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Mulheres do Brasil
Postado em Cultura em 08/03/2009 às 12h00
por Redação EcoD
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No dia em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, o EcoDesenvolvimento.org decidiu reforçar o trabalho e apresentar o perfil de oito mulheres que trabalham e contribuem muito para o desenvolvimento sustentável de nosso país. Cada uma em sua área de atuação, todas elas já deixaram enormes contribuições para o Brasil. Elas são exemplos das inúmeras mulheres guerreiras, dedicadas, corajosas e trabalhadoras com quem convivemos todos os dias. E a todas essas mulheres, damos-lhes os nossos parabéns.

Ruth Cardoso

Ruth cardosoMuito mais do que a mulher do presidente. Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP), Ruth Correia Leite Cardoso foi um exemplo de simplicidade e dedicação aos seus objetivos. Sempre muito envolvida com o mundo acadêmico, começou ainda muito jovem a dar aulas, e foi reconhecida internacionalmente por suas pesquisas e estudos. Esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem esteve casada desde 1953, utilizou sua competência, credibilidade e entusiasmo contagiante para realizar uma grande mobilização social no Brasil.

Ruth Cardoso acreditava, e consegui transmitir a sociedade, que a Educação é a única maneira de diminuir as desigualdades sócias, emancipar pessoas e torná-las cidadãs participativas. Fez de boa parte de sua vida um estímulo constante para trabalhar por aqueles que mais precisam.

Foi ela quem idealizou o Conselho da Comunidade Solidária que, pela primeira vez no Brasil, convocou e envolveu a sociedade civil e empresariado para assumir a co-responsabilidade na busca de soluções para os problemas sociais, por meio de diversos programas, entre eles Alfabetização Solidária, Universidade Solidária e Capacitação Solidária. Ela também incentivou a criação dos primeiros centros de voluntariados no país, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Brasília, Bahia, Pernambuco e Ceará.

Ruth Cardoso faleceu em 24 de junho de 2008, aos 77 anos, vítima de um infarto, em São Paulo.

Maria Lúcia Meirelles Reis

Maria LuciaHoje com 63 anos, Maria Lucia tem o voluntariado enraizado em sua vida. Não só por opção, mas por ter crescido e convivido ao lado de bons exemplos. Sua família fundou, em 1874, o Instituto Dona Ana Rosa, em São Paulo, que hoje atende a 1.200 crianças e jovens no campo social e educacional, difundindo o voluntariado e o empreendedorismo. Mas foi sua avó que a iniciou no voluntariado desde jovem, numa obra social que acolhia mães e crianças desamparadas.

À frente das organizações Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP), Faça Parte e Todos pela Educação, podemos dizer que a mão e suor de Maria Lucia estiveram presentes em quase todas as etapas do novo voluntariado no Brasil. Ao lado pessoas como Ruth Cardoso, ela conseguiu difundir a cultura de ser voluntário e quebrar antigos preconceitos.

“O voluntariado deixou de ser considerado uma ação de caridade, realizada por pessoas desocupadas, para tornar-se um exercício de cidadania. Não é algo que acontece de cima para baixo, e sim horizontalmente, como uma troca que traz benefícios tanto para quem exerce, quanto para quem recebe”, explicou.

Ela cita também o grande apoio da imprensa na divulgação e na mobilização social: “Há alguns anos as pessoas que queriam ter alguma atuação social não sabiam como isto seria possível. Hoje revistas, jornais e programas de TV sempre abrem espaço mostrando os problemas sociais e como o voluntariado pode colaborar com suas soluções”.

Maria Rita

Maria RitaA jornalista carioca Maria Rita Pontes poderia estar agora em uma redação de jornal para exercer o papel crucial de sua profissão: informar à sociedade. Porém renunciou das próprias funções profissionais e foi além da informação: decidiu assumir e lutar pelas causas das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), em Salvador (BA) – maior instituição filantrópica do Brasil, com aproximadamente três mil servidores espalhados por 15 núcleos de assistência à população de baixa renda tanto da capital, como do interior baiano.

