| O que você espera da Rio+20? | |

Inciativas verdes: na teoria ou na prática? / Foto: Trey Ratcliff
O envolvimento da moda na defesa pelo meio ambiente tem sido rotina nas notícias e para o grande público. A opção por tecidos ecoeficientes e a contribuição com as florestas são as principais iniciativas que vemos por parte de organizações, estilistas e grandes marcas da moda.
Mas é certo afirmar que as contradições também permeiam o cenário fashion e o difícil acaba sendo achar uma grande marca verdadeiramente “limpa”, que não tenha verdadeiros abismos entre a teoria e a sua prática.
Recentemente, a grife de origem italiana Gucci adotou uma posição menos agressiva ao lidar com a questão das florestas. Uniu-se a Rainforest Action Network para ajudar na preservação e tornar o uso de papel na produção mais responsável.
Em parceria com a organização, a Gucci, que agrega outros “pesados” nomes da moda como Alexander McQueen e Yves Saint Laurent, cortou o abastecimento de papel oriundo de florestas e plantações da Indonésia, assim como o material proveniente do fornecedor Ásia Pulp and Paper, fabricante de papel sediada em Cingapura.

Sim para flora e Não para fauna - Os animais ainda não têm espaço entre as boas iniciativas de grandes grifes. Na imagem, bolsas da coleção verão 2010 da francesa Louis Vuitton
Segundo Mimma Viglezio, vice-presidente da comunicação global do grupo, a intenção da ação é minimizar a pegada ecológica, ou seja, reduzir a emissão de carbono e contribuir com a divulgação de uma consciência ambiental na indústria da moda.
“Apoiar as florestas tropicais não é um luxo, mas uma necessidade se o mundo pretende acabar com as mudanças climáticas. Esperamos que as nossas ações alertem a indústria da moda e que esta tenha consciência que o nosso meio pode fazer a diferença para o planeta e para as florestas”, pontua Mimma.
E pontuou corretamente, mas o que falar sobre quase todas as coleções da Gucci ter casacos de pele de animais?
Em postura semelhante, porém com o toque “grandioso” que lhe é habitual, a Louis Vuitton preferiu ir além do uso consciente de um dos recursos provenientes das florestas e decidiu “criar” uma floresta.
A Louis Vuitton Forest (ou Floresta Louis Vuitton) fica em Nagano, na cidade de Komoro no Japão, e conta com a parceria da organização More Trees, uma iniciativa global de reflorestamento.

Ryuichi Sakamoto (More Trees) e Patrick Louis Vuiton
Na área de 104 hectares adotada pela grife, mudas de plantas nativas serão plantadas e cuidadas pela More Trees, enquanto a parte do investimento financeiro fica por conta da Louis Vuitton. Além da parte financeira, a marca também se comprometeu em realizar a compensação de carbono e divulgar iniciativas de apoio ao reflorestamento.
Mas para a Louis Vuitton, o que seria exatamente divulgar boas iniciativas? Afinal, em sua última coleção de bolsas (primavera verão 2010), o uso de pele de raposa foi abundante e duramente criticado, porém, aparentemente em nada afetou suas vendas.
Definitivamente as árvores fazem parte da preocupação das grifes, resta saber se o uso de peles, o comércio justo e claro e o consumo consciente também irão compor a rotina das grandes marcas da moda.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD