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Referência nacional em cidadania, Porto Alegre recebeu milhares de pessoas para o Fórum Social Mundial 2010
Foram cinco dias de uma verdadeira ebulição referente à diversos temas no Rio Grande do Sul, mas já que a atual proposta é descentralizar, o Fórum Social Mundial já se despede dos pampas nesta sexta-feira, 29 de janeiro, e já respira os ares baianos de Salvador. Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, 35 mil pessoas participaram das 915 atividades promovidas, entre conferências, seminários, oficinas e apresentações culturais.
Dez anos depois de ter sido concebido no Rio Grande do Sul, o FSM Grande Porto Alegre contou com representantes de 39 países, sendo quatro deles haitianos e um hondurenho - habitantes de nações com problemas estruturais e tensões políticas de grande gravidade atualmente.

Em meio as atividades, atrações culturais divertiram os participantes do FSM no Rio Grande do Sul/Foto: Renato Araújo/ABr
Do encontro, que fez uma avaliação e debateu os rumos das próximas edições, sairá uma lista de pontos abordados e uma contribuição para os futuros processos. No decorrer deste ano, o fórum será abrigado por cidades de todo o mundo, como Madri (Espanha) e Nairóbi (Quênia). Já em 2011, o FSM será realizado em Dakar, capital do Senegal, no continente africano.
Balanço
Na avaliação do idealizador do FSM, Oded Grajew, o balanço dos dez anos de evento é positivo, a medida que os encontros, segundo ele, ajudaram a mudar o panorama político da América Latina e outras regiões do mundo. "A sociedade civil organizada estava muito fragmentada antes do fórum, agora está mais ativa".
Ao ser perguntado sobre o que foi possível conseguir em uma década, o também fundador do Movimento Nossa São Paulo usou uma metáfora. "Olha, quando nos olhamos todos os dias no espelho, às vezes, não notamos mudança nenhuma. Mas quando pegamos fotografias de dez anos atrás já conseguimos ver o que mudou. Neste caso, o ideal seríamos comparar a fotografia da própria América Latina, do Brasil há dez anos com a de agora. O modelo neoliberal parecia o único a ser seguido. Hoje é diferente", exemplificou.

Integrantes da Plenária da Marcha das Mulheres se manifestam durante o Fórum Social Mundial, em Gravataí (RS). Oded Grajew acredita em interesse maior da sociedade civil organizada/Foto: Renato Araújo/ABr
Em seguida, ao comentar o fato de o Fórum Econômico Mundial de Davos ter eleito o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como estadista global, Oded Grajew não poupou críticas e ironias em relação ao evento realizado na Suíça. "Não vejo essa escolha como um sinal de que eles [países ricos] estão se preocupando mais com os emergentes. Acho que nada que venha de lá possa ser bom. Mas tenho que admitir, apesar de nunca ter participado do fórum deles, que é uma cidade muito bonita, chique, onde são servidos ótimos vinhos. Aliás, quem aplica o que eles pregam lá costuma se dar muito mal, mergulhando em profundas crises".
Encerramento
Ao final da manhã de sexta-feira, 29 de janeiro, uma marcha de participantes do Fórum Social Mundial Porto Alegre se dirigiu da Usina do Gasômetro até a Assembleia Legislativa, em um ato que marcou o encerramento das atividades na capital gaúcha. Até o final a noite, as cidades que abrigaram o evento (Porto Alegre, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapiranga, Gravataí e Canoas) realizarão os últimos shows relacionados ao FSM. Os sons do Nenhum de Nós e Kleiton e Kledir (Porto Alegre) e o dos Racionais MCs (Canoas) prometem deixar gaúchos e turistas com uma saudade ainda mais intensa da semana que agora chega ao fim, quando se disseminou o sentimento de que "um outro mundo é possível".
O FSM Grande Porto Alegre em números:
Fonte: Assessoria de Comunicação do evento.
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