
Denis Sena começou reciclando e hoje grafita a cultura brasileira
Quem olha para o rosto jovem do artista plástico Denis Sena, não imagina sua história de vida. Sempre rodeado pela arte de rua, o baiano, crescido no bairro do Cabula, já produzia muito com o que era oferecido pela cidade desde pequeno. “Antes eu já desenhava, pintava telas, produzia esculturas e instalações com material reciclado” fala Denis, que não sabia que tais atitudes resultariam em tantas conquistas.
Hoje como um operário cultural, como se denomina, é um dos nomes de destaque do grafite baiano com mostras no Japão e grandes exposições no currículo. Tudo isso começou em 1996, quando ele fez seu primeiro grafite na Escola de Belas Artes de Salvador, a partir daí, Denis começou sua trajetória nas artes plásticas. Em 2000 tornou-se professor de uma ONG, onde ensina grafite para crianças e adolescentes.
Tal atitude voluntariosa trouxe muitos frutos para Denis; com seu destaque como educador ele pôde participar de mais exposições. Para Denis Sena são essas atitudes que ajudam na construção de uma carreira. “Além do talento o artista deve plantar o seu sucesso, deve fazer por merecer, correr atrás” comenta. E ele correu atrás mesmo.
Além do trabalho nos finais de semana, ele ensina em outra ONG às quartas feiras. Acompanha o aprendizado das crianças de perto e sabe que possui ali uma função maior do que a de um educador, mas também de pai, conselheiro. Para ele o grafite é a “a cultura é a arte da transformação, talvez esse lema tenha vindo do contato com a periferia e por saber que essa é uma válvula de escape para quem tem o crime e outras possibilidades ruins como vizinhos.
E quando o assunto é a não aceitação do grafite por algumas pessoas, ele é rápido “Não me preocupo com o preconceito, a minha arte fala mais alto”. E falou mais alto, realmente. Foi com o desenho de um cangaceiro em solo americano, que Denis conseguiu levar sua arte para os Estados Unidos. “Eu levei não só a minha arte, mas a cultura do meu país, do meu estado e é esse o diferencial” comentou o artista, mostrando a importância de não apenas reproduzir as influências, mas de mostrar a identidade através da arte de rua. Para ele não foi difícil se adaptar ao país que é o berço do Hip-Hop, afinal “a arte é universal” e completa dizendo que essa estada trouxe muitos frutos.
Quando o assunto é o futuro, Denis pensa um pouco antes de responder. Logo fala que não pensa muito no que estará fazendo daqui a dez ou vinte anos, para ele o futuro é agora e quanto mais produzir será melhor. O exemplo citado para responder essa questão foi o recifense Chico Science, que marcou uma geração, produziu um novo ritmo musical, mas morreu cedo. “Quero sempre produzir, evoluir cada vez mais sem pensar muito no futuro, no que eu vou fazer” termina. Uma coisa é certa: Denis estará fazendo arte.
Confira outras histórias que inspiram: