
Para o ministro, a reprodução de conhecimento e a falta de estímulo à criticidade nos vestibulares federais prejudicam o desenvolvimento do país / Foto: sxc.hu
O ministro da educação, Fernando Haddad, mostrou-se insatisfeito com o atual processo seletivo nas universidades federais e pretende testar um novo modelo em 2010. Em entrevista à rádio BandNews nesta terça-feira, 17 de março, o ministro afirmou que os vestibulares não estimulam a análise critica dos estudantes.
Segundo Haddad, o atual sistema de seleção prioriza apenas a memorização e reflete negativamente no ensino médio do país. “O vestibular nos moldes de hoje produz efeitos deletérios sobre o currículo do ensino médio, que está cada vez mais voltado para a decoreba”, enfatizou.
“Se nós não alterarmos isso, sinalizando para o ensino médio que queremos outro tipo de formação, mais voltada para a solução de problemas, vamos continuar reproduzindo conhecimento que não ajuda o Brasil a se desenvolver”, concluiu Haddad.
O novo modelo proposto pelo ministro adotará o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como a avaliação da primeira fase, aproveitando os assuntos gerais da prova. Na segunda etapa, o conteúdo será específico, como já acontece, mas com perguntas que julguem a capacidade analítica dos estudantes.
Para o ministro, as provas da segunda fase deveriam ser iguais em todo o país, já que hoje cada instituição desenvolve o seu próprio exame. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) seria o responsável pela elaboração dos exames. Haddad acredita que isso ajudaria na expansão das universidades, possibilitando a migração de candidatos aos vestibulares de diferentes estados.