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Em expansão no Brasil, biodiesel deverá ser comercializado no mercado aberto/Foto: _caffiend
Tido por muitos como solução para os problemas energéticos e ambientais do país, visto por outros tantos com desconfiança e restrições. Assim é o biodiesel, que independentemente de convicções e incertezas estimulou a produção no Brasil e começa a atrair os investimentos das empresas. Em relação aos outros segmentos do setor, este biocombustível tem um trunfo: entra no mercado protegido por um marco regulatório consolidado.
O biodiesel passou a ser utilizado no mercado brasileiro em dezembro de 2004, quando o governo federal instituiu o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Os resultados mais significativos vieram nos primeiros oito meses de 2008: a produção do combustível menos poluente teve um aumento de 236% em relação ao mesmo período do ano anterior – o equivalente a 662 milhões de litros.
Como a legislação brasileira anunciou a meta de antecipar a mistura obrigatória de 5% do biodiesel ao óleo diesel para 2012, em vez de 2013, como previsto inicialmente pelo governo, a tendência é a de que esta adição resultará no consumo de 2,4 bilhões de litros do combustível ao ano. Para alavancar o desenvolvimento social por meio do biodiesel, também foi criado o Selo Combustível Social, que é concedido pelo governo às empresas produtoras que compram parte da matéria-prima de agricultores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Apesar de todo esse crescimento, ainda falta um indicativo oficial para o início do mercado aberto de biodiesel. Os leilões existem para garantir a porcentagem obrigatória da adição do biocombustível ao diesel comum, e os excedentes já são comercializados abertamente. A expectativa do mercado é a de que o governo libere a comercialização gradativamente, à medida que a competitividade do biodiesel aumentar em relação ao óleo comum.
Investimentos
A perspectiva de garantia do escoamento da produção, somada a segurança quanto a regulação do setor pelo governo tem atraído investimentos pomposos para o segmento. A Petrobras, por exemplo, criou a Petrobras Biocombustível, em busca de se tornar uma das maiores produtoras. A estatal já opera com duas usinas, uma em Candeias (BA) e a outra em Quixaba (CE), enquanto a terceira deverá operar ainda no primeiro semestre deste ano. Juntas, produzirão 170 milhões de litros de biodiesel por ano.

A mamona vermelha produz óleo vegetal, também usado no biodiesel/Foto: -murilo-
Já a Global Agri, formada por agricultores e pecuaristas de São Paulo investiu Us$ 100 milhões em uma usina no Tocantins, com o objetivo de atender o contrato de exportação do combustível para a França. Investimento semelhante fez a Brasil Bioenergia, que com o financiamento do BNDES aplicou R$ 128 milhões na implantação de uma unidade integrada de extração de óleo vegetal e produção de biodiesel em Nova Andradina (MS), em agosto de 2008. Outros R$ 32 milhões serão investidos para a construção da usina.
Domínio da soja
Atualmente, a soja domina a produção de biodiesel em mais de 68%. Para que este segmento atinja a expansão, especialistas defendem que é necessário o aprofundamento da pesquisa na área agrícola. O objetivo é formar um entendimento mais preciso sobre as culturas de oleaginosas mais apropriadas para região do país, e qual a eficácia de cada insumo.

Soja domina a produção do biodiesel no Brasil, mas há alternativas/Foto: Gojame
Um exemplo é o óleo de mamona, usado na fabricação de lubrificantes e outros produtos de química fina. Já os óleos de girassol e canola são mais utilizados para o consumo humano. O óleo de crambe (planta leguminosa de baixo custo de produção) é apontado pelo setor para impulsionar a produção de biodiesel, competindo com a soja.
Esta substância é abundante no outono e no inverno, o que faz com que possa ocupar áreas de plantio ociosas nesta época do ano. Ademais, não pode ser utilizada para o consumo humano. O crambe possui cerca de 38% de óleo em sua semente, contra apenas 18 à 20% da soja.
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