
Bruce Mau esteve no Brasil e falou como o design feito de forma sistêmica pode redesenhar o mundo/Fotos: Divulgação
Para quê serve o design? A pergunta é polêmica e vastamente debatida entre especialistas, profissionais e acadêmicos. Cada dia mais, nomes de destaque da área têm defendido o poder que a profissão possui de trazer mudanças positivas para a sociedade e sugerem maneiras de tornar essa missão mais eficiente.
Para o designer canadense, Bruce Mau, o design produzido de forma sistêmica é o caminho para redesenhar o mundo. Ele esteve em Curitiba na segunda-feira, 15 de junho, a convite do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), para realizar uma palestra para empresários sobre o design e a sustentabilidade.
O profissional acredita que não é mais possível enxergar a atividade apenas como forma, já que é preciso levar em consideração todo o processo que leva à criação, como o material, a tecnologia, a interação, a inteligência e a energia.
O especialista acredita que esta capacidade de criar deve ser utilizada para melhorar a vida das pessoas. “É preciso liberar o design das restrições do objeto e enxergá-lo como processo para o desenvolvimento de novas ideias”, afirmou.
O designer Phillippe Starck defendeu a mesma idéia em uma palestra ao TED, realizada em 2007. Para exemplificar, ele definiu a própria profissão em três vertentes. A primeira seria a do Design Cínico. Criticada por Starck como defasada e “ridícula”, essa vertente seria aquela que defende a ideia de que o que é feio é uma má venda, ou seja, o design é apenas uma ferramenta de marketing para vender mais produtos. A segunda seria a do Design Narcisista – “um designer fantástico que cria apenas para outros fantásticos designers”, sugeriu.
“Depois, estão as pessoas como eu, que tentam merecer existir e que se envergonham de ter esse trabalho inútil, que tentam fazê-lo de outra forma, não fazer o objeto pelo objeto, mas pelo resultado, para o benefício do ser humano, da pessoa que o usará”, defendeu Starck.

Mau falou a dezenas de empresários sobre o futuro do design.
Criando soluções
No mundo cada dia mais cheio de problemas e desafios, esses profissionais e suas criações podem ser as respostas capazes de ajudar a humanidade a enfrentar o século 21. Soluções eficientes, sustentáveis e acessíveis são esperadas e cabe a esses profissionais buscar as melhores formas de atingir seus objetivos.
“As pessoas no mundo todo estão fazendo conexões e encontrando soluções coletivas para os desafios. O primeiro passo é entender este momento e o que realmente está acontecendo no mundo. O segundo passo é enxergar as oportunidades para a interação, o comprometimento com uma abordagem empresarial e ver que de fato essas coisas estão sendo desenvolvidas”, explicou Mau.
Para ajudar nesse processo, Starck defendeu que todos devem ter o poder da visão, de enxergar a frente do seu tempo, olhar adiante e, dessa forma, não apenas cuidar dos seus interesses, mas também dos interesses do resto da humanidade.
“Quanto mais você eleva seu ângulo de visão, mais importante você será para a sociedade. Quanto mais você aumenta, para ver longe e alto, mais importante você será para a história da nossa evolução. Isso é inteligência”, defendeu Starck.
Nesse contexto, é válido destacar ainda a importância do trabalho coletivo e em rede para o planejamento e concretização de mudanças positivas no mundo. “A ideia do trabalho coletivo ainda é nova, mas cada vez mais necessária. Hoje não podemos pensar em mudança massiva, em mobilização, sem pensarmos em rede e interação interpessoal”, defende Mau.
Confira a palestra de Phillippe Starck ao TED, em 2007: