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Moreira: “Se já falarmos em plano B, acabaremos no F, de falhamos”
Postado em Mudanças Climáticas em 11/11/2009 às 13h20
por Redação EcoD Comentários (0) RSS
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Moreira foi condecorado pela presidência de Portugal, em abril, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique/Foto: Presidência da República Portuguesa

Na opinião de Jorge Moreira da Silva, líder do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) nas negociações da 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), o planeta tem apenas 120 meses para travar as mudanças climáticas e evitar que a temperatura mundial suba mais do que 2ºC. Ele se refere aos dez anos compreendidos entre 2010 e 2020.

Este ex-deputado português chefiou a delegação do Parlamento Europeu nas reuniões que estabeleceram o Protocolo de Kyoto, no qual foi o redator da versão final acerca do tema comércio de emissões. Descontente com as posições que tem visto dos líderes mundiais durante os encontros preparatórios para a COP-15, Moreira da Silva defende que a responsabilidade pelo futuro das gerações cabe, justamente, a esses representantes.

 climatologistas estimam que temperatura do planeta pode subir mais de 2ºc
Climatologistas estimam que temperatura do planeta pode subir mais de 2ºC/Foto: Atchuuus

“Este é o tempo dos líderes. A questão é saber se eles assumem essa capacidade ou se preferem uma adesão repleta de cinismo”, afirmou ao portal Público, de Portugal. Em um tom de dramaticidade, Jorge Moreira da Silva criticou a possibilidade de que um acordo “meia-boca” seja ratificado em dezembro. “Se já falarmos em plano B, acabaremos no F, de falhamos”.

Para o líder do Pnud sobre alterações do clima, existem três pontos fundamentais que a COP-15 precisa responder nos 11 dias reservados a ela (7 a 18 de dezembro). São eles:

• O nível de responsabilidade que a comunidade internacional assume perante as próximas gerações, limitando o aumento de temperatura do planeta a dois graus centígrados;
• O nível de ambição e solidariedade na repartição de esforços entre os países industrializados e o que será exigido as nações em desenvolvimento;
• O custo-eficiência que a comunidade internacional quer alcançar.

"Não é só cumprir as metas de redução, mas a que preço queremos cumpri-las, o que vai determinar os novos instrumentos do mercado de carbono capazes de induzir a redução de emissões ao preço mais baixo", observou Moreira da Silva. Ele acredita que a União Européia, os Estados Unidos, China e Índia são os personagens centrais desse jogo – e que por tal razão não podem ficar de fora.

O principal representante do Pnud na COP-15 teme que o evento sobre o clima mais esperado dos últimos anos repita os fracassos de Kyoto, onde ele esteve há 12 anos. “Recuso-me ao exercício de assistir novamente a esse filme. Desde 1997 até 2005, sempre que estávamos prestes a fechar uma negociação, surgiam algumas correntes sobre planos B e C na opinião pública. Assisto novamente a esse discurso, um pouco cínico, para preparar a imprensa e a sociedade para o insucesso. É um erro colossal, porque não nos podemos dar ao luxo de falhar em Copenhague”, concluiu.

Em outubro deste ano, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou que "não existe um plano B", em discurso realizado durante um fórum em Londres, onde estavam reunidos os representantes dos 17 países que mais emitem gases de efeito estufa em todo o mundo. A declaração do premiê buscou destacar a necessidade de os governos assinarem um documento capaz de suceder o Protocolo de Kyoto, que vai expirar em 2012.


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Tags: Ciência e Tecnologia , Economia e Política , Mudanças Climáticas
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