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Principais líderes do mundo estão reunidos em Londres para as discussões do G-20/Foto: London Summit
As rodadas de negociações do G-20, grupo dos países mais desenvolvidos do mundo e economias emergentes começam nesta quinta-feira, 2 de abril, em Londres, Inglaterra. O encontro dos principais líderes mundiais deverá ter a atual crise financeira global como fio-condutor das discussões, mas, pela primeira vez, a comunidade internacional alimenta a expectativa de que os problemas referentes ao meio ambiente também tenham o papel de protagonista nos debates, juntamente com os assuntos econômicos e sociais.
Desde a sua criação, em 1999, o G-20 teve como principal característica a centralização acerca das discussões econômicas, perpassando levemente pelas sociais, mas sem considerar de forma adequada os aspectos referentes a sustentabilidade ambiental do planeta, cada vez mais ameaçada. No entanto, os chefes de Estado indicam que já dormiram demais no ponto e que entendem a atual crise como um conjunto de fatores econômicos, sociais e ambientais.

Barack Obama, presidente dos EUA, (ao centro) estreia no G-20/Foto: London Summit
Nos bastidores do encontro que tem início nesta quinta-feira, os líderes mundiais apontavam a tendência de que o G-20 será marcado pela recorrência de discussões para achar saídas capazes de manter o crescimento comercial e industrial, a fim de reduzir os preocupantes índices de desemprego, mas dando ênfase na necessidade de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2), responsáveis não apenas pelo aquecimento global, até porque ao provocarem as mudanças climáticas, ocasionam a queda da produção.
Portanto, os principais objetivos e desafios em questão na reunião do G-20 incluem os mecanismos de se dobrar a instabilidade financeira, a degradação do meio ambiente e o crescimento tanto da pobreza, como da fome. Todavia, resolver tais problemas está longe de ser uma parada fácil. “Nós não estamos lidando com um evento, mas com um processo. Não esperem ter a solução que vai salvar o mundo como resultado da reunião em Londres”, adiantou Lorde Peter Mandelson, ministro dos Negócios, Empreendimentos e Reforma Regulatória do Reino Unido.
Brasil
O governo brasileiro deve ter papel de destaque nos debates do G-20. Um bom motivo para essa afirmação é o fato de que a biodiversidade do território brasileiro, onde a região amazônica tem papel central, poderá fazer do país uma potência mundial antes do que se imagina, levando-se em conta que os demais países deverão ficar cada vez mais dependentes dos recursos naturais abundantes por aqui – realidade que incide nos âmbitos econômicos, ambientais e sociais.

Brown e Lula: líderes do governo britânico e brasileiro esperam travar boas relações durente o G-20/Foto: London Summit
Não por acaso, Gordon Brown, primeiro ministro britânico, destacou a importância brasileira no cenário internacional em visita ao país na semana passada, quando esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nenhuma conversa sobre futuro da economia global tem sentido sem o Brasil, que é a 10ª economia do mundo. Nenhuma discussão sobre clima pode acontecer sem a nação que abriga a maior floresta tropical do mundo e uma sociedade tolerante, onde muitas comunidades diferentes convivem juntas”, salientou.
Discurso e prática
Há dez anos, desde a primeira edição do G-20, analistas de todo o mundo criticam as disparidades entre o discurso e a prática quanto as alternativas propostas nas negociações. De acordo com esses especialistas, boa parte dos líderes mundiais estão acostumados a capricharem na oratória e pecarem demais nas ações. “Um exemplo, é o próprio Reino Unido, que coloca a questão do baixo carbono como um dos quatro pilares de atuação do governo, mas destina apenas 7% de verba para isso. Já o Brasil, não tem discurso, nem investimento”, alfinetou Sérgio Leitão, diretor de ações do Greenpeace.
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