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Filantrocapitalismo: altruísmo e eficiência de mercado unidos por um mundo melhor
Postado em Responsabilidade Social em 29/12/2009 às 15h40
por Redação EcoD
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Filantrocapitalismo: unir a expertise da empresa e suas boas práticas de gestão, marketing e planejamento estratégico à arena dos projetos sem fins lucrativos

“Quando em 2006, cunhei o termo ‘filantrocapitalismo’ num extenso artigo para o The Economist, eu não tinha ideia que poderia desencadear tanto debate. Ele é caricaturado frequentemente como sendo apenas um interesse em desempenho e mensuração, mas eu acredito que seja muito mais do que isso. Acredito que marca uma nova partida radical na filantropia e no capitalismo com consequências sociais e políticas de longo alcance.”

Foi assim que o jornalista da revista inglesa The Economist, Matthew Bishop, começou o seu debate no Fórum Global de Filantropia 2009. As palavras apenas reforçavam a ideia defendida por Bishop e pelo seu colega, o funcionário do Departamento de Desenvolvimento Internacional da Inglaterra, Michael Green, no livro Philanthrocapitalism ("Filantrocapitalismo", em uma tradução livre, sem previsão de publicação no Brasil).

A obra, publicada em 2008 pela Bloomsbury, descreve um novo perfil dos filantropos atuais. Segundo os autores, a humanidade nunca possuiu tantos milionários dispostos a doar parte de suas fortunas para iniciativas de combate às desigualdades e de proteção ao homem e ao meio ambiente. Mas o que torna essa geração de bem-feitores especial é a sua habilidade de transpor para a filantropia tudo aquilo que os consagrou no mundo dos negócios.

Assim, surgiu uma nova forma de colaborar com aqueles que precisam: unindo a eficiência do capitalismo com os princípios da filantropia. Dessa união nasceu o termo “filantrocapitalismo”, definido por Bishop como “um fenômeno global” capaz de utilizar o talento, o know-how e as influências de pessoas de sucesso em prol da solução de problemas como a educação, doenças, mudanças climáticas e terrorismo.

De milionários a filantropos

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Bill Gates é apontado como um dos filantrocapitalistas mais atuantes no cenário atual

Grandes nomes do capitalismo mundial, como fundador da Microsoft, Bill Gates, o chefe britânico dos fundos Hedge, Christopher Cooper-Hohn, o fundador da eBay, Jeff Skoll, o bilionário mexicano das telecomunicações, Carlos Slim, o magnata indiano de softwares, Azim Premji e o chefão de telefonia móbil do Sudão, Mo Ibrahim, são alguns dos exemplos de filantrocapitalistas que estão transformando a realidade em diversas partes do mundo de forma inovadora.

“O que eles têm em comum é que são homens e mulheres vencedores por esforço próprio e que fizeram fortunas espetaculares reconhecendo tendências, desafiando ortodoxias e abraçando as oportunidades de globalização e de mudanças tecnológicas. Além de terem enormes fortunas para doar, eles têm os relacionamentos, as influências e o entendimento de como funciona o mundo”, diz Bishop.

filantrocapitalismo_foto_livro.jpgO investidor norte-americano Warren Buffett, por exemplo, tem utilizado seu talento com as finanças para investir em doações. Repetindo a mesma fórmula que utiliza para fazer aplicações nas suas empresas, ele aplica suas doações naquilo que ele acredita ser o “melhor negócio”, como as iniciativas da Fundação Bill and Melinda Gates.

Seja lidando com grandes movimentações, como fez o magnata da mídia americana, Ted Turner, ao anunciar um investimento de US$1 bilhão para sustentar as Nações Unidas em 1997, ou mobilizando a opinião publica em defesa do desenvolvimento de países pobres, com faz o cantor Bono Vox, o importante é utilizar os recursos disponíveis da forma mais eficiente e ambiciosa possível.

