
Neve do Kilimanjaro não estaria resistindo às alterações climáticas/Foto: Travelling Pooh
Resistente durante mais de 11 mil anos, o gelo situado no topo do maior monte da África, o Kilimanjaro, corre o risco de desaparecer completamente até 2022, ou no melhor dos cenários, em 2033, alerta um estudo que será publicado em breve no site e na versão impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Segundo pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, a área total coberta pela neve já encolheu cerca de 85% entre 1912 e 2007.
Para os especialistas, as temperaturas mais elevadas somadas as condições meteorológicas mais secas e com menos nuvens contribuem para a sublimação e o derretimento do gelo no alto dos 5,8 mil metros da montanha, na região da Tanzânia. Os pesquisadores combinaram medidas da área congelada obtidas a partir de fotografias aéreas com dados sobre alterações na espessura do manto para determinar em que velocidade a neve tem sumido.

Área total coberta pela neve já encolheu cerca de 85% entre 1912 e 2007/Foto: appenz
As neves do Kilimanjaro ficaram eternizadas no conto de mesmo nome, escrito em 1936, pelo Nobel de Literatura Ernest Hemingway. Elas sobreviveram por 11.700 anos, mesmo com uma série de secas históricas e alterações climáticas. No atual momento, destacam os cientistas, a ausência de ações de mitigação eficaz poderá não apenas eliminar o gelo na montanha, mas também promover um significativo impacto na vida das comunidades locais na África.
Degelo no Ártico também preocupa
Em setembro deste ano, você viu aqui no EcoD que cerca de 1,5 bilhão de pessoas deverão ser afetadas em todo o mundo caso o derretimento no Ártico mantenha os níveis atuais. A informação consta no relatório Feedbacks do Clima do Ártico: Implicações Globais, divulgado pela ONG World Wildlife Fund (WWF). Segundo o documento, existe a possibilidade de o nível do mar crescer mais de um metro até 2100, inundar regiões costeiras e atingir potencialmente um quarto da população mundial.
No mesmo mês, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mostrou-se impressionado com a situação do Ártico. Ele visitou a base internacional de Ny Alesund (Noruega), onde observou de perto o impacto das mudançass climática sobre a região. “O Ártico está aquecendo mais rápido do que qualquer outro lugar na Terra e pode ficar sem gelo até 2030", relatou, na ocasião.
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