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Negociações na COP-15 terminam sem acordo oficial
Postado em Economia e Política em 19/12/2009 às 07h45
por Redação EcoD Comentários (0) RSS
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foto: ricardo stuckert/pr

Uma vergonha. Líderes de 192 países não foram capazes de definir um novo acordo climático global, nem metas eficazes de redução da emissão de gases de efeito estufa em todo o mundo. Mesmo sendo o centro das atenções globais durante duas semanas (7 a 18 de dezembro), na cidade de Copenhague, Dinamarca, em meio a holofotes, manifestações e reivindicações agressivas, os chefes de Estado não abriram mão do jogo político e estratégias comerciais em prol de um bem maior para toda a humanidade.

As negociações da 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15) terminaram na sexta-feira (18) sem acordo oficial entre países ricos e emergentes. Um novo encontro deve ser realizado no próximo semestre.

A última reunião da conferência foi realizada entre Brasil, China, Estados Unidos, África do Sul e Índia, que decidiram apresentar uma declaração de metas que ainda será analisada na plenária da COP-15. O resultado desta reunião foi criticado por países em desenvolvimento, mas saudada por líderes europeus como o primeiro passo para novas negociações.

Brasil, África do Sul, Índia, China e Estados Unidos decidiram limitar o aumento da temperatura global a 2ºC, sem prever metas para países desenvolvidos. Também ficou definido um fundo bilionário para ajudar as nações mais vulneráveis no combate às mudanças climáticas.

“O que nós fizemos, foi procurar resgatar alguma coisa daqui, desbloquear essa questão do MRV (“mensurável, reportável e verificável”, no jargão), que estava bloqueando qualquer entendimento”, afirmou o embaixador extraordinário para mudança climática do Itamaraty, Sérgio Serra, acrescentando que Lula teve papel protagonista nas negociações.

lula

Em discurso em plenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou estar "frustrado" com o resultado e prometeu ajuda financeira para os países no combate às mudanças climáticas. O tom de crítica dominou a fala de Lula. "Confesso que estou um pouco frustrado porque discutimos a questão do clima e cada vez mais constatamos que o problema é mais grave do que nós possamos imaginar".

O presidente brasileiro afirmou que vai cumprir, de qualquer forma, com as metas voluntárias de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% e emissões de gases do efeito estufa de 36,1% a 38,9%, até 2020, levando-se em conta os níveis de 1990.

Foram os EUA que propuseram o fundo bilionário, mas condicionaram a contribuição a uma "transparência" dos países envolvidos e uma possível vigilância. Sobre isso, o presidente Lula alertou que o fundo não podia ser usado como "desculpa" para intromissão nos países ajudados. A China também rechaçou um possível controle.

Nesta sexta, antes da última reunião sobre as metas, o premiê chinês faltou aos dois encontros improvisados pelos EUA e enviou um emissário - a atitude enfureceu líderes europeus e Barack Obama.

Uma nova reunião, em seis meses, deve ser realizada em Bonn, na Alemanha, para preparar a próxima conferência sobre o clima, no México, no fim de 2010. O anúncio foi feito pela chanceler alemã, Angela Merkel. As informações são da agência de notícias portuguesa Lusa.

De acordo com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, todos os países industrializados "aceitaram informar por escrito" seus compromissos para a redução das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa até 2020.

Segundo Sarkozy, a ausência de objetivos de redução das emissões mundiais em 50% até 2050, necessária para limitar o aumento da temperatura do planeta em 2 graus Celsius, é uma "decepção".

Tags: Economia e Política , Mudanças Climáticas
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