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Tim Brown acredita que os designers devem se voltar para coisas mais úteis e impactantes e se prender menos a “coisas menores” /Fotos: Divulgação
Após criar produtos que, apesar de bonitos, ficavam obsoletos em pouco tempo, o designer Tim Brown percebeu que o que fazia não era tão importante. "Focando apenas no design, talvez apenas de um único produto, eu estava sendo incremental e não estava criando muito impacto.”
Para Tim, o "design pequeno", como uma ferramenta de consumismo, é algo relativamente recente e capaz de criar produtos divertidos, desejáveis, mas não muito importante. Por isso, ele sugere que o design seja feito com menos foco no objeto e mais na metodologia de design como uma abordagem, causando impactos maiores.
"A metodologia de design começa com o que Roger Martin, o professor de negócios na Universidade de Toronto, chama de pensamento integrador. Que é a habilidade de explorar ideias opostas e restrições opostas para criar novas soluções. No caso do design isso significa equilibrar a desejabilidade, o que humanos necessitam, com viabilidade técnica e econômica."
Para Brown, o amadurecimento da sociedade industrial profissionalizou o design e mudou o foco do seu trabalho para coisas cada vez menores e menos importantes. "Mas acho que o design está crescendo novamente", acredita. "Isso está acontecendo através da aplicação da metodologia do design a novos tipos de problema - do aquecimento global à educação, saúde, segurança, água limpa, qualquer coisa", defende.

A aplicação da metodologia do design vem ajudando a solucionar problemas de diversas áreas, desde o aquecimento global até o fornecimento de água potável
Novas soluções para novos problemas
Para utilizar da melhor forma essa metodologia e driblar os problemas que naturalmente aparecem com ela, Brown passa para a platéia algumas ideias básicas que ele acredita serem úteis nesses casos. “A primeira é que o design é centrado no ser humano", alerta. Mais do que tornar a vida mais fácil e prazerosa colocando botões nos lugares certos, o design deve compreender culturas e contextos antes mesmo de começar a ter ideias. O segundo ponto, segundo Brown, é a capacidade de aprender criando. "Em vez de pensar sobre o que construir, construir para pensar."
Outra ideia defendida por Brown é descentralizar o processo de criação. "Eu acho que o design de sistemas participativos, em que muitas outras formas de valor além do dinheiro são criadas e medidas, será um tema importante, não apenas para o design, mas também para a economia, conforme avançamos." Com isso, ele conclui que o design tem seu maior impacto quando é retirado da mão de designers e colocado nas mãos de todos.
"Estamos no meio de grandes mudanças e essas mudanças estão nos forçando a questionar vários aspectos fundamentais da nossa sociedade. E nesses tempos nós precisamos destas novas escolhas porque as soluções existentes são simplesmente obsoletas. Então, por que a metodologia de design? Porque nos fornece uma nova maneira de lidar com problemas. Em vez de utilizar a nossa abordagem tradicional de ideias convergentes, quando optamos pela melhor escolha entre as alternativas disponíveis, a metodologia nos incentiva a adotar uma abordagem divergente, a explorar novas alternativas, novas soluções, novas ideias que não existiam antes”, diz Tim.

Para Tim, a primeira coisa a ser feita é se perguntar: "o que estamos tentando responder?"
O primeiro passo rumo a essa nova forma de se fazer design é se perguntar "o que estamos tentando responder?". Tim e sua equipe dão o exemplo ao tentar responder a uma questão levantada pela Fundação Bill e Melinda Gates: "Como podemos prover acesso a água potável para as populações mais pobres do mundo e, ao mesmo tempo, estimular a inovação entre os provedores locais de água?".
Brown fecha a palestra lembrando como focar o trabalho nos seres humanos, utilizar protótipos e possibilitar o acesso da comunidade no processo de construção dos produtos podem ser ferramentas utilizadas pelos profissionais para resolver questões maiores e mais interessantes.
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