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Centros de reciclagem são grandes fontes de empregos verdes hoje no Brasil/Foto: gabeira43
A palavra da moda parece ser mesmo “emprego verde”. Em todos os lugares é possível ouvir falar desse termo que promete ser a solução para muitos dos problemas que o mundo enfrenta atualmente. Mas onde estão esses empregos? Segundo uma pesquisa recente realizada pelo Pew Charitable Trusts, eles estão mais próximo do que se imagina e o mundo está prestes a presenciar uma verdadeira explosão dessa nova vertente da economia mundial que irá impulsionar a geração de renda e criar uma revolução em tecnologias limpas.
De acordo com o estudo, o crescimento dessa vertente da economia – geração de energia limpa e renovável – foi de 9.1% entre 1998 e 2007, enquanto que os empregos tradicionais cresceram 3,7%. Um aumento significativo, mas nada comparado com o que vem pela frente. Segundo o Lori Grange, diretor interino do Pew Center nos Estados Unidos, a economia baseada nas energias limpas está pronta para um crescimento explosivo nos próximos anos.
O estudo mostra que setores públicos e privados estão trabalhando pesado para construir um futuro econômico mais forte e sustentável. Segundo o relatório, a indústria de energias renováveis, ainda em fase de desenvolvimento, está emergindo como um componente vital do novo cenário econômico da América, capaz de desenvolver fontes de energia limpa e renovável, gerar mais eficiência energética, reduzir a emissão de gases do efeito estufa e conservar água e recursos naturais.
“Nós percebemos que os empregos e negócios da emergente economia das energias limpas estão crescendo mais rápido que as demais áreas nos Estados Unidos. E eles estão preparados para um desenvolvimento ainda maior, impulsionados pela crescente procura dos consumidores, por injeções de capital por parte de investidores ávidos em capitalizar as novas oportunidades de mercado, e pelas reformas políticas de legisladores federais e estaduais que visam impulsionar a cobrança fiscal, reduzir a dependência do petróleo estrangeiro e proteger o meio ambiente”, afirmaram os responsáveis pela pesquisa.
Em todo o país, legisladores estaduais estão procurando atingir o objetivo duplo do crescimento econômico e desenvolvimento sustentável. Um crescente número de estados está implantando políticas para capitalizar a economia de energias limpas, desde portfólios renováveis e normas de eficiência energética até incentivos financeiros para setores públicos e privados de inovação e investimento na área.
“A nação precisa de um plano abrangente de economia em escala global, um mercado com base em um sistema que irá reduzir significativamente as emissões que causam o aquecimento global e gerar mais abastecimento energético limpo e a partir de fonte renovável na América”, disseram os pesquisadores.
Melhores empregos

Com cartazes de "empregos verdes agora" e "estou pronta", os americanos mostram que estão preparados para uma nova economia/Foto: greenforall.org
Hoje já existem 777 mil empregos de “colarinho verde” nos Estados Unidos. Apesar de pouco, se comparado com todos os empregos gerados no país, esse setor teve um crescimento 2,5 maior que as demais áreas e foi responsável por cerca de 80% de todos os investimentos de capital de risco feitos em 2008, batendo o de telecomunicações, mídia e demais.
O estudo aponta que a emergente área de energia limpa está criando empregos bem remunerados para pessoas em todos os níveis de educação. Entre as profissões destacadas pela pesquisa estão a de engenheiros, encanadores, assistentes administrativos, trabalhadores da construção civil, operadores de máquinas, comerciários, consultores, professores e muitos outros, com rendimentos anuais que variam de US$ 21 mil a US$ 111 mil.
Apesar de uma leve estagnada em 2009, o investimento na área de tecnologia limpa ainda ultrapassou todas as outras. Não é preciso ser nenhum especialista para saber que investimentos significam crescimento exponencial de empregos e rápido desenvolvimento tecnológico.
O estudo define a nova economia verde incluindo 16 setores: geração, transmissão, armazenamento, produção, eficiência e transporte de energia, manufatura/indústria, construção, agricultura, materiais, ar e meio ambiente, reciclagem e lixo, prestação de serviços, financiamento/investimento, pesquisa e advocacia. Os autores consideraram apenas a oferta de empresas e de postos de trabalho, e não a procura.
Políticas públicas

As novas políticas públicas de Obama tem estimulado o surgimento de green jobs/Foto: an agent
O estudo ainda aponta que as novas políticas públicas de Barack Obama tem estimulado esse crescimento, apesar deles já existirem desde alguns anos antes de sua posse. No Ato de Recuperação e Reinvestimento na América, assinado pelo presidente Obama em fevereiro de 2009, o governo assegurava um investimento de US$787 bilhões na economia do país. Desses, cerca de US$ 85 bilhões seriam direcionados para gastos e incentivos fiscais em programas de transporte e de energia limpa.
O resultado desses investimentos já pode ser visto por todo o país. Somente no estado da Califórnia, foram criados 125 mil empregos verdes apenas no último ano. Em segundo lugar está o Estado do Texas, com 55 mil Green Jobs. No Oregon, mais de 1% de todos os seus trabalhados, cerca de 1,9 milhões, estão na área verde.
Para os pesquisadores, as definições do estudo fornecem um quadro inovador para o monitoramento de empregos, investimentos e do crescimento econômico ao longo do tempo, permitindo que os setores público e o privado possam avaliar a eficácia das opções políticas e de investimentos disponíveis.
“Estes trabalhos são motores do crescimento econômico e sustentável em um momento que a América precisa de ambos. Existe uma vantagem competitiva em potencial para líderes políticos federais e estaduais, que deverão agir agora para impulsionar o emprego, as empresas e os investimentos no setor de energia limpa”, conclui Grange.
- Leia o estudo na íntegra (em inglês) -
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