
Para o arquiteto, mais do que uma "revolução", a arquitetura precisa passar por uma "evolução"
No lugar de uma “revolução” arquitetônica, o arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels, defende uma “evolução”, unindo o que existe de mais bonito e funcional de diferentes projetos e adaptando-os de acordo com a situação, a finalidade, os imprevistos do caminho e as mudanças do mundo. Dessa forma, ele apresenta nessa palestra organizada pelo TED três projetos que unem esses elementos criando construções únicas e adaptadas para um futuro sustentável
"Nós pensamos em como a sustentabilidade se tornou, nessa ideia neo-protestante, algo que deve machucar para fazer o bem. Você não deve tomar longos banhos quentes, nem viajar de avião em feriados, pois é ruim para o meio ambiente. Gradualmente você terá a ideia de que a vida sustentável é menos divertida que a normal. Então pensamos que, talvez, seria interessante focar em exemplos onde a cidade sustentável na verdade aumenta a qualidade de vida”, defende o arquiteto.
Assim, Ingels começa a contar a história do primeiro caso - um prédio construído em Xangai e que a princípio seria erguido na Suécia. Para torná-lo viável, ele e sua equipe bolaram um plano para mesclar elementos da sua cidade natal, Copenhague, com o local onde o prédio seria construído: Xangai. Assim, elementos como as bicicletas e a água limpa do cais de Copenhague foram transportados para o prédio construído na China.

O projeto conhecido como "A Montanha" reutiliza água da chuva e une de forma inteligente apartamentos e garagem
A segunda história é sobre um grupo que comprou um terreno em frente ao apartamento onde Ingels mora com planos de construir um prédio de apartamento e uma garagem. O projeto acabaria com o desenho arquitetônico do edifício do arquiteto - planejado de forma a garantir a mesmo vista para todos os moradores. "Aí nós pensamos que, em vez de empilhar os apartamentos como de costume, com vista para um bloco entediante de carros, por que não transformarmos todos os apartamentos em coberturas e os colocarmos sobre os carros?"
Assim, todo o projeto foi modificado, ganhando inclinação, corte de volume, perfurações nas paredes para melhorar a circulação de ar, além da criação de uma imagem rasterizada do Monte Everest feita a partir da diferenciação dos furos das paredes. "A Montanha", como a construção ficou conhecida, ainda acumula água da chuva, que segue para um sistema de irrigação automática que rega o jardim suspenso do edifício.
"A Montanha é nosso primeiro exemplo do que queremos dizer com alquimia arquitetônica. A ideia de que você pode realmente agregar valor ao misturar ingredientes tradicionais, como apartamentos normais e estacionamentos normais, e oferecer às pessoas a chance de elas não terem que escolher entre uma vida com jardim ou uma vida na cidade. Elas podem realmente ter ambas,” afirma.

O próximo projeto irá recriar as sete montanhas mais importantes do Azerbaijão em uma cidade totalmente planejada
A última história é sobre um projeto desenvolvido a partir de uma competição que Ingels e sua equipe ganharam para projetar um banco nacional nórdico. O projeto não vingou, mas acabou parando nas mãos de um ministro do Azerbaijão, que se apaixonou pela Montanha e pediu que eles recriassem a silhueta das sete montanhas mais significativas do país através de construções feitas em um plano urbano em uma ilha fora da capital.
A equipe de arquitetos não apenas projetou os prédios, como planejou toda a ilha como um ecossistema único, usando energia eólica para mover usinas de dessalinização e as propriedades térmicas da água para aquecer e resfriar os edifícios. O excesso de água potável descartada será filtrado organicamente na paisagem, transformando a ilha desértica em uma paisagem verde.
"Pode-se dizer que enquanto o desenvolvimento urbano normalmente ocorre às custas da natureza, nesse caso está, de fato, criando natureza", diz Ingels. Os edifícios não apenas evocarão imagens de montanhas, como também atuarão como montanhas, criando abrigo para o vento, acumulando energia solar e água. O projeto foi aprovado e as duas primeiras montanhas já começarão a ser construídas no que será a primeira ilha carbono zero na Ásia Central.
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