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A população mundial vai chegar aos 9 bilhões nos próximos 50 anos, e somente elevando o padrão de vida dos mais pobres e acabando com a mortalidade infantil é que nós poderemos controlar o crescimento populacional. Esta é a resposta paradoxal que Hans Rosling revela, no TED@Cannes, usando uma tecnologia nada convencional para apresentar os novos dados.
Em sua sexta apresentação no TED, Rosling, que é pesquisador, médico e professor de saúde internacional, começou a palestra lembrando do ano de 1960, quando seu professor contou que o mundo tinha chegado a marca de 3 bilhões de pessoas. Isso para demonstrar o quanto a população mundial tem mudado desde aquele ano e como será no futuro.
O método da apresentação foi o seguinte: “Eu não vou usar tecnologia digital, como eu fiz durante outras palestras. Em vez disso, eu progredi, e estou lançando hoje uma novíssima tecnologia analógica de ensino que eu peguei da Ikea: esta caixa”, brincou.
Segundo Rosling, cada caixa representa a soma de um bilhão de pessoas. Essa era a quantidade de gente no mundo industrializado, em 1960. Já nos países em desenvolvimento, havia dois bilhões de pessoas, ou duas caixas iguais à primeira.
“Havia uma grande brecha entre o um bilhão no mundo industrializado e os dois bilhões no mundo em desenvolvimento. No mundo industrializado as pessoas eram saudáveis, educadas, ricas e tinham famílias pequenas. E as suas aspirações eram comprar um carro. Mas em contraste, no mundo em desenvolvimento, as aspirações nas famílias médias eram ter alimento para o dia. E eles estavam economizando para poderem comprar um par de sapatos”, explicou.
Segundo o especialista, essa enorme lacuna criou a mentalidade de se referir ao mundo com termos como “ocidente” e “mundo em desenvolvimento”, porém a sociedade mudou, e muito.
Nova sociedade moderna
Rosling aponta que mais 4 bilhões de pessoas chegaram à população mundial até 2010. Somado a isso, houve um vasto crescimento econômico no Ocidente, fazendo com que a qualidade de vida dos habitantes crescesse ainda mais.
A grande tragédia permanece nos países pobres, onde os dois bilhões mais necessitados continuam lutando por coisas básicas, como direito a alimentação. “Eles ainda estão quase tão pobres como eram 50 anos atrás”, destacou o professor.
A grande novidade, porém, são os três bilhões de pessoas que vivem nas chamadas “economias emergentes”. “Eles são saudáveis, relativamente bem instruídos e tem dois ou três filhos por mãe, e as suas aspirações agora são comprar uma bicicleta e mais tarde uma motocicleta. Então este é o mundo que nós temos hoje. Não há mais nenhuma lacuna. Mas a distância dos mais pobres para os mais ricos é mais larga do que nunca”.

Rosling reforça que, no mundo de hoje, existem pessoas vivendo em todos os níveis econômicos e sociais e que no futuro as economias emergentes vão continuar crescendo até alcançarem os países ocidentais. “Mas somente se nós investirmos na correta tecnologia ambiental de maneira que possamos evitar uma severa mudança climática e a energia ainda puder ser relativamente barata”, alertou.
O grande problema, portanto, está nos dois bilhões mais pobres, que irão crescer para três bilhões nas próximas décadas. “E eles irão depois disso crescer para quatro bilhões. Não há nada, a não ser uma guerra nuclear de um tipo que nós nunca vimos, que possa impedir isso de acontecer, porque já está acontecendo”, afirmou.
Lutar contra a pobreza é a única solução
A solução, segundo Rosling, é fazer com que a população consiga sair da pobreza para assim ter acesso a educação, redução da taxa de mortalidade infantil e aumento do poder aquisitivo. “Somente com isso o crescimento populacional vai parar em 2050”.
Utilizando seu famoso gráfico de bolhas, o “guru das estatísticas” mostrou como a relação entre tamanho da população, taxa de natalidade e de mortalidade infantil interferem no crescimento mundial e como a única forma de parar esse aumento é investir na sobrevivência das crianças nascidas nos países pobres. "Caso essa taxa chegue a 90%, será possível parar nos nove bilhões de pessoas habitando o planeta Terra", defende.
Para Rosling, a "possiblista" é uma nova categoria onde nós deixamos a emoção de lado e apenas trabalhamos analiticamente com o mundo. Ele acredita que é possível ter um mundo mais justo, com tecnologia sustentável e com investimentos para aliviar a pobreza e um governo global.
Assista abaixo à palestra na íntegra (para ver com legenda em português, selecione a opção ao lado do botão “play”)
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