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Postura dos países ricos em Bangkok inviabiliza acordos
Postado em Mudanças Climáticas em 09/10/2009 às 15h40
por Redação EcoD
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Yvo de Boer demonstrou frustração com resultado do encontro/Foto: Eskinder Debebe

A rodada de negociações sobre o clima de Bangkok termina nesta sexta-feira, 9 de outubro, depois de quase duas semanas de negociações dos representantes de 175 países, mas as informações que chegam da capital da Tailândia indicam que se o encontro pudesse ser definido em três palavras estas seriam: fracasso, decepção e receios. A justificativa reside no fato de que o adiantamento dos acordos mais urgentes ficou apenas no discurso dos líderes.

O clímax dos enfrentamentos foi registrado na quinta-feira, 8, quando o representante dos Estados Unidos, Jonathan Pershin, travou discussão bastante acirrada com o negociador chinês Yu Qingtai, tudo porque os norte-americanos propuseram que todos os países assinem um novo acordo jurídico, com o objetivo de forçá-los a reduzirem suas emissões de gases causadores de efeito estufa.

A questão é que a China e boa parte das nações em desenvolvimento exigem a manutenção das bases do Protocolo de Kyoto - rejeitado pelo país de Barack Obama em 1997, e voltado basicamente para as potências industrializadas. Para o grupo dos países emergentes, o cumprimento do acordo firmado na cidade japonesa há 12 anos é “inegociável”, e os seus melhores pontos devem ser mantidos.

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Financiamento de tecnologias limpas para países em desenvolvimento é um dos impasses/Foto: curioslee

“Nós não vamos estar no Protocolo de Kyoto. Nós não vamos integrar um acordo que não podemos cumprir. Dizemos que um novo acordo tem de ser [assinado] por todos os países. As coisas mudaram desde Kyoto. Hoje é muito diferente. Nós não podemos ser presos com um contrato de 20 anos. Queremos sim, a ação de todos os países”, afirmou Pershin em seu discurso. Ele destacou a mudança de postura dos Estados Unidos em relação à sustentabilidade, ao citar os investimentos de US$ 80 bilhões em um pacote de estímulo voltado para a economia verde.

Apesar de representar o país que mais polui o mundo atualmente, mas que por outro lado também tem mostrado progressos rumo a um comportamento mais sustentável, Qingtai rechaçou a ideia de a China ser inclusa em um novo acordo, em detrimento de Kyoto. “Não queremos matar o tratado. Nós queremos realmente um avivamento, um fortalecimento dele. Isso só pode ser feito pelo Anexo I [industrializados] dos países, levando-se em conta a meta de 40% das reduções de poluentes até 2020”, ressaltou.

Impasse

Para os advogados presentes no encontro de Bangkok, será difícil rescindir o Protocolo de Kyoto, já que para tanto todas as partes envolvidas precisam concordar com essa alternativa. Eles também argumentam que uma nova fase de compromissos precisa ser estabelecida para depois de 2012, porque do contrário, os países que o assinaram em 1997 praticarão uma violação de um acordo firmado diante da comunidade internacional.

Em entrevista coletiva concedida a jornalistas presentes em Bangkok na quinta-feira, Yvo de Boer, secretário-geral de Mudanças Climáticas da ONU, não conseguiu esconder sua insatisfação com o resultado das negociações de Bangkok. “Penso que é muito difícil continuar trabalhando de boa fé, à medida que as ofertas de financiamento e as metas dos países industrializados não avançam”, lamentou.

De Boer admitiu a persistência da indefinição quanto à quantidade de fundos para a adaptação e mitigação das nações mais vulneráveis ao aquecimento global, bem como os detalhes de como tais mecanismos serão geridos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também teme a falta de progressos das negociações, já que faltam menos de dois meses para a tão aguardada 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), evento tido como decisivo para os rumos do clima mundial.

A cidade de Barcelona, na Espanha, sediará em novembro a última rodada de negociações antes do encontro de Copenhague, na capital da Dinamarca. Enquanto seguem as incertezas sobre a possibilidade de um consenso por um novo acordo global, o tempo vai se esgotando, assim como as esperanças e a sustentabilidade do planeta.


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Tags: Economia e Política , Mudanças Climáticas
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Parabens

Comentado por Wellington Araújo em 09/10/2009 21:17

todas as duvidas que eu tinha sobre essa pendenga das mudanças climáticas e dos países envolvidos foram tiradas agora. Parabéns pelo blog, que certamente vai me ajudar no ENEM.
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