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As fibras do sisal são biodegradáveis e deverão compor o painél dos carros/Foto: Auntie P
A Região Sisaleira baiana destaca-se pela qualidade e beleza do artesanato local, exportado para países da América Central e da Europa. Mas, agora, a fibra de sisal está bem próxima de compor o acabamento dos carros fabricados pela Ford, na Bahia. O material deverá substituir ao plástico e a fibra de vidro dos painéis dos veículos produzidas pela montadora no Estado. Além de ampliar a cadeia produtiva do recurso, o governo baiano procura investir numa alternativa “verde” para a preservação ambiental.
No dia 14 de janeiro, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que apóia o Arranjo Produtivo Local do Sisal, estabeleceu conversações com a Ford com o objetivo de viabilizar o fornecimento da fibra de sisal para a montadora. Ismael Ferreira, diretor-executivo da Associação do Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (Apaeb), aproveitou o encontro para convidar representantes da empresa automobilística para uma visita técnica à região, a fim de que conheçam a cadeia produtiva do sisal.
Atualmente, a Bahia responde por 25% da produção nacional de fibra do sisal e responde por 100 mil toneladas/ano do produto, em 32 municípios. Ferreira enfatizou que caso a Ford se interesse pela fibra do sisal baiano, a produção não será problema e o fornecimento estará garantido.

Os painéis dos carros são feitos com plástico e fibra de vidro, materiais lesivos ao meio ambiente/Foto: ÁlvaroCastroJúnior
Um estudo desenvolvido por Joseane Dantas, pesquisadora de polímeros do Senai-BA, demonstrou que se 20% do acabamento dos carros fossem feitos com fibra de sisal, 45% de toda a produção nacional seria utilizada pela indústria automotiva, o que geraria demanda por expansão. Segundo a especialista, um carro de passeio tem, em média, 200 quilos de plástico. Já o produto do sisal é biodegradável.
Luc de Ferran, consultor da indústria automotiva, observou que o sisal demanda menos energia na produção e tem impacto ambiental muito menor que o da fibra de vidro. A Ford já ensaia o uso dessa matéria-prima de forma experimental.
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