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Um estudo publicado na edição desta sexta-feira, 30 de abril, da revista Science, aponta que a meta da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) estabelecida pela ONU em 2002, que prevê a redução significativa de extinção das espécies até 2010 deixa de ser cumprida.
Embora alguns países como o Brasil tenham tentado alcançá-la, o esforço internacional segue bem abaixo do necessário para frear o extermínio da biodiversidade mundial. Pior: além de não diminuir, o ritmo da perda aumentou de 2002 para cá. Antes, eram 11 mil espécies ameaçadas de extinção, agora, são 17 mil.
"Há muitos exemplos de boas iniciativas, mas, ao mesmo tempo que cresceram os esforços de conservação, cresceram as pressões sobre os ecossistemas de uma forma geral. No fim das contas, uma coisa não foi suficiente para compensar a outra", afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo Valerie Kapos, pesquisadora da Universidade de Cambridge e conselheira do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Pnuma), que assina o estudo com outros 44 especialistas.
Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), este é apenas um entre dezenas de indicadores avaliados no estudo, uma vez que o número real de espécies ameaçadas ou extintas é impossível de ser calculado, já que apenas uma parte ínfima das espécies do planeta é de fato conhecida e monitorada pela ciência.
O órgão ressalta que à medida que os ecossistemas são destruídos ou alterados, porém, é possível estimar tendências de conservação ou extinção. "A biodiversidade é uma coisa tão complexa que é quase impossível calcular todas as suas dimensões. "O que fizemos foi pegar todos os indicadores disponíveis e costurá-los numa peça só", explicou Valerie.
Contrapontos
De acordo com o estudo, entre os pontos positivos registrados nos últimos oito anos estão a criação de áreas protegidas, o aumento da área de florestas certificadas e dos investimentos em conservação da biodiversidade.
No entanto, ainda pesam os impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas, da pesca predatória, da disseminação de espécies invasoras, do desmatamento e do consumo de recursos naturais (como água e solo) por uma população global cada vez maior e mais consumista.
"Nossos resultados mostram que, apesar de alguns resultados encorajadores, os esforços para reduzir a perda de biodiversidade precisam ser substancialmente fortalecidos", concluem os pesquisadores.
Brasil
No contexto do estudo, o Brasil é citado como um bom exemplo, principalmente pela criação de áreas protegidas e redução do desmatamento na Amazônia. "Comparado a outros países, o Brasil fez bastante coisa", destacou a bióloga Monica Peres, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Todavia, ela ponderou que os esforços aqui no país estão aquém do necessário.
O biólogo Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), deu "nota 7" para a atuação do Brasil junto à CDB. "O país faz um papel dualista. Ao mesmo tempo que cria unidades de conservação, sucumbe a pressões para mudar o Código Florestal e prorroga prazos para a recuperação de áreas degradadas. Precisamos sair desse conflito", alertou o também coordenador do programa Biota/Fapesp.
A ONU escolheu 2010 para ser o Ano Internacional da Biodiversidade.
Foto: F.Pamplona
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