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A pesquisadora passou dois anos e 20 minutos isolada com mais sete pessoas dentro da Biosfera.
Em palestra no TED, Jane Poynter contou suas histórias e experiências após ter passados dois anos e 20 minutos com mais sete pessoas na Biosfera 2 – uma experiência que recriou um mundo em miniatura e pesquisou sobre como podemos manter a vida nos ambientes mais hostis.
“A Biosfera 2 é, basicamente, um mundo em miniatura de três acres, totalmente isolado. A parte de cima é selada de vidro, abaixo é selado com aço”, explicou. “Nós tínhamos nossa floresta em miniatura, uma praia particular com um recife de corais. Tínhamos uma área gramada, pântano, deserto. Tínhamos nosso próprio meio acre de terra parar plantar de tudo. E claro, tínhamos nosso habitat humano, onde nós vivíamos.”
Lá dentro, as oito pessoas eram responsáveis por cultivar seus alimentos, manter os níveis de oxigênio estáveis e garantir que todas as mais de três mil espécies presentes ali seguissem seu curso natural. O objetivo foi alcançado durante grande parte da experiência, até o ar começar a apresentar sinais de mudanças.
“Sabíamos que estávamos perdendo CO2 e começamos a trabalhar para sequestrar carbono”, conta. “Nós perdemos sete toneladas de oxigênio e não tínhamos nenhuma pista de onde ele estava. E você pode pensar, bem, ‘seu sistema de suporte de vida está falhando. Não é assustador?’ Sim, de uma certa maneira era aterrorizante. Exceto que eu sabia que eu poderia sair pela porta a qualquer momento, se as coisas ficassem muito ruins”, contou Poynter.

O mundo em miniatura tinha três acres, cinco biomas e mais de três mil espécies.
O alerta serve para lembrarmos de que não existe outra biosfera além da que vivemos. Por isso é preciso ter muito cuidado na forma como a tratamos. “Estamos no processo de transformar tudo isso no que eu chamo de sociedade biofílica, onde aprendemos a nutrir a sociedade. Pode não parecer, mas estamos. Está acontecendo em todo o planeta, em todos os tipos de lugares e de carreiras e de indústrias que você puder pensar”, afirma.
Ela completa: “E eu acho que às vezes as pessoas ficam perdidas com isso. Elas pensam ‘como posso encontrar minha parte disto?’ E eu digo que as pequenas coisas contam. Realmente contam”.
Em outro momento da palestra, Poynter contou sobre os impactos que sofreu quando saiu da Biosfera 2, como o forte cheiro que as pessoas do lado de fora tinham e a falta de contato com os alimentos que ingeria.
“Eu plantava toda minha comida. E quando saí eu não tinha mais noção do que tinha na minha comida, de onde ela vinha. Eu nem reconhecia metade dos nomes dos alimentos que eu comia. E lentamente perdi a noção de onde eu estava nessa grande biosfera, onde todos vivemos. Lá dentro, eu entendia que tinha um grande impacto na minha biosfera, todo dia, e ela tinha impacto em mim, muito visceralmente, literalmente”.
Por isso a importância de olhar o mundo e entender onde estamos neste contexto e como escolhemos interagir com ele. “Se você perder seu lugar nesta biosfera, ou talvez estiver tendo dificuldade de conectar-se com seu lugar, eu diria a você para respirar fundo. Respirar, de fato, conecta todos nós, literalmente. Respire fundo agora. E enquanto respira pense sobre o que está na sua respiração”.
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