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"Minha convicção é que a criatividade hoje é tão importante na educação como a alfabetização e deve ser tratada com a mesma importância"
Poucas coisas são tão marcantes na infância quanto a capacidade criativa inerente a toda criança. É essa qualidade que faz com que inovações e talentos sejam revelados, impulsionando novas descobertas e criando soluções para os problemas que encontramos. De forma divertida e profunda, Ken Robinson defende essa criatividade e analisa a forma como o sistema educacional atual tem ajudado a enfraquecer a capacidade inventiva com a qual todos nós nascemos.
"Minha convicção é que a criatividade hoje é tão importante na educação como a alfabetização e deve ser tratada com a mesma importância", defende. Para exemplificar seu encantamento pela capacidade criativa das crianças, ele conta histórias como a da garota que desenhava um retrato de Deus quando a professora a indagou sobre como ela poderia fazer tal desenho se ninguém sabia como Deus se parecia. “Eles saberão em um minuto”, respondeu a garotinha.
Para Robinson, respostas como essa só são possíveis pelo fato de as crianças não terem medo de correr riscos ou de errar. "Não estou dizendo que estar errado é o mesmo que ser criativo. O que sabemos é que se você não estiver preparado para errar, você terá uma idéia original", afirma. É exatamente essa capacidade de estar errado que muitas crianças perdem ao chegarem à fase adulta.
O problema se torna maior pelo fato de as pessoas reaplicarem essa visão nas empresas e nos sistemas educacionais, onde os erros são estigmatizados e vistos como sinônimo de fracasso. "O resultado disso é que estamos educando as pessoas para serem menos criativas", acredita o especialista.

"Estamos educando as pessoas para serem menos criativas"
A base do problema, segundo Robinson, é a hierarquia educacional presente em todo o mundo que coloca disciplinas como matemática e as línguas como as mais importantes de serem aprendidas, seguidas pelas matérias humanas e, por fim, pelas artes. "Não existe um sistema educacional de planeta que ensine dança diariamente às crianças, como ensinamos matemática. Por quê? Por que não?", questiona.
O resultado é uma educação que, segundo Robinson, foca apenas na inteligência acadêmica, negligenciando outras áreas do conhecimento. Ele explica ainda que esse sistema começou a ser formado no Séc. XIX por conta da Revolução Industrial e da necessidade de capacitar pessoas com disciplinas úteis ao novo modelo de trabalho.
"A consequência disso é que muitas pessoas altamente talentosas, brilhantes e criativas, pensam que não são porque aquilo em que elas eram boas na escola não era valorizado, ou era até estigmatizado. E acho que não podemos nos dar o luxo de ir por esse caminho", defende. Robinson conta que próximos anos o mundo viverá uma explosão de novas tecnologias e de crescimento demográfico, aliado ao maior nível de educação da história. O resultado é que muitos terão diplomas que já não servirão de nada, em um processo de "inflação acadêmica”. Por conta disso, ele defende uma revisão completa da nossa inteligência.
"Nosso sistema educacional explorou nossas mentes como exploramos a terra: em busca de um recurso específico. E para o futuro, isso não serve. Temos que repensar os princípios fundamentais que baseamos a educação de nossas crianças”, afirma. “O que o TED celebra é a dádiva da imaginação humana. Nós temos que ser cuidadosos e usar essa dádiva com sabedoria, de modo a evitar alguns dos cenários que falamos a respeito. E a única forma de fazer isso é encarando nossa capacidade criativa pela riqueza que ela representa e nossas crianças pela esperança que elas representam. Nossa tarefa é educá-las em sua totalidade, preparando-as para esse futuro”, completa.
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