Em 1983, antes de vir para a Bahia e desenvolver o trabalho de cultivar os valores que Irmã Dulce, falecida em 13 de março de 1992, disseminou, Maria Rita escreveu o livro "Irmã Dulce dos Pobres”, onde relatou fatos marcantes da trajetória da freira católica, que dedicou sua vida para ajudar os que mais precisam.

A dedicação integral às Osid, a competência e a seriedade da diretora da instituição, farão com que ela seja homenageada pela Câmara Municipal com o título de Cidadã de Salvador, em 27 de maio, data em que Irmã Dulce completaria 94 anos se estivesse vida, justo no ano em que a organização comemora meio século de história. Exemplos e lições a serem seguidos. Nada mais justo.

Tânia Tavares

Tania TavaresO que uma nota 4,5 em Química no boletim de uma adolescente do 1º ano ginasial (científico) pode significar? Para a cientista Tânia Tavares, foi uma breve decepção e o início de um desafio a ser vencido. Mas quem mais saiu ganhando foi bioma marinho e a sociedade em geral. O baixo rendimento da aluna foi a origem de uma trajetória vitoriosa em prol da preservação da biodiversidade.

Pós-Graduada em Química, esta paulista radicada na Bahia coordena hoje a Representação Marinho-Costeira e Hídrica do Brasil (RMCH-BR), uma iniciativa importante da Fundação Avina em busca da sustentabilidade das águas brasileiras. Uma das conquistas da entidade foi a extensão da biosfera da Mata Atlântica para a inclusão da Rede Marinha Costeira.

Especialista em química ambiental focada para a análise de poluentes, Tânia Tavares luta há décadas contra os impactos deixados por uma já extinta fábrica de chumbo, em Santo Amaro da Purificação (BA). O metal danoso ao meio ambiente ainda infesta o Recôncavo baiano, mas o trabalho da professora alertou o Ministério Público e a imprensa para o caso, o que fez com que a Organização Mundial de Saúde aumentasse o rigor na classificação da toxicidade do chumbo como substância cancerígena.

À frente da RMCH-BR, esta mulher que venceu o preconceito no meio acadêmico e profissional superou limites, ao fazer da mobilização social um motivo para um dia poder dizer: “Eu acho que consegui fazer mais”.

Monja Coen

Monja Coen“Temos que ser a transformação que queremos no mundo”. São nessas palavras, ditas por Mahatma Gandhi, que a monja Coen Sensei busca inspiração para seus pensamentos e ações. Missionária oficial da tradição Soto Shu - Zen Budismo com sede no Japão, Monja Coen foi a primeira mulher e primeira pessoa de origem não japonesa a assumir a Presidência da Federação das Seitas Budistas do Brasil. Nos seus encontros educacionais e interreligiosos, e nas Caminhadas Zen que realiza todos os meses, a monja divulga o princípio da não violência e a criação de culturas de paz, justiça, cura da Terra e de todos os seres vivos.

Batizada de Cláudia Batista de Souza, ela foi ordenada monja em 1983 depois de iniciar seus estudos budistas no Zen Center of Los Angeles. No mesmo ano Monja Coen foi para o Japão, onde permaneceu por 12 anos. Na volta ao Brasil, em 1995, liderou as atividades no Templo Busshinji, em São Paulo, por seis anos e fundou a Comunidade Zen Budista. Em 2008, a monja recebeu o prêmio Trip Transformadores na categoria Sono. “Quando me percebi uma revolução viva, vi que era capaz de mudar o mundo”, afirmou a monja durante os debates promovidos pela revista.

Anna Penido

Ana PenidoEm 1989, a então estudante de jornalismo Anna Penido editou com alguns adolescentes um boletim diário durante os Jogos Escolares Brasileiros, em Brasília. Sob sua orientação, os jovens “repórteres” produziram e publicaram artigos sobre cidadania, cooperação, sexualidade, preconceito e drogas. Com o trabalho pronto, Ana percebeu o quanto a experiência poderia contribui para o desenvolvimento daquelas pessoas. Assim começava a jornada de uma mulher que trabalha há mais de 20 anos para dar voz a crianças e adolescentes de todo o país.

