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12 bilhões de sacolas plásticas são consumidas no Brasil anualmente/Foto: WWF
Investir na reciclagem pós-consumo, substituir as sacolas plásticas por materiais menos agressivos ao meio ambiente e até mesmo transformá-las em energia são algumas das alternativas para dar uma utilização e um fim devido ao plástico nosso de cada dia. Vale lembrar que, geralmente, este material é feito através de substâncias presentes nos combustíveis fósseis, como o petróleo, o que contribui para a escassez de recursos naturais e as mudanças climáticas.
Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontam que o Brasil consome 12 bilhões de sacolas plásticas anualmente. Esse índice significa dizer que cada brasileiro utiliza, em média, 66 unidades ao mês. O problema é que a decomposição de um material plástico exige cerca de 500 anos para ser realizada. Logo, é o meio ambiente que paga a conta do uso indevido desse produto.
Para Gisela Dantas, gerente jurídica de Assuntos Legislativos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a solução para o problema causado pelo descarte de sacos plásticos na natureza é o investimento na reciclagem pós-consumo, de modo a transformar esse material em um novo produto. “A indústria é favorável não à proibição das sacolas plásticas, mas à reciclagem. Falta uma educação ambiental na sociedade. Existe um lixo muito grande. Então, a solução é a reciclagem, até por uma questão social, porque existe um público muito grande que vive dessa coleta”, defendeu.
Oxibiodegradáveis?
Já a ONG paranaese Fundação Verde (Funverde) luta desde 2005 com o objetivo de conscientizar os consumidores sobre a importância da substituição de sacolas plásticas para a preservação da natureza. No Paraná, a organização conseguiu (desde abril de 2008) trocar todas as sacolas plásticas por sacos oxibiodegradáveis. “A meta agora, ‘com o tempo’, é atingir o nível da cidade de Xanxerê (SC), que aboliu por completo as sacolas de plástico”, projetou Cláudio José Jorge, presidente da entidade.

Má destinação da sacola plástica prejudica a biodiversidade/Foto: WWF
Por outro lado, Gisela Dantas discorda da utilização do material oxibiodegradável. “É uma falsa ideia de que ele se desmancha e que não existe uma poluição. Na verdade é até pior, porque os custos e os riscos com relação à sacola plástica hoje utilizada já são conhecidos. Ao contrário dos plásticos biodegradáveis, cuja decomposição pode liberar metais pesados no meio ambiente, sem qualquer forma de controle", contestou.
As sacolas oxibiodegradáveis retiram de sua composição total 1% de plástico e adicionam 1% de aditivos químicos que quebram a cadeia molecular do plástico. Esse novo saco é feito do mesmo plástico que vem do petróleo, mas com o diferencial de não poluir durante muito tempo. Recentemente, a Firjan encaminhou carta a todos os parlamentares da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para manifestar sua posição contrária ao projeto do governo do estado que prevê a substituição gradual de sacolas plásticas pelo comércio. A entidade vai participar da votação, marcada para a próxima quarta-feira, 24 de junho, na Alerj.
Energia
Enquanto a alternativa referente ao material oxibiodegradável divide opiniões e causa certa polêmica, Francisco de Assis Esmeraldo, presidente do Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida), defende a reciclagem energética das sacolas plásticas a fim de dar uma destinação eficiente ao produto. Ele argumentou que os sacos de plástico na Europa são submetidos a esse sistema, o que faria com que o problema não fosse tão crítico no velho continente.

Transformação do saco plástico em energia também foi defendida/Foto: Pink Pink
“Plástico é petróleo; petróleo é energia. Logo, plástico é energia", comparou. O presidente do instituto argumentou que 1 quilo de plástico produz a mesma energia que 1 quilo de óleo diesel, que é petróleo. “E ninguém joga fora óleo diesel”, constatou. O Instituto Plastivida defende a redução do desperdício de sacolas plásticas no comércio, com um produto de melhor qualidade, e sua reutilização para outros fins. Sacolas de pano têm, segundo Esmeraldo, várias desvantagens, entre elas o fato de que sujam, se contaminam e têm que ser lavadas, gastando água, sabão e energia.
O Ministério do Meio Ambiente, com o apoio da rede de supermercados Wal-Mart Brasil, lançará no dia 23 de junho, em São Paulo, uma campanha nacional para a preservação do meio ambiente. Um dos objetivos é incentivar a substituição de sacolas plásticas, utilizando outros meios para o transporte de compras e o acondicionamento de lixo. A iniciativa quer incorporar na sociedade brasileira uma educação para o consumo consciente e sustentável.
Plástico verde
Em 18 de dezembro de 2008, a Braskem anunciou que o começo da produção do chamado “polietileno verde”, gerado a partir do etanol da cana-de-açúcar, está mantido para o final de 2009. A fabricação do primeiro plástico 100% renovável do mundo será feita, inicialmente, em um estágio inserido no projeto-piloto da empresa, mas a comercialização em grande escala deverá ser implementada em 2011. A organização também estuda a possibilidade de desenvolver a tecnologia do “polipropileno verde”.

Pesquisadores da Braskem estudam o "plástico verde"/Imagem: Divulgação
Os testes realizados no início do projeto apontaram que as resinas usadas para a fabricação do polietileno verde têm o mesmo desempenho e eficiência do produto similar, que não é composto de matéria prima renovável (como o petróleo). “Basicamente, essa tecnologia captura o gás carbônico e o devolve a natureza”, destacou ao portal EcoDesenvolvimento.org, à época, Marcos Lessa, diretor de sustentabilidade da Braskem.
*Com informações da Agência Brasil.
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