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Ao ser reduzida, a camada de ozônio deixa de impedir que a radiação ultravioleta atinja a superfície da Terra/Foto: antwerpenR
O óxido nitroso (N2O) superou os clorofluorcarbonetos (CFCs) e agora é o principal inimigo da camada de ozônio. A informação está presente em um estudo publicado na edição da Revista Science (disponível para assinantes) desta sexta-feira, 28 de agosto. De acordo com os cientistas da Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (NOAA), órgão do governo dos Estados Unidos, essa liderança nefasta se manterá por todo este século.
Intitulado The dominant ozone depleting substance emitted in the 21st century, o trabalho aponta que o óxido nitroso, também conhecido como gás do riso (ou hilariante), devido à capacidade de provocar contrações musculares involuntárias na face, provoca mais danos na camada de ozônio do que as outras substâncias emitidas por atividades humanas. O estudo afirma que as emissões de N2O já são duas vezes maiores do que as de CFCs.
Um terço da emissão do gás é proveniente de atividades humanas, mas ele também é emitido por fontes naturais, como bactérias presentes no solo e nos oceanos, ou como subproduto dos métodos de fertilização na agricultura, da combustão, do tratamento de esgoto e de diversos processos industriais. Os pesquisadores alertaram que os prejuízos à camada de ozônio são grandes e que eles continuarão elevados durante décadas, caso nada seja feito para frear as emissões desses poluentes.

Óxido nitroso também é emitido como subproduto do tratamento de esgoto/Foto: arbeer.de
“A grande redução nos CFCs nos últimos 20 anos é uma história ambiental de sucesso. Entretanto, o óxido nitroso produzido pelo homem é agora o elefante na sala entre as substâncias que destroem o ozônio atmosférico”, observou Akkihebbal Ravishankara, diretor da Divisão de Ciências Químicas do Laboratório de Pesquisas do Sistema Terrestre da NOAA, principal autor do estudo.
A camada de ozônio protege plantas, animais e populações de todo o mundo do excesso de radiação ultravioleta emitida pelo sol. Sua redução faz com que mais radiações do atinjam a superfície terrestre, o que prejudica a biodiversidade do planeta.
Apesar de o papel do óxido nitroso na destruição do ozônio ser conhecido há décadas, o novo estudo é o primeiro a calcular sua importância por meio do uso de métodos semelhantes aos usados na análise de CFCs e de outras emissões antrópicas. Um dado interessante refere-se ao fato de que, ao contrário do que é feito com outros gases, a emissão de óxido nitroso não é regulada pelo Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio, adotado em 1987 por 46 países.
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