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Estilistas Sustentáveis: Priscila Gomide e o ciclo positivo da moda
Postado em Moda e Beleza em 19/01/2010 às 10h55
por Redação EcoD Comentários (9) RSS
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Da produção da sua matéria-prima até o custo que será repassado para o consumidor. A estilista brasileira é atenta a cada detalhe de sua coleção de roupas e acessórios / Fotos: Divulgação

 

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Na hora de conceituar “moda sustentável”, Priscila Gomide afirma: “é a moda que fecha um ciclo positivo a todos que a ele pertencem”. Em uma entrevista ao portal EcoD, a estilista brasileira fala sobre este conceito e as práticas entorno dele, naturalmente aplicadas em sua marca, a Gomide Pure Wear

Quando mudou da faculdade de Direito para o mundo da moda, Priscila Gomide entendia que o gosto pelo mundo fashion ia além do simples “fazer moda” e alcançava a ideia de se desenvolver um produto. Talvez por isso, Priscila voltou os seus olhos para os princípios e práticas sustentáveis – tão importantes na construção de um produto de moda quanto a escolha de seu estilo, materiais e texturas. 

“Na Gomide Pure Wear, usamos a moda como forma de informação. Nossa mensagem é: Pense, Poupe, Recicle. Acreditamos plenamente no consumo consciente e ponderado. Aliás, não consigo perceber outra solução a não ser essa para podermos enxugar o desgaste dos recursos naturais. Se pouparmos, comprarmos menos e reciclarmos, a economia e a população crescem - não imagino outra solução para o mundo”, afirmou a estilista.

O ciclo positivo

vestido.jpgrenda.jpgDiminuindo a pegada que deixa sobre o planeta e agregando valor comercial e ecológico as suas criações de moda vestuário e acessórios, Gomide resolveu optar pelo caminho do meio e atuar de maneira ética e responsável com aqueles que, segundo ela, fazem parte deste positivo ciclo de moda sustentável. 

“Uma ação economicamente responsável somada à preservação do meio em que o homem vive resulta no bem estar social e na valorização do ser atuante no processo”, diz a estilista que usa como matéria-prima na Gomide Pure Wear fibras naturais de origem controlada e oriundas de produção brasileira.

“Mesmo utilizando fibras ecologicamente corretas - como algumas marcas nacionais e internacionais já fazem - utilizamos um processo 100% natural de tingimento, e esse é um dos nosso diferenciais no mercado. Desde jeito, alcançamos cores lindas e conseguimos ter a solidez dos pigmentos (fixação do corante). Utilizamos erva-mate fresca, camomila, pau-campeche, pau-ferro, índigo, genipapo, angico e romã para colorir. O processo é lúdico e limpo!”

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No detalhe, uma das peças da Gomide Pure Wear

Com a ideia de exportar ume produto 100% brasileiro e 100% ecológico, Gomide aposta no algodão orgânico como tendência, principalmente por englobar um conceito de sustentabilidade que vai da sua produção ao custo final do produto, um exemplo real do ciclo positivo ao qual a estilista se refere.

“O agricultor que produz algodão orgânico diminui a sua agressão ao meio ambiente por não utilizar insumos tóxicos e optar por práticas alternativas de cultivo, como formas naturais de redução de pragas, rotação de cultura e curvas de nível. Além disso, a agricultura é familiar, ou seja, emprega todos de uma família evitando o êxodo rural e a agressão social e pessoal do homem do campo nas cidades. A colheita é manual e o descaroçamento do algodão também ( o processo mecanizado é altamente poluente). Por todo esse valor agregado (humano e ambiental), o produto acaba sendo um pouco mais caro (cerca de 30% na matéria-prima e 5% no produto final)”, explica a estilista.

Produto X Consumidor

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Renda, tecidos confortáveis e muita feminilidade estão presentes nas criações da estilista / Foto: Rainha So

ssss.jpgCom a intenção de ampliar a ajuda ambiental e chegar também ao apoio social, Priscila tem planos de atuar nesta outra vertente da responsabilidade empresarial. “A primeira atitude que tivemos foi modificar de forma a preservar o meio ambiente. Ainda não atuamos de uma forma social, mas esse é o futuro que nos espera”.