Dez anos após os primeiros trabalhos, a jornalista, já instalada em Salvador, na Bahia, fundou a ONG CIPÓ - Comunicação Interativa. Hoje a organização cria e dissemina metodologias de intervenção social que utilizam as tecnologias da comunicação para promover a garantia de direitos, o desenvolvimento e a participação de crianças, adolescentes e jovens, além de promover inserção social qualificada no mercado de trabalho. Hoje Anna está afastada do dia a dia da CIPÓ e se dedica ao trabalho de coordenadora do UNICEF dos Estados de São Paulo e Minas Gerais e Sul do Brasil.

Myrna Domit

Myrna DomitJovem, bonita e de família rica de São Paulo. Quebre seus paradigmas antes de falar de Myrna Domit. Ao contrário de muita gente, ela abriu mão da tranquilidade de uma vida confortável e percorreu o mundo ajudando a reduzir a pobreza e o sofrimento de milhares de pessoas. Foi correspondente das Nações Unidas e da agência Associated Press no Haiti durante três anos.

Ela ainda armou projetos educativos nas favelas, como o Cinema Móvel, trabalhou como assessora de imprensa do chefe da missão e ciceroneou personalidades como Angelina Jolie, Brad Pitt e Condoleeza Rice, enquanto esteve no Haiti. Atuou também na fundação Yelé, do rapper haitiano Wyclef Jean e participava de um programa diário da Rádio da ONU, com sede em Nova York. Myrna ainda encabeçou do projeto Women in Transit, que conta a história de três mulheres que vencem os desafios da big Apple dirigindo os famosos taxis amarelos. Sua visão aprofundada sobre os fatos,interesse em ajudar o outro e desejo de mostrar ao mundo situações e comportamentos das pessoas, fazem de Myrna uma mulher brasileira em destaque.

Fernanda Sá

Fernanda SáInovação e Voluntariado juntos. Utilizar as ferramentas e possibilidades da internet para ampliar ainda mais a prática das ações sociais em todo o Brasil. Esse novo caminho vem sendo trilhado com sucesso pela catarinense Fernanda Bornhausen Sá, de 46 anos.

Baseada nas tendências realizadas nos Estados Unidos, Canadá e países da Europa, Fernanda incorporou em nosso país o Voluntariado Online, ou também chamado Voluntário Sem Sair de Casa, por meio do Portal Voluntario Online, do Instituto Voluntário em Ação. A resposta foi logo animadora: “As pessoas estão muito otimistas. De acordo com nossos dados, 40% dos cadastrados são de voluntários de primeira viagem. A média é de pessoas entre 16 e 40 anos e 76% têm o ensino superior completo”.

Fernanda mostra, e também reforça, como a internet é capaz de mobilizar grupos de pessoas potenciais que estavam dispersos ou não sabiam como ajudar o próximo. “No online as barreiras de distância e horário são rompidas. O voluntário trabalha em casa ou em seu ambiente de trabalho no momento que puder”, explica. E completa: “o Voluntariado Online pode ser todo feito pela internet, sem a necessidade da presença da pessoa no campo. Alguns exemplos são: tradutores, jornalistas, pesquisadores, designers, profissionais de criação, blogueiros mobilizadores, entre muitos outros.”

Hoje Fernanda consegue juntar e encaminhar pessoas que querem contribuir para uma sociedade mais justa aos trabalhos e disponibilidades necessárias. Esse é mais um exemplo de como uma grande ideia é capaz de ampliar os horizontes para alcançarmos realmente a cidadania e, por consequência, a sustentabilidade.



Tags: Biodiversidade , Cultura , Educação , Juventude , Responsabilidade Social , Voluntariado
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Comentado por Usuário Anônimo em 02/07/2010 19:46

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