
Interferindo diretamento no peso dos recém-nascidos, os poluentes ambientais podem causar problemas antes do nascimento / Fotos: Sxc.hu
Um estudo apontou a poluição ambiental como uma das responsáveis pelo baixo peso de bebês ao nascer. Com foco em uma cidade de médio-porte, os pesquisadores da Universidade de Taubaté (Unitau) destacaram que o dióxido de enxofre e o ozônio podem causar às crianças problemas respiratórios e doenças cardiovasculares antes mesmo do nascimento.
"O presente estudo preenche uma lacuna na pesquisa sobre os efeitos de poluentes do ar no peso ao nascer em cidades de porte médio no Brasil", afirmam Luiz Fernando Nascimento e Douglas Amaral Moreira, professor e aluno de medicina que pautaram a pesquisa na cidade de São José dos Campos, em São Paulo. "A maior parte dos estudos nessa área foram realizados em cidades grandes do país".
A pesquisa recortou perfis de 2.529 mulheres entre 20 e 34 anos, que tinham concluído o ensino médio, realizado no mínimo sete exames pré-natal, tiveram gestação entre 37 e 41 semanas, gravidez única e parto normal. Foi considerado baixo peso ao nascer aquele inferior a 2,5 quilos e assumido que as concentrações de poluentes eram homogêneas por toda a cidade.
“Visto que eram gestações normais, as mães estavam livres para circular ao redor da cidade e, posto que as concentrações foram consideradas homogêneas, a exposição foi considerada constante", comentam os estudiosos.

Liberado por fábricas que usam energia da queima de carvão, o dióxido de enxofre é um dos gases poluentes relacionados ao baixo peso dos nascidos em São Paulo.
Ozônio e Dióxido de Enxofre
Com dados ambientais fornecidos pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) e informações secundários do Sistema de Informação dos Nascidos Vivos (Sinasc) - que não traz alguns dados como se a mãe fuma ou não, por exemplo – a pesquisa esclarece algumas das principais fontes de liberação destes gases, no caso do ozônio, são as reações fotoquímicas entre outros poluentes, e em relação ao dióxido de enxofre, as indústrias que utilizam carvão e produtos derivados do petróleo, além dos veículos que usam combustíveis fósseis, são os responsáveis pela presença da substância na superfície.
Nascimento indica que existe um volume considerável de trabalhos que relacionam a poluição a complicações com a saúde e em destaque, cita o estudo coordenado por Nelson da Cruz Gouveia, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de São Paulo (USP), que indicou que a poluição do ar aumenta em 50% o risco de morte de recém-nascidos na cidade de São Paulo.
“Estudar o baixo peso nos recém-nascidos é importante porque se trata de um dos principais fatores de risco. Ainda é bastante alta a prevalência dos riscos de óbitos no primeiro ano de vida da criança”, conclui Luiz Fernando.
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*Com informações da Agência FAPESP