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Foto: Davichi
Para marcar o Dia Nacional de Combate ao fumo, celebrado no último domingo, 29 de agosto, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou nesta segunda-feira (31) a Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab).
A publicação teve como objetivo produzir estimativas nacionais e regionais sobre o uso do tabaco, exposição ambiental à fumaça do tabaco e cessação, avaliar o impacto do controle do tabagismo e as iniciativas de prevenção, reforçar a capacidade dos países para projetar, implementar e avaliar os programas de controle e prevenção do uso do tabaco e permitir a comparabilidade internacional dos dados.
Segundo o relatório, realizado pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, através do INCA, Secretaria de Vigilância Sanitária, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Fundação Oswaldo Cruz, OMS, OPAS, Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Escola de Saúde Pública Johns Hopkins e Fundação Bloomberg, ainda existem no Brasil 25 milhões de fumantes com idade igual ou superior a 15 anos.
De acordo com os resultados da PETab, o total de fumantes correspondeu a 17,2% da população acima de 15 anos, com predominância entre os homens (21,6%), as pessoas de 45 a 64 anos de idade (22,7%), os moradores da região Sul (19,0%), os que viviam na área rural (20,4%), os menos escolarizados (25,7% entre os sem instrução ou com menos de um ano de estudo) e os de menor renda (23,1% entre os sem rendimento ou com menos de um quarto de salário mínimo).
Em relação à exposição ao fumo passivo, um em cada cinco indivíduos foi exposto à fumaça de tabaco em lugares públicos, o que representou, em 2008, 26 milhões de indivíduos, entre quais 22 milhões eram não-fumantes. Em unidades de saúde, 4% dos entrevistados relataram que foram expostos à fumaça do tabaco, o que representou cerca de 6 milhões de indivíduos, sendo 5 milhões de não fumantes.

Imagens: PETab
A pesquisa ainda revelou que apesar de 96,1% dos adultos acreditarem que fumar causa doenças graves, menos da metade dos fumantes (45,6%) tentaram parar de fumar nos últimos 12 meses.
Outro destaque é o valor gasto com o vício. Segundo o documento, o preço médio do maço de cigarros industrializados é de R$ 2,56, o que leva a um gasto médio mensal individual de R$ 55,50 ou quase R$ 670,00 anualmente.
Segundo o relatório, que foi aplicado em outras 13 nações de média e baixa renda consideradas “mega países” em termos de população, quase 180 milhões de pessoas em todo o mundo irão morrer de doenças relacionadas ao cigarro em 2030, a maioria em países em desenvolvimento. Foram aplicados questionários em residentes das áreas urbanas e rurais do Brasil em 51.011 domicílios.
Jovens e mulheres
Um das grandes preocupações dos especialistas que avaliaram o documento é o rápido avanço no número de jovens fumantes. Segundo a pesquisa, eles correspondem a 10,7% dos fumantes do país, ou quase três milhões de pessoas.
Nessa faixa etária, os homens fumam 2,5 vezes mais do que as mulheres. Porém, elas agora estão começando a fumar antes dos 15 anos. São também os jovens os que menos procuram algum tipo de ajuda para deixar de fumar, apesar de 48% dessas pessoas terem relatado pelo menos uma tentativa nos últimos 12 meses.
Entre os fumantes que tentam abandonar o tabaco, as mulheres são as mais bem sucedidas e conseguem parar de fumar numa proporção duas vezes maior do que a dos homens.

No Nordeste e no Centro-Oeste, a proporção de jovens que começa a fumar antes dos 15 anos é maior do que nas outras regiões. A pesquisa mostrou ainda que a geração de brasileiros nascida a partir da década de 80, isto é, com até 30 anos, começa a fumar, em média, aos 17 anos.
Para a gerente de Divisão de Epidemiologia do Inca, Liz Maria de Almeida, uma das maiores preocupações é a vulnerabilidade dos jovens frente à indústria do tabaco. “Se consegue tornar o jovem dependente desde cedo ele garante o comprador até o final da vida”, lamentou a especialista, que defendeu uma estratégia específica para mostrar os problemas do tabagismo para as pessoas dessa faixa etária.
Ar mais puro nas baladas
Um ano após a lei estadual antifumo entrar em vigor, os baladeiros do Rio de Janeiro podem respirar um ar mais puro. É o que afirma um estudo do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas de São Paulo. O resultado mostrou que houve redução de 50%, em média, nos níveis de monóxido de carbono em bares, casas noturnas e restaurantes do Rio de Janeiro.
Feita em conjunto com a Sesdec (Secretaria de Estado de Saúde) e a Defesa Civil do Rio de Janeiro, a pesquisa revelou que houve queda de 1.4 ppm (partes por milhão) na concentração do gás nas áreas estudadas. Em alguns lugares, as medições caíram de 5 ppm para 1 ppm, nível muito próximo do encontrado em áreas livres da cidade – menos de 1 ppm.
“Essa mudança equivale a sair de um período de horas parado em um túnel congestionado de carros, numa capital poluída como São Paulo, para o ar respirado em um parque arborizado”, afirmou Jaqueline Scholz Issa, cardiologista e coordenadora da pesquisa.
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