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Flávio apresenta sua criação para a platéia do TEDxSP/Fotos: Divulgação
O desenhista industrial Flávio Deslandes se surpreendeu com a harmonia e a democracia existente entre carros e ciclistas logo na primeira vez em que esteve na Dinamarca. Inspirado nessa relação, ele repensou o conceito de bicicleta e projetou uma versão que utiliza bambu como matéria prima principal. Após vencer os desafios de utilizar um material alternativo, Flávio apresenta o resultado de um trabalho que transformou algo barato, abundante e sustentável em um objeto de desejo.
Com paciência, persistência e muitas tentativas e erros, ele começou sua jornada em busca das melhores técnicas com bambu na PUC-Rio, em 1994. Em 2000 ele lançou sua primeira bicicleta feita com o material e foi aclamado pelos profissionais da área pela inovação e sustentabilidade.
"Até então não existia nenhuma técnica específica para o bambu. Você não podia ir na esquina para soldar um bambu. Eu tinha que descobrir como eu iria cortar o bambu, como eu iria tratar o bambu, onde eu iria pegar o bambu, como eu iria fazer ligações com ele, como é que eu iria fazer uma estrutura e os detalhes dessa pequena estrutura", explica.
Ainda assim, ele não desistiu da ideia e buscou respostas que pudessem ajudá-lo a utilizar esse tipo de material na construção das bikes. A abundância da planta em todo o país, sua biodegradabilidade e rápido crescimento, bem como suas características físicas, como resistência, leveza e múltiplas aplicabilidades, fizeram com que o designer optasse pela planta como uma alternativa ao metal.

Ao passar pelos testes de resistência, a "bambucicleta" acabou quebrando a máquina de testes
Desafios e soluções
Mas criar uma bicicleta feita de bambu não era um desafio dos mais fáceis. Para concretizar seus planos, Flávio precisou superar alguns problemas, como a incompatibilidade de materiais, como o bambu e o alumínio, o alinhamento entre as conexões, a união ou colagem dos materiais, os esforços laterais nos tubos do bambu e a maior exposição desse tipo de material.
"Para solucionar esses problemas uma coisa que eu fiz foi aumentar essa área entre a conexão de alumínio e o bambu para poder utilizar diferentes bambus com diferentes diâmetros, independentes de eles serem retos ou tortos. Criei uma cola flexível para poder absorver todas as vibrações e dilatações térmicas as quais essa bicicleta estaria exposta. Ela ainda tem um anel de alumínio que ajuda a segurar a extremidade do bambu para evitar que ele se abra e também protege o bambu contra intempéries, como perda e ganho de umidade", explica.
Com a bicicleta pronta, a Biomega, empresa responsável pela sua fabricação, exigiu que ela passasse por uma fase de testes para receber um certificado de qualidade. Já sabendo que sua criação passaria nos testes, Flávio pediu aos fabricantes que a testassem até o seu limite, ou seja, até a bicicleta quebrar.
"Como pesquisador a gente só consegue respostas quando alguma coisa quebra. E era importante para mim que ela quebrasse para eu ver onde era o ponto fraco dela e onde eu poderia melhorar", diz.
O problema foi que os resultados dos testes saíram um pouco do previsto. "No final quebrou... só que quebrou a máquina. Eu fiquei muito frustrado porque não tive resposta nenhuma, inclusive a fábrica mandou a conta para a Biomega e eu espero que ela não mande a conta para a minha casa", brinca.
As bicicletas de bambu já estão sendo comercializadas e podem ser adquiridas pelo site do designer ou nas lojas da Biomega. Aqui no Brasil, a distribuidora da empresa fica localizada em São Paulo, na Rua Piaui, 1081-1A, Higienopolis e os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 8376-5555 ou pelo e-mail rosas.helio@gmail.com. O único problema das “bambucicletas” é seu preço – as unidades custam entre €2.600 e € 6.800.
TEDxSP 2009 - Flávio Deslandes from TEDxSP on Vimeo.
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