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União Europeia acenou com recursos inferiores aos já propostos pela ONU/Foto: UE
E quando se imaginava que os personagens mais endurecidos no que diz respeito à assinatura de um novo pacto climático global, já eram conhecidos de todos, eis que os representantes dos países do continente africano também resolveram atuar mais ativamente sobre o palco das discussões referentes à 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15).
A exemplo do que a China pensa, os negociadores das nações africanas exigem que as bases do Protocolo de Kyoto (assinado em 1997) sejam mantidas, o que em tese mantém o compromisso dos países desenvolvidos em relação a redução dos gases causadores de efeito estufa. Em suma, eles rejeitam a ideia de que um novo documento seja elaborado, a menos que o mesmo seja “justo” e beneficie os emergentes. Também não querem nem saber de uma possível fusão do que foi acertado na cidade japonesa, há 12 anos, com um texto produzido na COP-15, que viria a ter caráter complementar.
Já os chefes de Estado da Europa anunciaram, em meio a Cúpula Europeia, que os países desenvolvidos deverão doar cerca de € 100 bilhões anuais para as nações em desenvolvimento até 2020. Os recursos buscam contribuir para a adaptação e mitigação dos emergentes diante das mudanças climáticas. Detalhe: segundo a ONU, o valor mais adequado a ser transferido pelas potências mundiais gira em torno dos US$ 500 bilhões/ano (cerca de € 330 bilhões).

Governo de Obama anuncia investimentos sustentáveis, em meio às pressões internacionais/Foto: Flickr
Às vésperas da COP-15, os Estados Unidos seguem pressionados pela comunidade internacional, que está receosa quanto à postura que os representantes da Casa Branca irão demonstrar em Copenhague. O secretário de Energia do governo norte-americano, Steven Chu, anunciou investimentos na ordem de US$ 151 milhões em projetos voltados para todos os níveis de desenvolvimento. Famigerada durante a gestão de George W. Bush, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada sobre Energia (Arpa-e) recebeu US$ 400 milhões para serem gastos em dois anos.
Em discurso feito no dia 27 de outubro, o presidente Barack Obama anunciou a liberação de US$ 3,4 bilhões para a modernização da rede elétrica do país, o que deve melhorar a eficiência do sistema, como, por exemplo, reduzir o consumo elétrico em 4% até 2030. Atualmente, os Estados Unidos estão entre os países que mais poluem o mundo.
Um dia depois, o jornal The New York Times estampava um artigo de autoria do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no qual ele voltou a cobrar mais empenho dos norte-americanos para uma economia de baixo carbono. A autoridade máxima das Nações Unidas também aproveitou para sugerir quatro medidas básicas para a elaboração de um novo acordo climático mundial durante a COP-15. Ban esteve em Seattle, nesta semana, para ver de perto as ações sustentáveis dos norte-americanos.
Com o objetivo de convencer os representantes dos países a estabelecerem um acordo efetivo para o planeta durante a COP-15, o State of the World Forum (SWF) reforçou a campanh 80/20, pautada por sete alicerces, que busca a redução das emissões dos gases de efeito estufa em 80% até o ano de 2020, em vez de 2050, como pretendem as grandes governanças mundiais.
Já no clima da conferência de dezembro, a Universidade de Copenhague inaugurou o primeiro edifício carbono neutro da Dinamarca, o que significa dizer que a construção não emite CO2 na atmosfera. A ONU, por sua vez, anunciou que um “trem sustentável” percorrerá dois continentes, partindo de Kyoto (Japão) até a capital dinamarquesa, onde deve chegar no dia 7 de dezembro, quando a COP-15 terá início. A meta é chamar a atenção de todo o mundo sobre a relação transportes x poluição. Também merece destaque a iniciativa do site Action-pact.org, desenvolvido pelo Greenpeace com apoio da campanha Tck Tck Tck: eles objetivam que as pessoas mandem mensagens para a COP-15.
No Brasil, o consultor do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Tasso Azevedo, defendeu que o país se comprometa com uma meta quantitativa de redução de emissões dos gases de efeito estufa. O órgão que ele representa quer que o governo brasileiro esteja disposto a propor cortes de 40% desses poluentes na atmosfera até 2020, independentemente do objetivo de diminuição do desmatamento da Amazônia em 80% no mesmo período. O Ministério da Ciência e Tecnologia, o da Casa Civil e o das Relações Exteriores divergem da ideia. Decisão? Quem sabe na semana que vem, quando todos se reúnem com o presidente Luiz Inácio da Silva.
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