundo Josette, uma em cada sete pessoas no mundo ainda acorda todos os dias sem saber se conseguirá comer. E existem inúmeras razões pelas quais devemos nos preocupar, alerta. Seja por compaixão ou por preocupação com paz, segurança e estabilidade mundial, Josette argumenta que a fome não é algo negociável.
O mais revoltante, diz, é que não estamos tratando de um problema que não sabemos como resolver. “Nós sabemos como solucionar a fome. Há 100 anos, não sabíamos. Nós efetivamente temos a tecnologia e os sistemas. Isso está fora de lugar. De fato, o que sabemos atualmente é que a cada 10 segundos perdemos uma criança para a fome. É mais do que HIV/AIDS, malária e tuberculose combinadas. E nós sabemos que a questão não é simplesmente produção de comida”, alerta.
Josette apresenta os resultados de uma pesquisa que comprova que se uma criança não recebe a nutrição adequada até os dois primeiros anos de vida, seu cérebro e corpo serão atrofiados permanentemente. Além dos danos físicos, essa atrofia causará severos danos econômicos, alerta a diretora do PMA. “Os potenciais ganhos salariais dessas crianças são cortados pela metade ao longo de suas vidas devido à atrofia que acontece nos primeiros anos de vida”, diz.
Para resolver o problema, Josette mostra alguns dos projetos que já estão sendo postos em prática pela ONU e por diversos países e organizações em diversas partes do planeta. Um deles trata de uma mistura feita com grão de bico, leite em pó e uma variedade de vitaminas, que equivale exatamente ao que o cérebro precisa e foi desenvolvido por tecnólogos de alimentos na Índia e no Paquistão.
Cada pacote custa apenas 17 centavos e está acabando com o problema da desnutrição em 99% das crianças que estão recebendo a mistura. “Então, estou convencida de que se pudermos liberar as tecnologias que são triviais nos países desenvolvidos para podermos transformar alimentos, e isso é à prova de clima, não precisa ser refrigerado, não precisa de água, que geralmente falta , e esse tipo de tecnologia, eu entendo que tem o potencial de transformar a face da fome e da nutrição, desnutrição nas linhas de frente”, defende.
Por fim, Josette faz um desafio a todos. “Acredito que estamos vivendo uma época na história da humanidade em que é simplesmente inaceitável que crianças acordem e não saibam onde achar uma caneca de comida. Não apenas isso, transformar a fome é uma oportunidade, mas penso que devemos mudar nossas mentalidades. eu gostaria que vocês juntassem-se a toda a humanidade para desenhar uma linha na areia e dizer ‘Não mais. Não mais aceitaremos isso’”.
Assista à palestra na íntegra (para ver com legenda em português, selecione a opção ao lado do play):
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