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O ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, em cena do documentário "Uma Verdade Inconveniente"/Foto: Juampe López
"Podemos solucionar completamente a crise do clima, com folga". A frase do ex-vice-presidente norte-americano, Al Gore, em entrevista publicada nesta segunda-feira, 15 de março, no jornal Folha de S.Paulo, nem parece que foi pronunciada depois do fracasso recente da 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP15) e da atual crise que envolve o Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC, na sigla em inglês) da ONU.
No entanto, o otimismo de Al Gore segue como característica intacta do ativista que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007, juntamente com o hoje contestado IPCC. O novo livro dele, "Nossa Escolha" (editora Manole), reúne soluções para o clima mundial discutidas em 30 cúpulas sobre o assunto.
Segundo o membro do partido Democrata, tudo depende de o mundo investir em uma economia de baixo carbono, o que inclui investimentos em energias renováveis (como biomassa, eólica e solar); transportes, construções e agricultura sustentáveis.
"O Brasil, por exemplo, tem liderado o mundo ao inovar um meio muito eficaz de empregar biomassa [cana-de-açúcar] para substituir combustíveis líquidos baseados em petróleo. De modo similar, outros países fizeram progressos em energia solar, eólica e geotérmica. Portanto, não acho que seja otimista demais, de jeito nenhum. Mas o ingrediente essencial continua a ser vontade política", observou Al Gore.
Céticos
Sobre os chamados "céticos do clima", que contestam as mudanças climáticas e o consequente aquecimento global, Al Gore afirmou que eles não querem assumir a responsabilidade pelas emissões de gases causadores de efeito estufa na atmosfera.
"Há alguns que acreditam genuinamente que não se trata de uma crise, mas o grosso da oposição vem dos maiores poluidores de carbono [...] eles estão atacando os cientistas que conduziram os estudos mostrando conclusivamente que a poluição do aquecimento global produzida pelo homem está causando a crise do clima", defendeu Al Gore.
Cap and Trade, COPs e EUA
Durante a entrevista, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos também defendeu o sistema de limites e comércio de permissões para emissão de carbono (cap-and-trade). "A vantagem da abordagem cap-and-trade está na eficiência oferecida para a coordenação global, sem requerer que os governos tomem decisões todos os dias. Se os valores estão incluídos no mercado, então o mercado pode ser um aliado na seleção de todas essas possibilidades".
Para Al Gore, o fracasso da COP15 deveu-se, significativamente, ao fato de o Senado dos Estados Unidos ter falhado ao não aprovar a legislação ambiental proposta pelo governo de Barack Obama antes da cúpula de Copenhague. "Como ele não podia pôr essa legislação sobre a mesa, os chineses resistiram a fazer concessões de seu lado, de modo que os dois maiores poluidores deixaram de agir. Isso fez o restante do mundo adiar a ação", argumentou.
No entanto, o ativista acredita que a COP16, que será realizada em dezembro, em Cancún (México), deverá ter um resultado melhor do que a conferência da Dinamarca. "Se os EUA aprovarem a legislação antes da conferência de Cancún, poderemos ver uma dinâmica muito diferente em ação", projetou.
Al Gore estará no Brasil nos dias 26 e 27 de março, onde participará do Fórum Internacional de Sustentabilidade, em Manaus (Amazônia). O evento também contará com a presença do cientista Tom Lovejoy, que apresentou o bioma amazônico ao ex-vice-presidente dos EUA há 30 anos. O cineasta James Cameron, criador de Avatar, é outro convidado ilustre do encontro.
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