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Efeitos das mudanças climáticas favorecem à migração forçada/Foto: joiseyshowaa
Sabe aqueles filmes e seriados em que as pessoas são assoladas pelos desastres naturais, ondas gigantescas, enchentes devastadoras e secas sem precedentes? Geralmente, os roteiros de Hollywood recobrem essas tragédias com um fim bem previsível: as populações atingidas migram para outros lugares em busca da sobrevivência, não é mesmo? Mas um relatório recente elaborado por cientistas das Nações Unidas mostrou que a ficção está mais próxima da realidade do que imaginamos.
O relatório intitulado “In search of shelter - Mapping the effects of climate change on human migration and displacement”, foi apresentado na quarta-feira, 10 de junho, em meio à segunda rodada de negociações sobre as mudanças climáticas, em Bonn, na Alemanha. No documento, os pesquisadores destacam que o processo migratório devido aos efeitos do clima já começou. Pior: a tendência é a de que cresça assustadoramente nos próximos 40 anos.

Cidades não estão preparadas para mais migrações/Foto: Pieter Musterd
De acordo com os cientistas, é difícil separar os efeitos do clima de outros fatores que estimulam o deslocamento populacional, como conflitos políticos, crises econômicas, crescimento da população, destruição de ecossistemas e esgotamento de áreas cultiváveis. Segundo eles, as mudanças climáticas terão papel determinante ao ampliar todos os demais aspectos. O relatório é baseado em um levantamento global e inédito a respeito de migrações e de mudanças ambientais. Apresenta uma série de mapas que mostram como e onde podem estar às áreas com maior risco de serem atingidas.
“O clima é o invólucro no qual todos nós vivemos nossas vidas. O relatório dispara a sirene de alarme. Geralmente categorizamos os pobres como aqueles que sofrerão mais, mas as sociedades mais ricas também perderão muito”, alertou Alexander de Sherbinin, da Universidade de Colúmbia, um dos autores do trabalho.

Rio Mekong, no sudeste da Ásia, pode inudar áreas cultiváveis/Foto: Fredrik Thommesen
Ele também destacou a falência de economias baseadas em ecossistemas. A migração forçada teria como principais causas o enfraquecimento da agricultura de subsistência, pecuária e pesca. Os principais efeitos dessa migração forçada foram listados assim:
• Aumento da frequência e intensidade de desastres naturais;
• Redução de chuvas na América Central;
• Desapropriação massiva de terras;
• Aumento no nível de mar – o que colocaria cerca de 40 países em risco de extinção;
• Inundação dos 3 milhões de hectares cultiváveis às margens do rio Mekong, no Sudeste Asiático.

Mapas mostram áreas que serão mais afetadas - entre elas, boa parte dos países asiáticos
Koko Warner, chefe do Instituto para Segurança Humana e Ambiental da Universidade das Nações Unidas e principal autora do relatório, afirmou que novas maneiras de pensar e abordagens práticas são necessárias de modo a enfrentar as ameaças que a migração relacionada ao clima apresenta à segurança e ao bem-estar da humanidade.
A publicação do relatório reforça a pressão para que a conferência marcada para dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, cheguem a um acordo mais eficaz do que o Protocolo de Kyoto, a fim de que as emissões de poluentes sejam drasticamente reduzidas.
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