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Na maior cidade do país, os ciclistas dividem a pista com os carros, por falta de ciclovias/Foto: anabananasplit
Utilizar a bicicleta como forma de transporte é uma prática benéfica à saúde e ao meio ambiente. Sobre as duas rodas da bike, o condutor pratica um exercício físico e deixa de emitir gases causadores do efeito estufa na atmosfera, ao contrário dos automóveis. No entanto, na cidade de São Paulo, essa atividade saudável tem sido um verdadeiro risco de vida, isso porque a cada cinco dias, morre um ciclista devido a acidentes no trânsito.
O balanço divulgado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) revelou que 55 pessoas morreram ao pedalar pelas ruas da maior capital do Brasil, no período de janeiro a outubro de 2008. Segundo o órgão municipal, 83 ciclistas morreram em 2007 e outros 84 perderam a vida em 2006. A Secretaria Municipal do Verde pretende distribuir cartilhas didáticas a motoristas de ônibus, com o objetivo de diminuir as colisões. Atualmente, a cidade conta com 14,8 quilômetros de ciclovias.
Outra pesquisa recente, dessa vez realizada pelo Metrô de São Paulo na região metropolitana, mostrou que são feitas cerca de 300 mil viagens de bicicletas por dia, das quais 71% são realizadas por motivo de trabalho. Na tentativa de ampliar o espaço para os ciclistas, a Secretaria Municipal do Verde trabalha na construção de 13,2 quilômetros de ciclovia, além dos 6 quilômetros de ampliação da Radial Leste.

Em La Coruña, na Espanha, a placa de sinalização eletrônica estimula o uso de bicicletas/Foto: birnarem
“A dificuldade para a construção de ciclovias decorre da cultura de que o carro é bom para a cidade. Temos uma cultura disseminada que o uso da bicicleta em São Paulo era impossível. Os estudos são complexos e só começaram em 2006”, explicou Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde.
Na quarta-feira, 14 de janeiro, Márcia Regina de Andrade Prado, 40 anos, ciclista e ativista pelo uso de bicicletas morreu na Avenida Paulista, depois de ter sido atropelada por um ônibus. Além de pedalar em grupo, ela escrevia em listas de discussão sobre o tema em sites de relacionamento pela internet.
“A ausência de ciclovias é a principal causa para os acidentes. Acredito que a progressão do uso das bicicletas e dos acidentes será cada vez maior”, ressaltou Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor do Departamento de Medicina Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet). De acordo com a Abraciclo (entidade do setor) foram produzidas 6 milhões de bicicletas no Brasil, em 2008, metade delas destinada ao transporte para o trabalho ou escola. O Metrô criou pontos de aluguel de bicicleta e bicicletários em oito estações.
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