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Caso o estudo esteja correto, mito de que a energia eólica é mais cara começará a perder o sentido/Foto: sxc.hu
Um estudo elaborado pela Eletrobrás promete eliminar um dos principais mitos ligados à energia eólica (proveniente dos ventos): de que se trata de uma fonte energética cara. Segundo o trabalho, embora apresente um custo de investimento inicial mais alto do que o das térmicas a gás e a diesel, por exemplo, o valor operacional das usinas eólicas é bem menor.
“Com dez dias, a eólica já passa a valer a pena em relação às usinas a gás, por exemplo", comparou Márcio Drummond, chefe do Departamento de Engenharia e Gestão de Obras de Geração da estatal. Na comparação com as térmicas a diesel, bastariam seis dias para evidenciar a vantagem da geração eólica, de acordo com o estudo.

Segundo o estudo, a energia eólica precisa de apenas dez dias para compensar os valores gastos com as usinas à base de gás/Foto: Max
Drummond acrescentou que a geração de energia eólica precisa de apenas dois meses para ficar mais barata do que aquela gerada por outras fontes. “Você pode dizer que [a energia eólica] compensa qualquer coisa”, complementou. O estudo foi apresentado preliminarmente no dia 4 de setembro, em um seminário promovido pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (Apimec/RJ).
No entanto, ele só será divulgado oficialmente pela Eletrobrás em novembro deste ano, durante evento em Recife (PE). Por essa razão, Drummond não quis adiantar mais detalhes sobre o trabalho.
Associação quer plano de governo
Com a inauguração de um novo parque eólico no Ceará, dotado de 105 megawatts (MW) de capacidade, na próxima quinta-feira, 10, o Brasil ampliará para 547 MW a sua potência instalada dessa fonte renovável. Lauro Fiúza, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEeólica), afirmou que até o final de 2010 outros parques que estão em construção devem começar a operar, o que elevará a potência instalada no país para 900 MW. Segundo ele, ainda falta ao Brasil um plano de longo prazo para impulsionar a energia eólica.

Brasil ampliará sua potência instalada de energia eólica para 547 MW; Portugal conta com 2.870 MW/Foto: sxc.hu
“Isso é fundamental para que as indústrias se instalem e para que os empreendedores iniciem os seus investimentos em detecção de áreas, arrendamento, medição de vento e estabelecimento de projetos no longo prazo. Achamos que a primeira etapa a ser incrementada agora é estabelecer um plano”, explicou Fiúza. Esse projeto englobaria a contratação, por dez anos, de mil MW/ano de energia eólica, o que resultaria em 10 mil MW no período final.
Na avaliação do presidente da ABEeólica, falta decisão política para definir esse plano para o setor. Ele observou, porém, que já existe um discurso unificado no Brasil sobre a importância da geração eólica. “As autoridades estão fazendo o mesmo discurso que estamos pregando há dois anos, o que nos deixa muito otimistas”. Fiuza estimou que até o final de 2010 o potencial instalado da energia eólica brasileira chegará em torno de 1.300 MW.
Em comparação a outros países que também investem na fonte eólica para geração de energia, como Portugal, onde são gerados 2.870 MW, Fiúza lembrou que o Brasil ainda está muito atrasado. Diferentemente de outras nações, entretanto, o país apresenta uma situação particular por reunir todas as condições que permitem produzir energia renovável em abundância, sob todas as formas: hidrelétrica, eólica, biomassa, solar. Essas condições, assinalou, permitem crescimento e desenvolvimento econômico por muito tempo, com total independência.
*Com informações da Agência Brasil
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