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Pecuária responde por boa parte do CO2 emitido no Brasil. Energia produzida a partir de dejetos de animais evitaria as emissões de 71,3 milhões de toneladas do gás-estufa/Foto: James Jordan
O gás emitido pelos resíduos provenientes da criação extensiva de animais pode gerar no Brasil uma energia capaz de atender a uma cidade de 4,5 milhões de habitantes. O dado consta em um estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em parceria com a Itaipu Binacional. O potencial energético seria de cerca de 3.300 megawatts - equivalente ao produzido na usina hidrelétrica de Jirau.
De acordo com o levantamento, caso a energia produzida a partir desse tipo de material orgânico fosse vendida no país, o faturamento anual poderia chegar a R$ 1,5 bilhão, levando-se me conta os valores praticados pelo preço do leilão da Companhia Energética Paranaense (Copel). O estudo destaca ainda que os criadores de gado também seriam beneficiados, pois a economia proveniente do consumo dessa energia poderia chegar a R$ 200 milhões mensais (cerca de R$ 2,7 bilhões por ano).
As propriedades rurais precisam instalar um biodigestor para converter os dejetos. O aparelho transforma a matéria orgânica recolhida em gás combustível e adubo por meio de processo de fermentação. A utilização da tecnologia resulta na redução das emissões de gases poluentes contidos nos resíduos, além de gerar eletricidade. Segundo o estudo, 71,3 milhões de toneladas de CO2 deixariam de ser emitidas na atmosfera caso o Brasil investisse no biogás convertido da biomassa residual.
Investimento
Matéria publicada no jornal Correio Braziliense desta segunda-feira, 26 de julho, apurou que empresários brasileiros já começam a apostar na alternativa com o objetivo de reduzir os custos com energia. "É um investimento que se paga em pelo menos seis anos, mas temos tido uma excelente resposta”, afirmou Tiago Sossela, filho de um dos sócios da Fazenda Iguaçu (produtora de leite), situada no município de Céu Azul (PR). A instalação do biodigestor na propriedade rural custou R$ 400 mil.
Mensalmente, a conversão das 150 toneladas de dejetos recolhidas em energia ajuda a gerar eletricidade para a fazenda. “Tivemos uma economia de 25%. Além disso, o excedente da energia produzida é vendido para a Copel. A ideia deu tão certo que já temos um projeto para trocar o biodigestor atual, capaz de produzir 33kw/h, por um outro mais potente”, comemorou Sossela.
A FAO e a Itaipu Binacional defendem a adoção da alternativa como medida para balancear outras fontes de energia utilizadas no Brasil. “A usina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia, vai gerar uma quantidade média de energia elétrica equivalente a que poderia ser criada a partir de resíduos, mas provocando impactos no meio ambiente e exigindo um investimento acima de R$ 13 bilhões”, compara o relatório.
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