
Para Bryann Evans e Krista Sanders, para solucionar os problemas do design muitas vezes o mais importante é começar/Fotos: Divulgação
Os problemas do design estão geralmente inseridos em práticas culturais e algumas soluções requerem mudanças no comportamento, que muitas vezes são alvos de relutância dos consumidores. Mudanças incrementais podem parecer insignificantes, enquanto transformações bruscas podem ser perigosas.
Então como chegar a soluções de forma sistemática e ainda examiná-las contra os riscos existentes? Essa questão, que a antropóloga digital Brynn Evans chama de problema “excêntrico e perverso” do design, é debatida nesse podcast do Social Innovation Conversations.
Junto à diretora criativa da Stone Cobra, Krista Sanders, Evans defende o foco do design na solução de problemas pensada de forma individual e simultânea, mantendo a mente nos consumidores e nas necessidades do negócio. No debate, elas enfatizam que isso, em muitos casos, é apenas uma questão de dar o ponta-pé inicial.
Elas exemplificam com o case da Betacup, que buscava reduzir a quantidade de copos descartáveis de café. No projeto, a empresa verificou que o problema estava no estágio de consciência dos envolvidos: os consumidores se preocupavam com a conveniência, enquanto que os vendedores não queriam oferecer um produto menos atraente que a concorrência.

Roger Martin propõe uma mudança de pensamento que utiliza o design thinking com vantagem competitiva para os negócios
Outro caso citado é o da Clear RX, um modelo de garrafa desenhado pela então estudante Debra Adler, que de tão atraente foi aceita pelo público-alvo consciente, mesmo apresentando barreiras de produção.
No áudio, as designers ainda citam Roger Martin e sua teoria do Design Thinking como modelo de gestão de negócios. Segundo essa vertente, é preciso pensar analítica e intuitivamente de maneira simultânea e, assim, conseguir soluções sustentáveis, eficientes e competitivas para os negócios.
Para isso, é necessário passar por sete etapas: definição, investigação, idealização, protótipo, escolha, implementação e aprendizado. Com isso, o designer pensa o problema de forma dedutiva e analítica, depois faz uma avaliação intuitiva e abdutiva, gerando possíveis soluções para o problema, e por fim, configuram-se essas soluções levando em conta questões como marketing, preço e distribuição.
É sobre esse conceito que o consultor canadense e colunista de inovação da Business Week Roger Martin falou na AIGA Design Conference. O vídeo (em inglês) pode ser conferido logo abaixo.
Outro que também defende a metodologia é o designer Tim Brown. "A metodologia de design começa com o que Roger Martin, o professor de negócios na Universidade de Toronto, chama de pensamento integrador. Que é a habilidade de explorar ideias opostas e restrições opostas para criar novas soluções. No caso do design isso significa equilibrar a desejabilidade, o que humanos necessitam, com viabilidade técnica e econômica", disse Brown em sua palestra no TED, que você confere logo abaixo.
- Ouça o Podcast na íntegra (em inglês) -
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