“Pessoas como Carlos Slim, que prometeu doar US$10 bilhões para lutar contra a pobreza na América Latina ou Azim Premji, que está levando educação para crianças pobres, trazem novas percepções e competências para o desafio do desenvolvimento”, acredita o autor.

Para ele, o melhor exemplo de filantropismo atual vem do sudanês Mo Ibrahim. “Sua experiência nos negócios o convenceu que a pobreza da África será derrotada somente pelas mudanças políticas; ele usa seu prêmio anual de melhor político africano outorgando-o a quem dê abertura para debater as lideranças políticas”, diz.

O objetivo, portanto, é unir a força do capitalismo, capaz de criar um ambiente onde a inovação é premiada, com o objetivo maior da filantropia, que é levar isso para o mundo das doações. “É desafiante para os titulares, é tumultuante e erros serão cometidos. No entanto, a sua ‘destruição criativa’ poderá trazer não somente um ‘boom’ nas doações como também um surto com seu impacto”, defende Bishop.

Tendência global

A revista americana de finanças Barron publicou nesse mês uma lista com os 25 melhores filantropos do mundo. A pesquisa, feita em parceria com a Global Philantropy Group, elegeu não aqueles que mais doam, mas sim as iniciativas que atingiram os melhores resultados.

O primeiro lugar ficou com outro fundador da eBay, Pierre Omidyar. Ele possui uma rede que funciona como um fundo de gestão de risco, no valor de US$100 milhões, que aposta em vários negócios sociais e em inovações como a Wikipedia, os micro seguros e em tecnologia que melhore a transparência das instituições governamentais.

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Bishop sobre os novos filantropos: "Eles precisam ser inovadores, ponderados, analíticos, induzidos, cooperativos e brutalmente honestos e autocríticos sobre como estão indo"

Em um artigo publicado em 2007 na revista Alliance, a coordenadora do Programa Global Trustees da CAF, Olga Alexeeva, afirma que uma nova filantropia está emergindo em países e regiões que tradicionalmente eram alvo de ajuda, como o Sudeste Asiático, a América Latina, Índia, Rússia e China.

Com as mudanças políticas e econômicas dos últimos dez anos a filantropia ganhou não apenas novos contornos, mas também novas fronteiras. Cada vez mais presente em países como o Brasil, a o México e a Índia, essa prática introduz a expertise da empresa e suas boas práticas de gestão, marketing e planejamento estratégico na arena dos projetos sem fins lucrativos.

“Antes, no modelo tradicional, a intervenção social ocorria por meio de um testamento: o empresário morria e deixava a sua fortuna para um instituto ou fundação. Hoje não. Temos um filantropo, um investidor social jovem, que quer fazer em vida, engajando-se na atividade e colocando todo o seu conhecimento de negócio nessa intervenção social", diz a especialista.

Opiniões divergentes

Apesar das aparentes vantagens, o filantrocapitalismo é criticado por alguns. Esses críticos acreditam que, de alguma forma, a prática pode minar a democracia e a sociedade civil e corroer a responsabilidade governamental. “O medo ao poder político dos ricos não é novidade, mas moldar o rico como inevitavelmente auto-indulgente e antidemocrático está errado” defende Bishop.

Independente das opiniões diversas, Bishop conclui: “o filantrocapitalismo terá sucesso em alcançar seu considerável potencial somente se seus expoentes levarem a sério os desafios de comportarem-se como empresários para lidar com os grandes temas de hoje. Eles precisam ser inovadores, ponderados, analíticos, induzidos, cooperativos e, como não existem parâmetros simples de sucesso em filantropia, brutalmente honestos e autocríticos sobre como estão indo. Felicito-os para que tenham sucesso.”


Ouça:

Leia mais:


Confira no vídeo abaixo uma palestra de Matthew Bishop durante a conferência Doing Good and Doing Well na IESE Barcelona:



Tags: Economia e Política , Empreendedorismo , Empresa Sustentável , Micro e Pequenos EcoNegócios , Responsabilidade Social
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