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Cabeças de gado em meio a área de preservação/Foto: leoffreitas
Ao financiar o desmatamento da Amazônia, o governo brasileiro é “sócio da destruição” do bioma. Quem acusa é a ONG ambientalista Greenpeace, que divulgou um relatório na segunda-feira, 1º de junho, em que apresenta indicativos de que o poder público federal destinou recursos para a criação de gado em áreas desmatadas ilegalmente. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o principal alvo das acusações da organização.
De acordo com o Greenpeace, o governo brasileiro tem sido um sócio das grandes empresas do setor agropecuário e de exportações de carne, beneficiadas pelos empréstimos concedidos pelo BNDES aos maiores criadores de gado do país. Tais recursos, avaliados em cerca de R$ 5,2 bilhões teriam sido destinados entre os anos de 2007 e 2009.
"Os três produtores que receberam a maior parcela dos investimentos do governo brasileiro incluem um dos maiores exportadores mundiais de couro e o maior exportador mundial de carne (controlando ao menos 10% da produção global)", afirma o relatório. O documento apresentado pela ONG criticou o que chamou de fornecimento de capital proveniente do governo para a expansão da infraestrutura necessária para a criação de gado na região da Amazônia.
No gráfico abaixo, a ONG apresenta a taxa de desmatamento anual, comparada aos preços da soja e do gado (1994 a 2006):

Gráfico: Divulgação
Segundo o Greenpeace, os criadores de gado na Amazônia brasileira são hoje os maiores responsáveis pelo desmatamento no mundo, pois respondem por um em cada oito hectares desmatados globalmente. O relatório observou que o Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases do efeito estufa e que a maior parte de suas emissões vêm do desmatamento na região amazônica.
"Acabar com o desmatamento é uma parte essencial da estratégia global de combate às mudanças climáticas e para preservar a biodiversidade", defendeu a ONG. O crescimento da criação de gado nessas áreas ameaça a meta do governo brasileiro de cortar o desmatamento em 72% até 2018.
Defesa
A assessoria de comunicação do BNDES afirmou que deixaria de se pronunciar sobre o caso porque não recebeu oficialmente o estudo. No entanto, procurou deixar claro que somente os projetos com licença ambiental têm acesso às suas linhas de financiamento. O banco assegurou que nos casos com indício de irregularidade ambiental, o assunto é investigado e, se comprovada a irregularidade, a empresa pode ter sua linha de crédito suspensa.
Já o Ministério do Meio Ambiente (MMA) não se pronunciou sobre a divulgação do relatório até a manhã desta terça-feira, 2 de junho.
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