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Milhares de ciclistas morrem todos os anos por causa da falta de educação no trânsito das cidades/Foto: BikePortland.org
Ciclistas dos cinco continentes irão vestir uma camisa branca, amarrar uma tarja preta no braço e pedalar em silêncio para homenagear os companheiros que foram mortos ou feridos no trânsito das cidades. Batizada de Ride of Silence (ou Pedal do Silêncio), a manifestação acontecerá hoje à noite e quer chamar a atenção para o direito que todo o ciclista tem de compartilhar as ruas com os meios de transporte motorizados.
O movimento surgiu em Dallas, nos Estados Unidos, em maio de 2003, em homenagem ao ciclista Larry Schwartz, morto em um acidente com um ônibus meses antes. De lá para cá, o evento já se espalhou por quase 300 cidades de 18 países. Antártica, Argentina, Austrália, Bolívia, Ilhas Britânicas, Canadá, Caribe, China, Costa Rica, Chipre, Jamaica, México, Nova Zelândia, Espanha, Japão e Panamá, além dos Estados Unidos, devem participar da pedalada.
Aqui no Brasil, os protestos serão realizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Brasília e em Belo Horizonte. A saída está marcada para hoje à noite e os ciclistas são incentivados a irem de roupa branca e a amarrarem no braço uma faixa preta para homenagear os mortos, e uma vermelha para os feridos.
Em São Paulo a concentração será às 18h no Monumento Ghost Bike (criado em homenagem à ciclista e ativista Márcia Prado, morta em um acidente com um ônibus, em janeiro deste ano) e na Praça do Ciclista. No Rio de Janeiro os protestantes se reunirão às 18h30 no final da Praia do Leblon, na Praça da CEDAE. Em Vitória, a concentração será às 19h30 em frente ao bar Saideira, na Praia do Canto. Em Brasília, às 19h no Museu Nacional e em Belo Horizonte também às 19h, na Praça da Liberdade. O pedal será feito em um ritmo moderado, de forma que qualquer pessoa possa participar.
Perigo no trânsito
Todos os anos, cerca de 1500 ciclistas morrem nas ruas e rodovias brasileiras. São mais de três ciclistas por dia, vítimas de um trânsito hostil, violento, dominado pelos veículos automotivos. Mesmo sendo o meio de transporte mais indicado e incentivado por especialistas em mobilidade urbana e em sustentabilidade, as bicicletas ainda não recebem o respeito e a consideração dos motoristas.
Em sua 7ª edição, o Pedal do Silêncio pretende chamar a atenção para os perigos que os ciclistas correm todos os dias e incentivar os motoristas a colaborarem com um trânsito mais humano. Em entrevista ao site UOL, o ciclista Leandro Valverde cita a ciclista Márcia Prado como um exemplo de tragédia causada pelo mau comportamento dos carros e ônibus. “Márcia era uma das mais ativas da Bicicletada, se preocupava com sua segurança, se cuidava, e mesmo assim aconteceu, por imprudência do motorista do ônibus", afirma.

A "gost bike", ou bicicleta fantasma, foi montada na Avenida Paulista, onde a ciclista e ativista Márcia Prado morreu, em janeiro de 2009/Foto:Carlos Alkmin
Somente na cidade de São Paulo, 69 ciclistas morreram em acidentes de trânsito em 2008, ainda assim, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aplicou apenas uma multa por desrespeito a ciclista em toda a cidade, durante o mesmo período.
“O perigo de andar de bicicleta está muito mais na falta de respeito que o ciclista recebe do que qualquer outra coisa, tanto dos motoristas quanto das autoridades. As pessoas te veem como um obstáculo no trânsito", diz em entrevista também ao UOL o ciclista Vítor Pinheiro. "Além disso, as autoridades não fazem nada. Não tem sinalização que legitime o uso da bicicleta, os motoristas, profissionais ou não, não recebem educação e não existe punição, porque a CET não multa".
Para participar do movimento, basta ir a algum desses locais e acompanhar o cortejo. Não esqueça da tarja e do capacete.
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