Apesar das novas tecnologias, da busca pela preservação dos recursos naturais e da atenção com a população, Gomide diz que o consumidor ainda está com um pé atrás na hora da compra de moda sustentável.

“No Brasil ainda sinto muita resistência. As pessoas ainda não conseguem enxergar com bons olhos a estética do produto orgânico. Até porque o algodão orgânico nacional ainda é grosso e pouco delicado. Não temos variedade de artigo e temos um histórico de produto muito artesanal quando se fala em orgânico, e infelizmente o brasileiro tem resistência ao artesanal. Onde vejo interesse pelo produto é no público de mulheres entre 40 a 60 anos. São mulheres muito bem informadas e utilizam marcas como Huis Clo, Andrea Saletto, Marisa Ribeiro, Maria Bonita, Gilda Midani.”

Apostas futuras

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Roupas com Tags informativas: Informação para os consumidores e respeito com o meio ambiente

Também para o futuro, Priscila aposta suas fichas nas tags informativas (aquelas famosas etiquetas de roupas, só que serão acrescidas a ela mais informações, como detalhes sobre o processo de confecção a qual a peça foi submetida e a origem e características dos materiais usados).

“Além de investirmos mais em design para obter um produto esteticamente atraente e com valores de idoneidade agregados, iremos produzir nesta coleção tags em forma de livretos para informar sobre tudo! Como lavar as peças, como preservar o meio ambiente, desde a produção do algodão orgânico e o processo de tingimento natural, até a explicação de conceitos como reciclagem e consumo consciente”, diz Gomide.

Com uma coleção de tons nudes e design sofisticado e versátil (ponto determinante na moda sustentável), a estilista canta a pedra: “Acho que nós presenciamos o início do fast fashion (e fast tudo) e veremos a sua extinção”.


Veja também:

 

Tags: Biodiversidade , Cultura , Empresa Sustentável , Micro e Pequenos EcoNegócios , Moda e Beleza , Responsabilidade Social , Vida e Saúde
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Ver Comentários (9)  imprimir  indicar
Priscila Gomide

Comentado por Maria Fatima El-Khatib Borges Gomide em 19/01/2010 20:55

Parabéns pela reportagem com a estilista Priscila Gomide.

Ficou fantástica e a jovem tem um futuro garantido.

Atenciosamente
Fathi
roupas ecologicamente corretas

Comentado por maria beatriz borges em 19/01/2010 21:51

Que bom saber que temos pessoas de tao bom gosto preocupada
com a ecologia e sustentabilidade.
parabens pelas belas roupas e por seus objetivos

beatriz
CONFECCIONAMOS COM MATERIAL 100% RECICLADO

Comentado por Joel Souza em 19/01/2010 21:52

 o mundo precisa de iniciativa como essa e a natureza agradece parabens
Pense, Poupe, Recicle

Comentado por Camila em 20/01/2010 00:06

Incrível, Parabéns!
estilistas

Comentado por Roberta Campos (SP) em 20/01/2010 00:53

Adorei o post!
Adoro moda e quero ver mais estilistas por aqui!
Abraços
Priscila Gomide

Comentado por Rafaella em 20/01/2010 01:03

Parabéns pela iniciativa, muito bacana!
moda sustentavel!

Comentado por Rosane em 21/01/2010 00:19

bom ver bons e eficientes exemplos!
Obrigada Pelos comentários!

Comentado por Priscilla Gomide em 22/01/2010 16:04

Obrigada pelo feedback tão positivo de todos!!!!
Camisas para ciclismo

Comentado por Daniel Colucci em 05/02/2010 17:03

Priscila, boa tarde e parabéns pela iniciativa.
Estou pesquisando soluções para confecção de camisas de ciclismo com material 100% oriundo da reciclagem de garrafas PET pós-cosumo, mas não consigo encontrar um fornecedor que trabalhe com o material reciclado e que possua um tecido com a tecnologia necessária para o esporte, como as mallhas de poliéster com DryFit, ShpereDry, TecDry, por exemplo.
Sei que várias empresas trabalham com o tecido misto (50% PET reciclado e 50% algodão), mas não encontrei nenhuma entregasse tal tecido.
Um abraço,
Daniel Colucci
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