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Plenário do Bella Center, em Copenhague: reuniões sem consenso/Foto: Australian Science Media Centre
A 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15) terminou na sexta-feira, 18 de dezembro, depois de 11 dias de discussões em Copenhague, capital da Dinamarca. Desde o dia 7 deste mês, representantes de 192 países estiveram reunidos com a missão de mudar o rumo do planeta em relação as mudanças climáticas, por meio de um possível acordo capaz de prolongar o Protocolo de Kyoto (que expira em 2012) até 2020. Os líderes falharam.
Uma das principais causas de motivação da cúpula organizada pela ONU, e que mobilizou milhões de pessoas em todo o mundo, diz respeito ao fato de que pesquisas científicas apontam que a temperatura do planeta registrará aumento superior a 2ºC nas próximas décadas, caso as emissões dos gases causadores de efeito estufa não sejam drasticamente reduzidas.
Mesmo com toda a mobilização da comunidade internacional e apelos de toda a ordem, o que se viu em Copenhague foi a incapacidade de os chamados "líderes mundiais" chegarem a um consenso, já que em vez de um acordo real, mensurável e verificável (com peso de lei internacional), o máximo que conseguiram extrair das negociações foi uma "carta de intenções".

O secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, admitiu que a COP-15 não trouxe resultados significativos/Foto: Scanpix/AFP
O chamado “Acordo de Copenhague” foi aprovado no sábado (19) com relutância e sem unanimidade, como exige o procedimento das Nações Unidas. Esse pacote prevê ações para a manutenção do aumento da temperatura global a 2ºC, mas deixa de estabelecer qualquer redução de emissões dos gases que provocam o efeito estufa para que isso seja possível.
Fundo
Na carta de intenções está prevista a criação de um fundo emergencial de US$ 30 bilhões pelos próximos três anos (Us$ 10 bilhões anuais), para ajudar os países mais vulneráveis a combater as causas e os efeitos das mudanças do clima. No documento, as nações desenvolvidas e os grandes emergentes também se comprometem a angariar fundos para financiamentos em longo prazo de até US$ 100 bilhões até 2020.
Todavia, até mesmo esse ponto não encontrou consenso em Copenhague. Resultante de uma articulação entre Estados Unidos, Brasil, África do Sul, Índia e China, o acordo não foi reconhecido por representantes de diversas nações, como Sudão, Bolívia, Venezuela, Nicarágua e Tuvalu - sob o argumento de que essas últimas não foram consultadas.
Uma série de manifestações de ambientalistas durante a COP-15 refletiram que as ações dos líderes deixavam a desejar. Milhares de prisões foram registradas. A organização do evento também foi duramente criticada, já que muitas pessoas foram impedidas de participar, além das filas gigantescas sob um frio de 0ºC. As trocas de presidentes da cúpula (foram 3 ao todo), demonstraram que as coisas não andavam bem.
Brasil
Mas apesar do fracasso da COP-15, o papel do Brasil na cúpula da ONU foi de destaque. Com uma política nacional sobre as mudanças climáticas já aprovada pelo legislativo (ao contrário da realidade dos EUA) e mesmo sem obrigatoriedades impostas pelo Protocolo de Kyoto, o país sustentou o compromisso de reduzir seus gases de efeito estufa em até 39% até 2020, no comparativo com as emissões de 1990 - além de diminuir o desmatamento da Amazônia em 80% no mesmo período.
Se por um lado o governo federal foi bastante criticado ter escolhido a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef (provável candidata à Presidência), como chefe da delegação brasileira em Copenhague, vale observar que a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Bella Center mexeu com os ânimos no encontro, sobretudo depois de seus discursos.
Esperança
Sem um acordo convincente em Copenhague, as esperanças do mundo em relação ao clima estarão centradas em dois grandes encontros previstos para 2010. O primeiro será em junho, em Bonn (Alemanha), onde espera-se que os pontos divergentes entre os países possam ser superados para que em dezembro, durante a COP-16 na Cidade do México, possa ser assinado um pacto climático com peso de lei internacional.
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