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Derretimento no Ártico tende a influenciar o clima do planeta/Foto: Flickr
Faltam apenas seis semanas para o início da 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), mas mesmo com a proximidade do evento sobre o tema mais esperado dos últimos anos, sobram dúvidas e faltam definições em relação aos possíveis resultados do encontro marcado para os dias 7 a 18 de dezembro, em Copenhague, capital da Dinamarca. A principal expectativa é a de que os representantes dos 192 países-membros da ONU elaborem um novo acordo climático global.
Mas as reuniões preparatórias que antecederam à COP-15 deixaram a impressão de que este possível documento dificilmente será assinado, a depender das circunstâncias. A recente cúpula de Bangkok (Tailândia), por exemplo, ficou negativamente marcada pelas divergências entre o negociador da China, Yu Qingtai, e o dos Estados Unidos, Jonathan Pershin.

Países discutirão formas de se reduzir as emissões dos gases de efeito estufa/Foto: Gettyimages
O representante chinês quer que os norte-americanos assinem o novo acordo, mas assumam, ao mesmo tempo, um comprometimento com as bases do Protocolo de Kyoto – que deixou de ser assinado pela Casa Branca em 1997.
No entanto, Pershin foi enfático ao afirmar que os Estados Unidos não aceitam os termos de Kyoto. Ele defende a elaboração de um acordo totalmente novo, assinado por todos os países, no qual o mundo todo estaria comprometido com reduções significativas das emissões dos gases causadores de efeito estufa até 2050 (Kyoto tem 2020 como meta limite). O norte-americano argumentou que a sua proposta é mais realista e menos difícil de ser atingida, o que inflamou o temperamento dos representantes das nações em desenvolvimento.
Quanto custa?
Outro ponto que remete a uma série de discordâncias refere-se aos custos necessários para uma economia de baixo carbono. É que para os países mais industrializados disponibilizarem os recursos financeiros para as nações emergentes promoverem ações de mitigação e adaptação dos impactos das mudanças climáticas é preciso dinheiro (mas como e quanto?).

Fauna mundial sofre atualmente com os impactos das mudanças climáticas/Foto: Flickr
Só para se ter uma noção das disparidades das propostas já discutidas, enquanto a União Europeia sinaliza com US$ 22 bilhões por ano, o Banco Mundial estima que os governos mais desenvolvidos devam desembolsar US$ 475 bilhões anuais durante as próximas duas décadas. Outros valores também são sugeridos pelos demais blocos de países e ONGs ambientalistas. Solução? Só mesmo em Copenhague. Se vier.
Além da indefinição quanto às cifras, também falta definir qual organização irá administrar a quantia arrecadada. O G-77 quer que o fundo seja subordinado à COP, em vez de organismos tradicionais, como o Banco Mundial.
Opiniões
Autoridades internacionais e climatologistas dividem opiniões quando o assunto é a COP-15. A lembrança de que as tendências indicam que a temperatura do planeta aumentará entre 2ºC e 4ºC nas próximas décadas é refletida em afirmações em tom de catástrofe, como a do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em meio à 3ª Conferência sobre o Clima de Genebra, realizada na primeira semana de setembro deste ano, na Suíça. "O mundo tem um pé preso no acelerador e está indo em direção a um abismo".

Promovida pela ONU, COP-15 reunirá líderes de todo o mundo em dezembro, em Copenhague/Foto: Ryan Brown
Tão pessimista quanto Ban demonstra estar Rajenra Pachauri, diretora do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Recentemente, ela afirmou que são "cada vez piores" as perspectivas de que os representantes dos países cheguem a um acordo em Copenhague.
Para o ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, Ed Miliband, essa tendência de fracasso pode ser revertida caso o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esteja presente na COP-15, e se mostre disposto a colaborar com possíveis soluções para os impasses.
Brasil
E como anda o Brasil em relação à COP-15? Bem, ao que tudo indica, o governo ainda não definiu qual a postura que o país adotará em Copenhague, porque há um choque entre as propostas da ala majoritária, formada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, Casa Civil e Itamaraty, e a do Ministério do Meio Ambiente.
O primeiro grupo defende que a delegação brasileira deva evitar estabelecer uma meta específica de redução de emissões de CO2, ao alegar que a proposta de diminuir o desmatamento da Amazônia em 80% (levando-se em conta os níveis de 2005), até 2020, proporcionará, automaticamente, cortes de poluentes da ordem de 20% nesse período.
Já o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tenta convencer o restante do governo de que é possível estabelecer uma meta de redução de emissões de 40% até 2020, já que o país deve apresentar crescimento entre 5% e 6% nos próximos anos – isto independentemente da proposta de diminuir o desmatamento em 80%. Uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias pretende definir uma posição.
Reta final
Os últimos encontros em nível internacional antes da COP-15 são a Cúpula Europeia, marcada para os dias 29 e 30 de outubro, e a Cúpula Climática da ONU em Barcelona, na Espanha, prevista para a semana de 2 a 6 de novembro. Depois dessas reuniões, todos os caminhos levam a Copenhague, capital dinamarquesa que concentrará as atenções do mundo durante apenas 11 dias, mas que poderá ser o centro de decisões vitais para o futuro do planeta por muitas e muitas décadas.
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