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“Pelo menos 85% dos computadores descartados e importados pelo Peru são reutilizados, em vez de irem direto para a reciclagem"/Fotos: kid_entropy
Quando se fala em descarte de resíduos nos dias de hoje, logo se pensa em lixo eletrônico e nos danos sociais e ambientais causados pela prática. Esse problema, de ordem global e com tendência a se tornar cada dia mais perigoso, pode ter uma solução viável e benéfica para todos – sociedade, economia e meio ambiente.
Uma prova disso está no Peru. O país possui um sistema de importação e distribuição que reutiliza quase 90% dos computadores jogados fora em outros países.
As informações são da Product or Waste? Importation and End-of-Life Processing of Computers in Peru (Produto ou lixo? Importação e Processamento de computadores em fim de vida útil no Peru), um estudo realizado pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.
“Esse estudo considera a importância do uso dos computadores pessoais (PC’s) no Peru e as práticas domésticas relacionadas à sua produção, reutilização e processamento pós-vida útil”, afirmam os pesquisadores, que analisam a exportação de computadores e outros eletrônicos reutilizáveis e mostram um outro lado desse mercado.
A pesquisa
A análise, feita com base em dados oficiais, entrevistas com comerciantes e recicladores e outras fontes ligadas ao processo, mostrou que os EUA são a principal fonte de importação dos PC’s pelo Peru e que o fator impulsionante do comércio é a reutilização dos aparelhos, e não a reciclagem, como na grande maioria dos países.
“Pelo menos 85% dos computadores descartados e importados pelo Peru são reutilizados, em vez de irem direto para a reciclagem. Assim, essa imagem de resíduo eletrônico como sendo lixo inutilizável é, ao menos no Peru, incorreta”, afirmou Eric Williams, um dos responsáveis pela pesquisa.

"Essa imagem de resíduo eletrônico como sendo lixo inutilizável é, ao menos no Peru, incorreta"
A pesquisa mostra que assim que chegam ao país, os computadores seguem para um setor de reutilização e reciclagem, como uma cadeia reversa de abastecimento. Na capital Lima, uma equipe formada por empresas formais e informais atuam juntas para garantir “um fluxo altamente dinâmico que reutiliza e recicla quase todas as partes e materiais encontrados em um computador”, conta Williams.
Mão de obra informal
Para os pesquisadores, é possível acabar com os danos ambientais causados pelo lixo eletrônico sem precisar eliminar a coleta e a reciclagem informal. Segundo eles, essas práticas são fundamentais como geradores de renda, especialmente em países em desenvolvimento, e como facilitadores para tornar as tecnologias mais acessíveis a toda população.
Apesar de todos os problemas causados pela exportação de resíduos eletrônicos, especialmente em países como China e Índia, o estudo mostra que existe uma solução sustentável para o problema.
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